Arte para todos

João Carlos de Figueiredo Ferraz pôs em prática um projeto de uma década: criar um polo cultural, disponibilizando ao público sua coleção de obras de arte

Ribeirão Preto ganhou um novo espaço cultural. Seguindo padrões internacionais, o Instituto Figueiredo Ferraz abriga a coleção particular de arte contemporânea de João Carlos de Figueiredo Ferraz, um dos maiores colecionadores do Brasil, idealizador e patrocinador de todo o projeto. O Instituto busca trazer exposições temporárias, em parceria com as mais importantes instituições de artes plásticas do Brasil e do mundo, além de oferecer cursos e palestras com reconhecidos representantes do segmentos.

João Carlos conta que a ideia de criar um espaço para abrigar suas obras surgindo conforme a coleção crescia. “Comecei a adquirir algumas peças regularmente no início dos anos 80, visitando galerias e ateliês. Quando se compra obras de arte, primeiro se coloca em casa, arruma aqui, ajeita ali, mas chega uma hora em que não tem mais como acomodar toda a coleção. No entanto, é impossível não continuar comprando mesmo assim, seja pela obra ou pelo artista. Então é preciso um lugar para guardar esses itens. Aqueles comprados por paixão, guardei sem vê-los mais. Quando cheguei neste ponto, há cerca de 10 anos, passou a não fazer mais sentido ter essas obras encaixotadas”, explica o empresário. Neste momento, João iniciou contatos com a Pinacoteca do Estado de São Paulo — museu de arte mais antigo da capital paulista e um dos mais importantes do país — para deixar sua coleção em comodato. “Achei ótimo, mas desde que fosse um espaço em Ribeirão Preto. Para a minha surpresa, a ideia conquistou os diretores”, relembra João Carlos.

Durante esses anos, o colecionador manteve contato com a administração municipal, que se mostrou disposta a patrocinar o projeto, mas não foi possível tirar o projeto do papel. “Representantes da Pinacoteca estiveram aqui, ficaram encantados com alguns espaços, entre eles, com a Cianê. Mas toda vez que chegávamos à Prefeitura com o projeto completo, ele não se concretizava”, comenta o colecionador que, depois de muitas tentativas, decidiu investir em um espaço próprio. “Surgiu uma boa oportunidade de negócio e, assim, comecei o projeto ao lado da minha esposa, Dulce, que é decoradora e trabalha com arquitetura. Como sempre frequentamos museus e espaços culturais, já sabia exatamente o que queria: um espaço bem iluminado, com respiro, onde o visitante tivesse liberdade”, pontua João Carlos. Assim surgiu o Instituto Figueiredo Ferraz, uma iniciativa privada de um apaixonado pelas artes.

Desde o início do projeto arquitetônico até a inauguração, foram apenas dois anos. “Quando se sabe o que quer, o processo é simples e rápido”, comenta João Carlos, recordando uma pequena e decisiva mudança na conclusão. “Eu estava tão desiludido por conta da má vontade das administrações municipais que procurei que tinha pensado em construir um espaço fechado, particular, apenas para conhecidos. Mas conforme o andamento das obras e várias conversas com amigos, percebi a empolgação do público e cheguei à conclusão de que essas obras, apesar de serem particulares, fazem parte da cultura do Brasil. Além disso, temos muitos exemplares de artistas estrangeiros, hoje expostos em diversos museus do mundo”, afirma João Carlos. Assim surgiu também a ideia de um auditório para cursos, palestras e atividades do tipo.

