Amor que ultrapassa gerações

Caito, Cacaio, José e Matheus Fortes Guimarães representam a preciosa herança familiar que transpões os limites do tempo

Relatos históricos sugerem que a primeira celebração do Dia dos Pais foi feita por um jovem chamado Elmesu, na Babilônia, há mais de quatro mil anos. Ele teria esculpido um cartão em argila como forma de mostrar a importância da figura paterna em sua vida. Porém, a instituição de uma data especial para os pais é bem mais recente. Em 1909, a norte-americana Sonora Louise Smart Dodd escolheu um dia especial para homenagear o pai, William Smart, um veterano da guerra civil que ficou viúvo quando a esposa teve o sexto bebê e criou os seis filhos sozinho. Com essa iniciativa, o primeiro Dia dos Pais oficial foi celebrado em 19 de junho de 1910 em Spokane, Washington, tendo a rosa como símbolo do evento. Assim, os pais vivos deveriam ser homenageados com rosas vermelhas e os falecidos, com flores brancas. Pouco tempo depois, a comemoração já havia se espalhado por outras cidades americanas. Em 1972, o presidente Richard Nixon proclamou o terceiro domingo de junho como Dia dos Pais.

No Brasil, os papais passaram a ter um dia só deles em 1953. A data escolhida foi o segundo domingo de agosto. Portanto, basta uma rápida conferida no calendário para constatar que o Dia dos Pais está chegando. Muito mais do que uma data para estimular o comércio, o próximo dia 14 deve ser dedicado ao reconhecimento do amor incondicional em que se baseia essa relação única entre pai e filho.

Aos olhos do filho, o pai é o super herói, o exemplo a ser seguido, a proteção, o carinho e a segurança. Aos olhos do pai, o filho é a alegria, o sopro de vida, o bem de rara preciosidade. É a continuidade, a forma mais bonita de se eternizar. Esse sentimento universal passa de geração para geração. Dizem que só quando o homem tem um filho é que passa a entender seu pai e as complexidades de estar nessa posição. Para conversar sobre esse assunto com mais propriedade, a Revide convidou três gerações de pais da família Fortes Guimarães.

A história começa com o ribeirãopretano José Carlos Fortes Guimarães, hoje com 80 anos. O empresário lembra com saudades do pai, que também se chamava José. “Apenas observando meu pai, aprendi muito através de suas atitudes e ouvindo suas lições no dia a dia, tanto no lado pessoal quanto no profissional, já que, aos 15 anos, fui trabalhar com ele como produtor, beneficiador e comprador de café. Quando me casei com Anna Maria e decidimos formar a nossa família, sabia desde o início que seguiria os passos do meu pai. Com amor, alegria e a benção de Deus, conseguiria passar seus ensinamentos adiante, para que meus filhos tivessem a mesma educação que tive, com princípios e valores consolidados”, recorda.

O ideal de José logo foi se tornando realidade. O primeiro filho, José Fortes Guimarães Neto, chegou rápido, e não demorou para que viessem os cinco seguintes: Carlos Henrique, João Paulo, Andréia, José Carlos e Sergio. “Cada um deles trouxe uma emoção imensa ao meu coração. Eles me completavam de uma forma diferente e eu me reconhecia neles em cada detalhe. Acompanhar o nascimento, ver o primeiro sorriso, os primeiros passos, levar na escola, dar uma bronca, entre outras ações rotineiras, tiveram um encanto todo especial. Depois, chega uma das horas mais complicadas: constatar que você fez o seu trabalho e que é hora do filho partir para trilhar o próprio caminho. O pai sempre estará presente, mas deixa de ser um protagonista tão atuante. É a sequência natural da vida. Por sorte, nenhum dos meus filhos se afastou. Nossa família é muito unida e hoje vejo que desempenhei bem o meu papel de pai. Fico orgulhoso em ver que meus filhos também seguem o mesmo caminho”, comenta o patriarca.

Entre os filhos de José que seguiram esses passos está Carlos Henrique Rossi Fortes Guimarães, o Cacaio. Para ele, que fala em nome dos irmãos, uma palavra é essencial para definir a relação com o pai: amizade. “Ele sempre foi muito próximo. Fez questão de nos guiar e orientar em cada etapa de nossas vidas. Nosso pai é aquela pessoa com quem sabemos que podemos contar. Independente da situação, eu sei que ele estará ao nosso lado, oferecendo o apoio necessário”, afirma. Mais uma vez, a proximidade familiar ultrapassou os limites do lar e foi parar no local de trabalho. Cacaio, juntamente com o irmão João Paulo, ajudaram o pai na fundação da Imobiliária Fortes Guimarães em 1987. “A mesma afinidade que temos em casa, mantemos no trabalho. Essa estreita ligação ajuda muito nas negociações e faz a nossa empresa prosperar ainda mais”, aponta Cacaio. Aos 53 anos, o empresário é pai de dois filhos, Cristiane e Carlos Henrique Spinelli Fortes Guimarães, mais conhecido como Caíto. “A sensação de ter seu filho nos braços é simplesmente indescritível. Não há palavras no mundo que possam mensurar esse sentimento. Foi assim com os dois. Ouvi-los me chamando de pai também é, até hoje, surreal. Olho para a Cristiane e para o Caíto e sei que há um pedacinho de mim em cada um deles.

Mesmo hoje, que os dois já são adultos, a preocupação, o carinho e o amor continuam os mesmos. Cada segundo ao lado deles vale a pena”, emociona-se Cacaio.

Desde o ano passado, Caito também integra a equipe da Imobiliária Fortes Guimarães. “É muito bom trabalhar em família. Há uma sinergia diferente, especial”, aponta o empresário. Mesmo concordando com tudo o que Cacaio citou e ressaltar que, desde cedo, identificou a importância da figura paterna, Caíto confessa que só descobriu a intensidade de tudo isso recentemente. Aos 28 anos, ele se tornou pai pela primeira vez, com o nascimento de Matheus Villar Spinelli Fortes Guimarães, há cinco meses. “Ter um filho era um sonho, uma meta. Quando fiquei sabendo que minha esposa Érika estava grávida, fiquei imensamente feliz, mas minha ficha não caiu naquela hora. Só depois, quando peguei o Matheus no meu colo, é que entendi o significado de tudo isso. É um misto de medo com alegria extrema; o despertar de um senso de responsabilidade apurado e uma sensação de plenitude maravilhosa. Simplesmente inesquecível. Quero, logo logo, dar um irmãozinho ou uma irmãzinha ao Matheus”, adianta Caíto. O novo papai já faz planos para o pequeno, a quem deseja passar essa tradição familiar, prosseguindo com o nome e a filosofia dos Fortes Guimarães por várias gerações.

Texto: Paula Zuliani | Fotos: Julio Sian

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