Arte em terracota
Artista ribeiraopretano que vive e faz sucesso no Rio de Janeiro estreita os laços com a terra natal
Nos dias 21, 22 e 23 de julho, o artista plástico Estevam Biandani ministrou curso sobre técnicas em escultura, realizado no ateliê La Casa d’Arte, em Ribeirão Preto. Natural de Franca e residente há 34 anos no Rio de Janeiro, Estevam realizou pela primeira vez um workshop em Ribeirão, cidade que o artista tem como apoio cultural.
Confira a entrevista exclusiva do artista plástico Estavam Biandani para o portal Revide.
Quando e como você descobriu a paixão pela escultura?
Tenho paixão pela escultura desde sempre. Desde criança trabalho com desenho e na minha cidade, Franca, eu era uma criança que não tinha como desenhar; portanto, eu desenhava no asfalto, pegava pedaço de tijolos e desenhava no asfalto. Morei em Franca até os meus dez anos, mas foi Ribeirão Preto que deu um apoio cultural, foi a cidade onde me tornei professor, fiz letras no Centro Universitário ‘Barão de Mauá’ e fiz escola de Belas Artes do Bosque Fábio Barreto durante todo o tempo, dos 13 anos até os 17 anos. Formei em 1975 e no ano seguinte fui embora para o Rio de Janeiro. Fiz muitas viagens internacionais e recebi muitos prêmios também. Em Ribeirão, eu cantava na Recreativa e saí da cidade como cantor e não como escultor.
É a primeira vez que ministra um curso de escultura em Ribeirão Preto?
Sim, esta é a primeira vez que faço um workshop. Não esperava que fosse maravilhoso o resultado. Estive em Sertãozinho no programa da Dra. Rita, fiquei durante 2hs executando uma escultura, a produção me pediu que eu fizesse uma escultura e esculpi o rosto de uma mulher com os cabelos ao vento. Nesse espaço de duas horas, a escultura foi feita e ficou de presente para a apresentadora. O programa teve uma grande repercussão.
Porque você decidiu morar no Rio de Janeiro?
Porque acho que nunca fui interiorano, minha alma sempre foi de artista, sempre precisei ter o mar perto de mim para me deixar mais sutil em relação às artes. Ribeirão Preto é uma cidade muito linda, mas não tem o mar. O mar é primordial. Na época, devido a música que eu cantava na Recra, fui convidado por nomes como Nana Caymmi para ir ao Rio de Janeiro cantar. Lá, me tornei amigo de Elis Regina, Toquinho e Vinicius de Moraes, foi tudo surpreendente! A cidade do Rio me abraçou, e lá comecei a cantar na noite, conhecendo os cantores, as pessoas, foi muito grande a gama de cantores e compositores. Devido a um acidente de carro, eu tive que me afastar. Depois fui à Paris e depois voltei pra Ribeirão para me tratar; quando voltei ao Rio, não tinha necessidade de ficar na noite, foi aí que me descobri como escultor e hoje sou um dos mais famosos do Rio de Janeiro.
O que o motivou a ministrar o curso sobre técnica em escultura?
Eu e o Ique (cartunista Ique, que realizou obras ao lado de Estavam) temos uma cumplicidade profissional e vamos atendendo aos pedidos da prefeitura do Rio. Fui um dos primeiros artistas a lançar a terracota em aeroporto onde tem um grande número de turistas. Isso é uma forma de mostrar um presente que Deus me deu. Perdi a minha mãe e o meu irmão numa fração de quatro meses em Ribeirão, então, eu preferi fazer um workshop para mostrar o meu trabalho e esquecer a dor. O meu irmão caçula Luis Fernando Nascimento, professor de História, me deu suporte para tudo isso; ele é uma pessoa espetacular, não sei como seria a minha vida sem ele. Quero voltar a Ribeirão Preto de quatro em quatro meses para fazer meu workshop. A Carmen Rezende e André Luis Rezende me colocaram para frente, eles são as pessoas que me jogaram para cima, pois eu não sabia o que fazer. Agradeço muito a eles, do fundo do meu coração.
Sua especialidade é escultura em terracota. Porque você optou pela terracota?
Uso a terracota desde o primeiro dia que vi um DVD sobre terracota, e fiquei encantado. Eu já trabalhava, mas não tinha noção do quanto é antiga, pois a terracota é a arte do fogo, é você pegar a argila, moldá-la e queimá-la em 600, 700, 800 graus. Os índios fazem isso, o homem primitivo fazia isso, as terracotas que foram elaboradas por artistas franceses são maravilhosas e no meu ateliê no Rio tenho um arquivo sobre essas obras. Tenho carinho pelo trabalho italiano e pelo trabalho francês, que são perfeitos, pois eles realmente são os melhores. Todo mundo fala que terracota se perde, mas você tem que tê-la como um cristal, ou seja, tem que tomar muito cuidado.
Você esculpiu um presépio de 1,8m e também uma escultura do cantor Michael Jackson. Entre as duas, há alguma preferida ou não?
Tenho duas esculturas preferidas: a obra do Michael Jackson eu dei o meu sangue, tanto que no momento em que eu a esculpia, senti a presença dele, foi algo impressionante, acho que foi a maior emoção da minha vida. E a escultura do Chacrinha, que foi muito gostoso fazer, foi bem divertido fazer como ele era, pois o Chacrinha tinha muitos adereços. Quando se faz uma escultura, tem que haver emoção. Sou um artista que gosta da escultura perfeita. Sou imperfeito, mas a escultura tem que ser perfeita.
Quais serão as suas próximas exposições?
Tenho uma exposição em Santa Catarina, com o tema São Francisco de Assis. Vou fazer São Francisco em várias cenas, que são mais ou menos 25 cenas. Só que ainda não sei quando vai ser.
Quais os planos para o futuro?
Continuar dando aula em Ipanema, no meu ateliê que está ‘bombando’ graças a Deus. Já tenho 30 alunos, jovens de 13 a 15 anos e pessoas que passaram dos 60 também. Aos sábados, tenho uma turma de juízes e advogados que se reúne para as aulas.
Revide On-line
Texto: Fernando Belezine (colaborador) | Fotos: Núcleo da Notícia Assessoria de Imprensa