Alerta aos homens

Alerta aos homens

Em novembro, o azul dá o tom da campanha de prevenção ao câncer de próstata, doença que atinge cerca de 69 mil homens por ano e mata aproximadamente 12 mil brasileiros no mesmo período

Ao abordar o câncer de próstata, mais uma vez, vêm à tona alguns fatores tão perigosos quanto à doença. Entre eles, o preconceito em relação ao exame, que contribui para o agravamento do caso, levando o paciente ao médico com a doença em estado avançado. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), aproximadamente 69 mil novos casos surgem a cada ano, um a cada 7,6 minutos. Do total, 12 mil pacientes morrem. Dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo revelam que, todos os meses, aproximadamente 1.500 homens chegam aos hospitais em situação grave, com necessidade de intervenção cirúrgica.

Aproximadamente 1.500 homens chegam aos hospitais com problema adiantado e necessitam de intervenção cirúrgica

Como o câncer de próstata não apresenta sintomas na fase inicial, a prevenção é a única maneira de descobrir a doença no começo. Pensando nisso, desde 2003, uma campanha mundial toma conta das ruas e das mídias no mês em que se comemora o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, no dia 17. O Novembro Azul surgiu na Austrália e tem como símbolo, além da cor, o bigode. A campanha envolve vários órgãos públicos e privados, na realização de diversas atividades que alertam a população masculina sobre os riscos não só do câncer de próstata, mas também sobre o câncer de testículos, a depressão masculina, entre outros temas.

Localizada abaixo da bexiga, a próstata é uma glândula do aparelho reprodutor masculino que pesa cerca de 20 gramas. Ela responde pela produção do sêmen e aumenta naturalmente de tamanho a partir dos 25 anos de idade. Além disso, produz uma molécula chamada antígeno específico da próstata ou PSA (do inglês Prostate Specific Antigen). A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que homens a partir de 50 anos procurem o urologista para avaliação. Já aqueles com histórico familiar de câncer devem começar o acompanhamento aos 45 anos. Os exames consistem no toque retal e na dosagem de PSA, ambos complementares ao diagnóstico, com periodicidade anual.

Para o urologista João Cornicelli (CRM: 15.137), o ideal é que a visita ao urologista comece aos 40 anos de idade. Com um diagnóstico precoce, as chances de cura são de praticamente 100%, sendo a cirurgia um dos tratamentos mais eficientes. Nos estágios avançados, os pacientes podem se queixar, entre outros sintomas, de dores lombares ou na coluna e de dificuldade para urinar. O especialista explica que a gravidade desse tipo de câncer é medida de acordo com a classificação de Gleason, feita em função das características celulares e histológicas do tumor. O resultado final é obtido através da soma dos graus de um a cinco das duas tabelas.

Reconhecendo que os homens estão mais atentos à saúde, o médico revela que os pacientes têm chegado mais cedo ao consultório para a primeira consulta, muitas vezes, pressionados pelas esposas, que fazem o agendamento. O urologista destaca que, além do preconceito em relação aos exames, em especial ao toque retal, o medo da impotência sexual após a cirurgia é um dos principais fatores responsáveis pelo retardamento da primeira consulta urológica. Isso porque o procedimento é feito muito próximo aos nervos responsáveis pela ereção do pênis. Outro fator que preocupa os homens é a incontinência urinária, porque a próstata também está perto do esfíncter, músculo que controla a micção. “Com a evolução tecnológica na Medicina, em breve teremos aparelhos e técnicas mais precisas, como a cirurgia robótica, que poderá praticamente eliminar esses riscos durante o procedimento”, estima João.

Exames: mitos e verdades 


Toque retal:
esse não é o único método que identifica o câncer de próstata; ele precisa ser realizado em conjunto com o exame de sangue para identificar a taxa de PSA (antígeno prostático específico). Os dois exames são complementares.





PSA alto:
essa enzima produzida pelas células da glândula prostática pode indicar aumento do tamanho da próstata, mas isso não indica, necessariamente, a existência de um câncer. Por isso, essa medição não substitui o exame de toque





Aumento da próstata:
isoladamente, o aumento da glândula não indica a presença de câncer, mas, se acontecer repentinamente, pode ser um sinal da doença ou estar associado a dificuldades urinárias e outros sintomas clínicos, como diabetes.




