Alerta crescente
Proliferação do Aedes aegypti preocupa ribeirãopretanos e aumenta risco de dengue

Alerta crescente

Número de casos de dengue confirmados em Ribeirão Preto aumenta 373%; segundo especialista, forma mais efetiva de combater a doença é controlar a proliferação do mosquito Aedes aegypti

Desde o início do ano, a Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto registrou 2.337 casos suspeitos de dengue na cidade — um aumento de quase 500% na comparação com as 394 notificações do mesmo período de 2018. Entre os diagnósticos, já são confirmados, só no primeiro bimestre de 2019, 388. O número é 373% maior do que o registrado no ano passado, quando houve 82 confirmações da doença.
Secretário estadual de Saúde, Henrique Germann Ferreira (à direita de Nogueira), esteve em Ribeirão Preto
Os dados divulgados em 6 de março pelo Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde remontam a uma realidade não tão distante dos ribeirãopretanos: a epidemia de 2016. Naquele ano, entre janeiro e dezembro, foram 57.362 casos suspeitos de dengue, sendo mais de 35 mil confirmações. Apesar da memória de três anos atrás, a Secretaria Estadual de Saúde descarta uma atual epidemia. De acordo com Henrique Germann Ferreira, responsável pela pasta, as estatísticas ainda não preocupam. “Hoje temos uma incidência de casos e não podemos dizer que estamos a caminho de uma epidemia. Esse número reflete, somente, um aumento. Nada além disso”, afirmou, em visita à cidade. 
Segundo Sandro, fluxo migratório em Ribeirão Preto pode fazer crescer número de casos da doença
Segundo o secretário municipal de Saúde, Sandro Scarpelini, embora a quantidade de casos tenha aumentado com relação ao mesmo período do ano passado, o índice é menor que de outros municípios da região. “Com o fluxo migratório diário que temos na cidade, há chance de aumentar o número de casos nos próximos dias. Portanto, reforçamos que, além das atividades do poder público, precisamos muito da participação da população limpando sua própria casa” esclarece.
“Temos que considerar, sempre, a possibilidade do pior cenário e se preparar para isso”, diz infectologista
O médico infectologista coordenador do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), Fernando Bellissimo Rodrigues, afirma que a dengue tem caráter imprevisível, dependendo das chuvas, das temperaturas, da população e das medidas preventivas que são tomadas. “De toda maneira, acho que temos de considerar, sempre, a possibilidade do pior cenário e se preparar para isso”, destaca.
Noéli já sofreu com a dengue e lembra dos sintomas que sentiu ao contrair a doença, em 2015
A assistente jurídica Noéli Zanetti Casagrande de Souza já sentiu o que é contrair o vírus da dengue em 2015 e se lembra do mal-estar causado pela doença. “Eu e meu marido saímos em um final de semana para tomar um café. Quando cheguei em casa, senti uma dor muito forte na região da nuca, por cerca de 40 minutos, depois tive febre. No hospital, fiz um exame de sangue, que constatou baixo número de hemácias. Fui diagnosticada com dengue. Fiquei internada umas cinco horas. Em casa, por uma semana, tentei descansar, mas acordava com fortes dores de cabeça, tive um pouco de sangramento no nariz e não conseguia olhar para luz”, conta ela, que, depois do diagnóstico, sentiu, além do cansaço extremo, coceira nas mãos e nos pés, formigamento, vômitos, náuseas e perda de peso.

Prevenção

Como vive em apartamento, Noéli não imaginou que pudesse ser vítima da doença, mas chegou à conclusão de que os cuidados com o ambiente em que se vive são cruciais para prevenir a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. “Descobrimos que a zeladora, ao lavar o chão do prédio, deixava cair água no vão do elevador. Quando foi feita a manutenção no local, vimos que tinha água parada e foco de dengue. Todos ficaram mais atentos quanto à limpeza a partir desse fato. Penso que as pessoas devem se conscientizar de fazer sua parte, não só onde moram. É uma doença que pode ter inúmeras complicações”, diz.

De acordo com Fernando, a maneira mais efetiva de se combater a dengue é controlar a população do vetor. “Hoje, considera-se impossível erradicá-lo, mas, se a sua população for suprimida a níveis baixos, isso será suficiente para prevenir grandes epidemias de dengue e outras arboviroses. É o que acontece, por exemplo, no estado americano da Flórida, na Austrália e no sul da Europa. Mesmo sendo infestadas pelo Aedes aegypti, essas regiões não vivenciam epidemias de dengue, fundamentalmente, porque têm melhores condições de saneamento. Há rede de água para toda a população e destino melhor do lixo. No Brasil, os maiores criadouros são os tonéis de armazenamento de água, onde não há água encanada, e o lixo urbano despejado em local inapropriado”, explica.

Outras doenças

De acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Ribeirão Preto, não houve registro de febre amarela neste ano — desde 2016 não há registro de casos da doença no município. Com relação à Síndrome Respiratória Aguda Grave (gripe causada pelo vírus Influenza H1N1) e à Febre Chikungunya, não foram confirmados nenhum caso da doença em fevereiro. 

Fique de olho

Em 15 de março, data considerada o Dia “D” de Combate ao Aedes aegypti, a prefeitura promove um arrastão de limpeza na região oeste, com o objetivo de eliminar criadouros do mosquito. Estarão envolvidas as secretarias de Obras, Infraestrutura, Educação, Esportes, Fazenda e Cultura, além do Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp).


Texto: Marina Aranha  | Colaboração: Bruna Romão.

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