De acordo com o empresário, seu grande objetivo é fazer do Instituto um polo cultural, reunindo pessoas interessadas em discutir ideias, conversar e absorver cultura e se aproximar da arte. “É impossível gostar de uma coisa que não se conhece. Acho que o contato, a aproximação é que criam novos apreciadores”, analisa. A curadoria da mostra foi feita por Agnaldo Farias, crítico de arte, com passagem por três edições da Bienal de São Paulo, incluindo a última. Foram selecionadas 155 das quase mil obras da coleção de João Carlos. “Agnaldo acompanhou minha trajetória como colecionador e selecionou minhas obras procurando fazer um recorte, dentro da coleção, com obras que expliquem as faces da arte contemporânea. Este momento artístico envolve uma série de tendências que vale a pena mostrar ao espectador”, explica João Carlos.

O Instituto é aberto de terça a sábado, das 14h às 18h, com visitas guiadas por monitores, que explicam o significado de cada obra. Cursos e palestras serão ministrados por profissionais renomados das mais diversas áreas, entre elas arquitetura, artes plásticas, design e cinema, além de artistas com forte atuação na arte contemporânea. “Traremos nomes como Paulo Pasta, Waltercio Caldas e um leque de palestras e cursos para os interessados de Ribeirão Preto e região, na minha opinião, carente de cultura”, frisa o empresário. Na programação do Instituto, também consta a Bienal de Ribeirão Preto, voltada à imagem e à fotografia, já  em 2012. “A intenção é trazer os mais importantes e interessantes artistas internacionais para uma série de palestras e workshops. Nossa ideia é ter um registro da cidade pelos melhores fotógrafos do mundo”, anuncia, revelando que também trará outras exposições.

“Estamos em contato com a própria Pinacoteca e com o Instituto Tomie Ohtake”, antecipa o colecionador. Para isso, é necessário cuidado extra em relação à segurança das obras, uma preocupação dos patrocinadores e dos museus. “Caso contrário, é impossível trazer uma mostra de peso. Apesar dos próprios patrocinadores almejarem essa característica itinerante das exposições, ainda é grande a dificuldade de sair do eixo Rio-São Paulo justamente por causa do fator seiluminado, com respiro, onde o visitante tivesse liberdade”, pontua João Carlos. Assim surgiu o Instituto Figueiredo Ferraz, uma iniciativa privada de um apaixonado pelas artes.

Desde o início do projeto arquitetônico até a inauguração, foram apenas dois anos. “Quando se sabe o que quer, o processo é simples e rápido”, comenta João Carlos, recordando uma pequena e decisiva mudança na conclusão. “Eu estava tão desiludido por conta da má vontade das administrações municipais que procurei que tinha pensado em construir um espaço fechado, particular, apenas para conhecidos. Mas conforme o andamento das obras e várias conversas com amigos, percebi a empolgação do público e cheguei à conclusão de que essas obras, apesar de serem particulares, fazem parte da cultura do Brasil. Além disso, temos muitos exemplares de artistas estrangeiros, hoje expostos em diversos museus do mundo”, afirma João Carlos. Assim surgiu também a ideia de um auditório para cursos, palestras e atividades do tipo.

De acordo com o empresário, seu grande objetivo é fazer do Instituto um polo cultural, reunindo pessoas interessadas em discutir ideias, conversar e absorver cultura e se aproximar da arte. “É impossível gostar de uma coisa que não se conhece. Acho que o contato, a aproximação é que criam novos apreciadores”, analisa. A curadoria da mostra foi feita por Agnaldo Farias, crítico de arte, com passagem por três edições da Bienal de São Paulo, incluindo a última. Foram selecionadas 155 das quase mil obras da coleção de João Carlos. “Agnaldo acompanhou minha trajetória como colecionador e selecionou minhas obras procurando fazer um recorte, dentro da coleção, com obras que expliquem as faces da arte contemporânea. Este momento artístico envolve uma série de tendências que vale a pena mostrar ao espectador”, explica João Carlos.

