Ano difícil preocupa trabalhadores e empresários
Negociações trabalhistas tendem a ser mais flexíveis em um período de economia em dificuldades
A perspectiva de um ano difícil, já prevista antes do final de 2014 está tomando contornos mais definidos com o decorrer do ano e causando preocupações em trabalhadores e empresários.
O mês de janeiro, por exemplo, foi o pior para o mercado de trabalho dos últimos seis anos. Foram fechadas, em todo o País, 81.774 postos de trabalho. No mesmo mês de 2009 foram 101.748 empregos a menos. Mas em janeiro do ano passado, ao contrário, foram criadas 29.595 vagas.
Em Ribeirão Preto, no primeiro mês do ano foram criadas apenas 45 vagas, contra o aumento de 617 em janeiro de 2014. O pior setor foi o comércio, que fechou 640 postos. A indústria da transformação e a construção civil foram as que mais criaram vagas, com 441 e 202, respectivamente.
As informações são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, divulgadas na sexta-feira, dia 27. Também de acordo com números do Caged, analisados pela Fundace, o setor de serviços foi o único a criar vagas no ano passado, na região.
Trabalhadores e empregadores enxergam um cenário de preocupação e cautela. Para o coordenador regional da Força Sindical e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Ribeirão Preto e Região Edmilson Domingues o início de ano “não tem sido agradável” para os trabalhadores.
Ele afirma que com estes tempos de dificuldades até a forma de negociar tem se modificado. “Nos últimos anos houve evolução nas negociações e se a empresa ou setor está em dificuldades temos que ser mais flexíveis. Se a empresa está saudável a conversa é mais tranquila”, diz.
O sindicalista comenta que o governo deveria ter política de defesa da indústria, mas que isso não tem ocorrido. “Nossa expectativa era de um quadro melhor. Tínhamos uma expectativa de mudança, mas a situação está difícil”, afirma.
Edmilson foi um dos organizadores de um ato realizado em Sertãozinho em janeiro, pela retomada do setor sucroenergético. A cidade vive uma de suas piores crises econômicas, com fechamento de milhares de postos de trabalho.
Na semana passada, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, reuniu-se com empresários da indústria de base do setor sucroenergético, na sede do CEISE Br, em Sertãozinho, para ouvir sugestões de projetos que possam viabilizar o aumento da produção de bioenergia e consequente retomada da indústria de base.
Ele apresentou aos presentes ao encontro o decreto assinado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) que simplifica as operações tributárias nos municípios que acomodam usinas e atividades incorporadas à cadeia produtiva do setor.
De acordo com ele, a medida visa reduzir custos e com isso ampliar a oferta de cogeração de energia elétrica pela cadeia sucroenergética, estendendo o diferimento do ICMS além da cana-de-açúcar, como também para o sorgo sacarino, palha, cavaco e outros resíduos da colheita.
Manter as empresas
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (Sincovarp), Paulo César Garcia Lopes, a preocupação é com a sobrevivência das empresas para se evitar o desemprego. “Há muita dificuldade frente à demora do governo e tomar medidas necessárias, como o corte de gastos com a máquina pública”, aponta.
Ele também comenta que está sentindo que este será um ano muito difícil, principalmente porque há certa rebeldia no principal partido de sustentação do governo, o PMDB.
“Diante disso, os lojistas terão que ter criatividade grande para manter os empregos. Sabemos que o aumento do consumo não deve ocorrer logo, porque os consumidores estão com dívidas a pagar”.
Paulo César conta que o Sindicato tem orientado os lojistas a reduzir custos, melhorar o atendimento com a reciclagem dos funcionários e dos empresários e a evitar o endividamento. “Se houver endividamento a situação piora, porque pode ocorrer inadimplência”, conclui.
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Fotos: Divulgação e arquivo Revide