Ajudando a reconstruir

Ajudando a reconstruir

Casa Família ajuda mães em situação de risco a reconstruir um caminho de dignidade

Se há uma palavra que define o trabalho realizado por Maria Margarida Marques Mesquita — a Irmã Margarida — e seus colaboradores, essa palavra é amor. “Uma vocação”, como ela define, que os levou a dedicarem-se aos menos favorecidos.

Irmã Margarida nasceu em Guimarães, em Portugal, prestou serviços de cunho social na Itália e na África antes de se fixar em Ribeirão Preto. Fundada em 1975, a Casa A Família já recebeu mais de 200 crianças, entre as quais em torno de cinco acabaram se enredando no mundo da marginalidade — uma estatística surpreendente, se comparada às instituições do gênero distribuídas pelo país.

A explicação talvez esteja no objetivo da Casa Família desde sua fundação: restaurar o lar e a família dos internos. “As mães sempre visitaram seus filhos, e a irmã as acompanhava daqui, dando estrutura para que pudessem receber seus filhos no futuro”, conta um dos colaboradores da Instituição, Marco Abrahão. Ou seja, quando muitos especialistas de saúde mental descobriam, através de pesquisas, a importância do vínculo mãe/bebê, Irmã Margarida colocava a teoria em prática, de forma quase instintiva. Uma missão árdua abraçada incondicionalmente: resgatar o sentido da família em núcleos devastados pelas drogas, pela violência, pela miséria, por situações que deixam marcas difíceis de serem curadas.

A mudança ocorrida no Estatuto da Criança e do Adolescente levou Irmã Margarida e seus amigos a construírem oito suítes, com área de convivência e lavanderia, para abrigar mães e crianças em situação de risco, iniciativa que só foi possível graças às contribuições de Newton Rubens Magdalena, Mariângela Queiroz de Freitas Magdalena e Divino Aparecido Gonçalves. Nas acomodações, vivem oito famílias, com as quais é feito um trabalho de base. “A primeira tarefa que temos que ensinar a essas moças é serem mães: levantar, dar banho, alimentar seus filhos, levá-los à escola”, explica Irmã Margarida.

Kárita Fernanda Carlos conhece bem as mazelas da vida. Na infância, foi uma das crianças da Irmã Margarida, chegou a retornar para a família, mas com a morte do pai, envolveu-se com drogas e perdeu as perspectivas ao abandonar os estudos e os esportes, chegando a perder a guarda de sua primeira filha, Stéfani Fernanda, hoje com 3 anos. No último relacionamento, deparou-se com a violência. Deu à luz a seu segundo filho Abner Fernando e chegou à Casa A Família há dois meses, quando o menino completou 19 dias. “Passei por todos os abrigos que você pode pensar de Ribeirão Preto e região”, garante. Agora, em sua suíte ao lado dos filhos, consegue vislumbrar perspectiva. “Quando o Abner crescer, vou trabalhar. Esse lugar vai me preparar para um serviço melhor, para uma casa melhor. Nunca tive a oportunidade de ter uma casa, uma família, a liberdade”, ressalta.

Adriana Rossato Danelucci, de 43 anos, vivia no bairro Maria Casa Grande quando seu barraco pegou foto, há oito meses. Viúva e doente, contava apenas com R$ 166,00 do projeto Bolsa Família para criar seus três filhos — Cláudio Henrique, Caroline e Davi César. Hoje, tem um lugar que oferece regras às crianças e uma vida digna. “Acho importante que aprendam a ter limites, a ter respeito. Aqui tenho do bom e do melhor. A Irmã está sendo uma benção na minha vida”, salienta. Um apoio que ela teme perder, mesmo já tendo sido contemplada pelo Projeto Minha Casa, Minha Vida.

Sabrina Constâncio da Silva, de 31 anos, também passou parte da infância na Instituição. Depois de casada, foi abandonada pelo companheiro e retornou ao antigo lar, com as filhas Beatriz, de nove anos, e Bianca, de dois anos. “Aqui me sinto protegida, tenho tudo o que me faltava lá fora. Tenho uma casa e posso sustentar minhas filhas”, conclui.

O telefone da Casa A Família é (16) 3623.3331. Doações também podem ser  feitas pelo  Banco HSBS (399), agência 0657, conta corrente 15151-41 ou através do Imposto de Renda. Até dia 30 de abril, quem não depositou parte ou 6% valor devido ao Imposto de Renda em favor das entidades públicas e privadas com projetos aprovados no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), ainda pode fazê-lo. Basta informar-se pelo site www.cmdca.ribeiraopreto.sp.gov.br. A Casa Família é uma dessas instituições.

Com o compromisso de:


                                                      

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