Arte de rua
O aparecimento do grafite na idade contemporanea, assim como o Hip Hop, data de meados da década de 1970
O grafite pode ser considerado a arte de preencher espaços em lugares públicos como muros, pilares, calçadas e construções abandonadas. Tudo pode se tornar tela para receber a tinta desses artistas de rua.
O nome grafite tem origem no termo italiano graffito que dava nome às inscrições feitas nas paredes desde o Império Romano, essas pinturas foram consideradas a origem do grafite.
Por muitos anos tida como uma contravenção, a prática lentamente passou a fazer parte das artes visuais, mais especificamente da street art - ou Arte de Rua - ao lado do movimento musical Hip Hop. Seu aparecimento na idade contemporanea, assim como o Hip Hop, data de meados da década de 1970 em Nova Iorque. No Brasil, mais especificamente em São Paulo, a arte também chegou quase que simultaneamente, sendo reconhecida mundialmente hoje como um dos melhores estilos.
Para o cartunista Renato Andrade, que também atua como grafiteiro desde a década de 80, o estilo de grafite brasileiro pode ser considerado um dos melhores devido ao improviso dos artistas. “A parte da denúncia e protesto social que alguns trabalhos exercem ganham uma legitimidade maior em países com maior contraste entre as classes”, justifica Andrade.
O cartunista, que participa de um concurso para pintar o novo metrô de São Paulo, acredita que a escassez de dinheiro muitas vezes leva os artistas a criarem situações muito próprias. “O trabalho do grafiteiro paulistano Zezão, que grafita em galerias pluviais de São Paulo por exemplo, é muito legal e mundialmente conhecido”, diz.
Dificuldade
Houve um momento em que a represália ao grafite foi grande, por ser considerada um ato de vandalismo. “Lembro que naquela época [na década de 80] a gente tinha que fugir. Hoje os grafiteiros vão para as galerias e museus”, comenta Renato Andrade sobre o espaço conquistado pelos grafiteiros ao longo dos anos.
Na opinião do grafiteiro Lelin Alves a cultura do grafite está bem globalizada e, por esse motivo, a aceitação da sociedade, segundo o artista, tem sido maior. No entanto, algumas pessoas ainda são contra a street art. “Existe uma minoria que às vezes passa por nós xingando, liga para polícia e esse é o maior problema. O policial em si raramente quer enquadrar um grafiteiro, mas tem de exercer a função quando é acionado”, diz.
Lelin Alves conta que já chegou a ser detido no Chile por estar grafitando o muro de um terreno baldio.“Mesmo o dono tendo deixado o muro ao descaso ele não gostou e ligou para a polícia”, revela.
O ribeirãopretano e outros grafiteiros tiveram de dormir na delegacia e a sentença foi ter de apagar o grafite que tinham feito. “O policial tem de desempenhar o seu papel quando lhe é solicitado, mas nunca sofri nenhum desrespeito por parte deles”, conclui.
Inspiração
De onde poderia vir a inspiração para as cores e os desenhos dos grafiteiros? Segundo Lelin, o grafiteiro não fica o dia todo pensando em desenhos, mas tem o costume de andar pelas ruas procurando locais para deixar a sua marca.
Lelin explica que tudo serve de inspiração: desde a textura até a forma do local que será pintado. “Não é que vamos pintar a parede no momento em que vemos. Cada lugar inspira algo de diferente e ficamos com aquilo na cabeça e enquanto não pintarmos tal muro, não ficamos tranquilos”, revela.
Lelin, que esteve no Chile para participar do Graffiti Fest, pretende agora conhecer e pintar em outros lugares do mundo. “O Chile era um sonho, pois o muralismo no país é bem interessante. Quem sabe um dia eu possa conhecer outros lugares?”, conclui.
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Texto: Bruno Silva
Fotos: Carolina Alves e Jefferson Barcellos