O Instituto é aberto de terça a sábado, das 14h às 18h, com visitas guiadas por monitores, que explicam o significado de cada obra. Cursos e palestras serão ministrados por profissionais renomados das mais diversas áreas, entre elas arquitetura, artes plásticas, design e cinema, além de artistas com forte atuação na arte contemporânea. “Traremos nomes como Paulo Pasta, Waltercio Caldas e um leque de palestras e cursos para os interessados de Ribeirão Preto e região, na minha opinião, carente de cultura”, frisa o empresário. Na programação do Instituto, também consta a Bienal de Ribeirão Preto, voltada à imagem e à fotografia, já  em 2012. “A intenção é trazer os mais importantes e interessantes artistas internacionais para uma série de palestras e workshops. Nossa ideia é ter um registro da cidade pelos melhores fotógrafos do mundo”, anuncia, revelando que também trará outras exposições.

“Estamos em contato com a própria Pinacoteca e com o Instituto Tomie Ohtake”, antecipa o colecionador. Para isso, é necessário cuidado extra em relação à segurança das obras, uma preocupação dos patrocinadores e dos museus. “Caso contrário, é impossível trazer uma mostra de peso. Apesar dos próprios patrocinadores almejarem essa característica itinerante das exposições, ainda é grande a dificuldade de sair do eixo Rio-São Paulo justamente por causa do fator segurança”, completa, salientando que o prédio do Instituto foi projetado pensando nessa questão. Há câmeras, sensores de movimento e de sensibilidade e uma série de equipamentos recomendados por especialistas para proteção das obras.

MERCADO
O mercado de arte contemporânea no Brasil é recente e vem se formando ativamente há cerca de uma década. “Sou um dos grandes colecionadores do país, não só pelo número de obras, mas porque aqui existem poucos compradores”, explica o empresário, formado em Economia. A preferência foi influenciada por amigos. “Procuro ver diversos tipos de arte, já que todos têm momentos e artistas incríveis. Mas a arte contemporânea diz respeito ao que estamos vivendo agora. O artista do nosso tempo não faz mais uma pintura simplesmente mostrando a paisagem bonita. Ele faz um trabalho carregado de questionamentos, de críticas. Ou seja, esta é uma arte muito próxima de nós”, expõe. Aos admiradores de arte contemporânea como decoração, João Carlos sugere comprar aquilo que seja agradável aos olhos. Já para investimento, indica um mínimo de informação sobre o mercado e sobre o artista. “Sempre aconselho comprar em galerias sérias, que contam com o olhar do galerista. Quando  esses profissionais dispõem uma obra, significa que ela já passou por seu crivo e têm uma trajetória conhecida. A segunda dica é ver bastante, olhar, visitar galerias e esperar que a obra certa chame a atenção. Em se tratando de arte contemporânea, acho importante, ainda, arriscar seu olhar ao comprar uma obra. Como não existem muitos artistas já consagrados, é possível fazer uma aposta e confiar no próprio olhar. Há o risco, mas este é minimizado quando se compra em um lugar sério”, ensina o colecionador.

 Tornar a vida mais bonita, revelar, questionar, rever conceitos e preconceitos: estes são os papéis que João Carlos enxerga a arte. “Depende da maneira como você está preparado para olhar. O Fernando Pessoa tem a seguinte frase: ‘O teorema de Pitágoras é tão bonito quanto a Vênus de Milo’. Poucas pessoas conseguem enxergar a beleza da arte de Pitágoras que, assim como quem fez a Vênus, passou um tempo usando sua inteligência e sua energia para realizá-lo. Tudo passa pela inteligência, pelo raciocínio. Tudo passa pelo que a gente tem de mais bonito, que é nossa capacidade de questionar, de pensar, de amar e de enxergar a beleza. Acho que isso é arte”, finaliza João Carlos.

Instituto Figueiredo Ferraz
Rua Maestro Ignácio Stábile, 200,
Alto da Boa Vista
Tels.: (16) 3623.2261 e 3623.2262
Funcionamento: terça a sábado, das 14h às 18h
www.institutofigueiredoferraz.com

Texto: Marina Rezende
Fotos: Ibraim Leão

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