Áreas verdes sofrem com incêndios

Áreas verdes sofrem com incêndios

Fundação Florestal aguarda chuvas para realizar levantamento de área destruída

 

Após um longo período de estiagem – a Secretaria do Meio Ambiente estima que seja a maior seca dos últimos 80 anos –, a chegada da primavera é aguardada por diversos órgãos ligados às questões florestais. Pois, acredita-se, que somente com as chuvas da nova estação , que se inicia no dia 23 de setembro, o clima seco e quente, que tem causado uma série de incêndios na região de Ribeirão Preto, poderá ter fim. 

Foram registrados entre agosto e setembro, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), 144 focos de incêndio na microrregião de Ribeirão Preto – 16 casos somente na cidade. Segundo o instituto, um aumento de aproximadamente 80% em relação ao mesmo período de 2013. 

No último dia 31 de agosto Ribeirão Preto protagonizou um incêndio que destruiu 70 hectares da Estação Ecológica – Mata de Santa Tereza – e durou até o dia 3 de agosto.

Em nota, a assessoria de impressa da Fundação Florestal, órgão ligado à Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo que administra a Estação Ecológica informou que mesmo após a extinção do incêndio, novos focos foram detectados. “Estes focos ocorrem diariamente, principalmente na parte da tarde com a temperatura mais elevada e a umidade do ar mais baixa”, explica.

Estes novos focos – que medem em torno de 400 a 500 metros – estão sendo combatidos pelo Corpo de Bombeiros, funcionários da Unidade, e outros parceiros, como usinas, concessionária da estrada, vizinhos na medida em que são detectados.

Estado de São Paulo

Em 2011, ano de vigência da Operação Corta Fogo, realizada pelo Sistema Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, que determina a integração das ações de prevenção, monitoramento, controle e combate a incêndios florestais, houve uma redução de 5.583 focos – registrados em 2005 – para 3.573. Já em 2012 a redução foi ainda maior. Foram detectados 2.159 focos, o que representa uma redução de 64% em relação ao ano de 2005.

Em 2013, foram 2.055 focos. Em 2014, um ano atípico com o registro da maior escassez de chuva em 45 anos, foram detectados 3.052 focos. Um crescimento de 131%, em relação ao mesmo período, de janeiro a setembro de 2013. Dos 3.052 focos registrados, foram atingidos 2.025 hectares de Unidades de Conservação, contra 1088 em 2013.

Medidas

Como ação preventiva, estão sendo abertos novos aceiros, uma faixa limpa, aberta em torno do terreno para protegê-lo do fogo, como medida de controlar novos focos que possam atingir o restante da Unidade de Conservação. Tais medidas estão sendo feitas por meio de uma ação planejada entre a gestão da Unidade de Conservação e o comando do Corpo de Bombeiros.

A Fundação Florestal ressalta ainda que, para evitar incêndios florestais, são realizadas atividades como a produção de aceiros nas divisas da Unidade. “São estabelecidas outras áreas estratégicas para funcionarem como corta fogo”, informa a nota.

Ambientalistas estimam que a recuperação da área da Mata de Santa Tereza, constituída de vegetação nativa, consumida pelo fogo, pode levar até 30 anos. Contudo, um estudo detalhando as perdas e as medidas a serem tomadas só poderá ser realizado com a chegada das chuvas. “A cada foco de incêndio, toda a característica do local muda. Consequentemente as medidas também”, revelou a assessoria de imprensa. 

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Bruno Silva
Fotos: Julio Sian

* Publicado em 19/09/2014

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