Amendoim para biodiesel
Encontro em Jaboticabal aponta alternativas para a comercialização do amendoim
Com uma safra superior a 65 mil toneladas de amendoim na região, pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp, de Jaboticabal, incentivam mecanismos alternativos de consumo para o produto, entre eles, a fabricação de biodiesel. Enquanto é possível extrair cerca de 20% de óleo da soja para a fabricação de biodiesel, algumas variedades de amendoim produzem até 50% de óleo para a mesma finalidade. Hoje, praticamente toda a produção abastece os mercados interno e externo da indústria alimentícia.
O tema foi apresentado durante o IX Encontro sobre a cultura, que aconteceu nos dias 9 e 10 de agosto, em Jaboticabal. Principal incentivador do amendoim para o biodiesel, o pesquisador da Instituição, Pedro Luis da Costa Aguiar Alves, mostrou aos produtores e às cooperativas que existe mais uma possibilidade de comercialização para o produto. “Sabemos que o principal mercado consumidor do amendoim é o alimentício. Contudo, quando o valor for baixo ou houver contaminação da produção por aflotoxina, por exemplo, pode-se canalizar a produção para o biodiesel”, explica o pesquisador.
Pedro apontou, ainda, que o processo de fabricação é fácil. A expansão da cultura, associada ou não a outros cultivares, possibilitará a implantação de processadoras mais próximas e rentáveis, inclusive com a participação das cooperativas. Denizart Bolonhezi, pesquisador do IAC-Apta de Ribeirão Preto, lembrou que, hoje, não existe excedente de produção que justifique a iniciativa. “Praticamente toda a safra nacional de amendoim no Brasil atende o mercado de consumo nacional e estrangeiro e o descarte é muito pequeno. Para produzir biodiesel, o produtor teria que aumentar muito a escala de produção, plantando um amendoim de qualidade inferior, o que não seria muito vantajoso”, opina Denizart.
Textos: Rose Rubini
Colaboração: Renata Costa