Arte abstrata

Arte abstrata

Um dos principais nomes do cenário cultural de Ribeirão Preto, Schozo Mishima recorda boas histórias do passado e conta um pouco da agitada rotina atual

Não é preciso ser um profundo conhecedor de teorias, de estilos e de técnicas para apreciar uma obra de arte. Na verdade, a relação entre o espectador e o trabalho diante dele deve ser bem mais simples e natural. Segundo Schozo Mishima, basta gostar do assunto e estar disposto a sentir. Foi assim que ele se apaixonou por esse universo e decidiu adotá-lo como profissão. “Meu pai e meu tio eram artesãos. Cresci observando a habilidade deles com a madeira. Mesmo já gostando da área, quanto ingressei na faculdade, optei pelo Direito. Sou graduado, ainda, em Contabilidade e em Engenharia. Ao todo, são mais de 20 diplomas e 80 certificados, mas a arte nunca deixou de fazer parte da minha família e da minha vida”, comenta Mishima.

Trabalhando como advogado, em um ambiente carregado e estressante, sentiu que precisava mudar de ares e o antigo interesse ressurgiu com mais intensidade. No início, Mishima fez cursos com Francisco Amêndola e Tirso Cruz, que o auxiliaram a desvendar sua essência artística. O contemporâneo Bassano Vaccarini também serviu de inspiração. A atividade, até então despretensiosa, começou a ganhar mais seriedade. O talento e a técnica apurada logo foram reconhecidos. Depois de participar de várias exposições, de vencer prêmios importantes e de conquistar bons índices de vendas de suas telas abstratas, o artista sofreu uma perda pessoal. Em 1986, a morte da esposa, Ana Maria, tirou, completamente, o chão e o foco.

As forças para continuar ele encontrou, mais uma vez, na arte. “Já tinha recebido um convite para ir para o exterior, vindo de um amigo que me abriu muitas portas, e decidi aceitar. Fui para vários países, como Portugal, Espanha e França. Por onde passei, colecionei pessoas, paisagens, histórias e experiências que me enriqueceram profundamente”, lembra Mishima. Depois dessa temporada internacional, voltou para Ribeirão Preto. Hoje, aos 88 anos, o artista esbanja vitalidade e criatividade, produzindo belas composições em esculturas e telas. Além de pintar no papel e no tecido, inova ao utilizar o vinil como pano de fundo para ilustrar diferentes cores e formas. Também atua na Academia de Artes Ribeirãopretana e na Associação dos Cidadãos Eméritos de Ribeirão Preto, entre outras funções em diferentes entidades, além de ser um dos mais ilustres representantes da tradicional colônia japonesa da cidade.

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