Fator hereditário:
cerca de 2 a 3% das pessoas que têm parentes de primeiro grau com a doença podem desenvolver o câncer de próstata e, por isso, devem realizar exames regulares a partir dos 40 anos.





Alimentação:
alguns alimentos, como o tomate, rico em licopeno, e a cenoura, com alto teor de carotenoides, podem contribuir para prevenir o câncer. Antioxidantes naturais ajudam a inibir as alterações nas células que provocam danos ao DNA





Sedentarismo:
a falta de atividade física aumenta os riscos de desenvolver doenças coronarianas, circulatórias e também o câncer de próstata. Além disso, a obesidade é prejudicial, elevando os riscos em uma eventual cirurgia.




Vida sexual:
o câncer pode interferir de diferentes formas na vida sexual, assim como o envelhecimento. Ambos podem alterar a disposição e a ereção. Como, na cirurgia, a próstata e as vesículas seminais são removidas, o líquido ejaculatório pode cessar, porém, o orgasmo permanece.



Impotência:
a cirurgia não causa impotência. O homem que não tinha problema de ereção antes continuará sem problemas após realizá-la. Porém, a recuperação varia muito de pessoa para pessoa e pode levar até três anos.



Ações em Ribeirão e região


Sinhá Junqueira:
O Sinhá Junqueira Hospital Materno-Infantil ilumina o prédio com tons de azul e disponibiliza camisetas especiais alusivas ao tema aos funcionários da recepção.





UBSs:
A Secretaria Municipal da Saúde estará presente na Feira dos Profissionais da Saúde, realizada entre 4 e 7 de novembro, distribuindo o laço azul e orientando a todos a respeito do câncer de próstata. No dia 14, na Praça XV, uma ação que celebrará o dia Mundial do Diabetes vai abordar também a saúde do homem. No dia 28, em parceria com a ONG Associação Pró-Esporte e Cultura (APEC), serão realizadas atividades com a comunidade da Vila Mariana. A Unidade de Saúde da Família, no bairro Eugênio Mendes Lopes, também realiza atividades para sensibilizar os homens durante o mês. Veja a programação completa no site www.ribeiraopreto.sp.gov.br.

Palestras: O Grupo São Francisco intensificou as ações direcionadas aos homens. O Grupo fará palestras junto aos clientes, na sede administrativa e no hospital. Na unidade São Francisco Saúde Plena, além das orientações, as atendentes estarão de camisetas azuis e haverá distribuição de folders.

Sertãozinho: A cidade unificou as agendas do Outubro Rosa e do Novembro Azul, com atividades para homens e mulheres. Este mês, a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Saúde, fará diversas ações referentes à prevenção do câncer de próstata e à saúde do homem. Todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) fornecerão informações sobre a prevenção do câncer de próstata, sobre doenças crônicas e cardiovasculares. Confira a programação no site www.sertaozinho.sp.gov.br.

Pitangueiras: Durante o mês, os enfermeiros das Unidades de Saúde poderão solicitar o exame de dosagem de PSA aos homens, sem a necessidade de consulta médica. Caso o resultado apresente alguma alteração, serão agendados horários com um urologista. Além disso, a Secretaria Municipal de Saúde está recebendo doação de lenços e bonés nas campanhas Lenço Solidário e Boné Solidário, que poderão ser entregues na rua Euclides Zanini Caldas, 633, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Os itens arrecadados serão encaminhados ao Hospital de Câncer de Barretos.

São Simão: Alexandre Rodrigues, presidente do grupo Jeep Os Trilhados de São Simão, aproveita a realização da VII Trilha Off Road da cidade para divulgar informações sobre a campanha. O evento acontece no dia 8 e deverá reunir cerca de 150 veículos e um público de mais de duas mil pessoas. Os participantes receberão um kit que, além dos objetos pertinentes ao encontro, inclui cartazes, adesivos e folders sobre o Novembro Azul.

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