Arte sobre duas rodas

Arte sobre duas rodas

Combinando arte e mecânica, o artista plástico, Gilberto Gonçalves Rodrigues, transformou a paixão por motos em negócio

Nas pinturas, nas esculturas, nas gravuras, na música ou na dança, a arte está presente em toda parte. E está também nas motocicletas.

Isso é possível graças a um trabalho artístico chamado customização, que consiste em adaptar e ‘fantasiar’ algum objeto conforme o gosto pessoal de cada indivíduo. Neste caso, as motocicletas que chegam à Exhaust Customização, em Ribeirão Preto, ganham roupagem nova e assinatura de artista.

Segundo o proprietário da oficina e artista plástico, Gilberto Gonçalves Rodrigues, a paixão por motos seguiu no caminho em que ele pudesse combinar arte e mecânica. “Sempre fui fanático por motos. Tudo começou entre amigos, então customizamos cinco triciclos. E eu não parei mais”, relembrou. E não parou mesmo. Há 12 anos Rodrigues está no ramo da customização.

As criações dentro da oficina deixaram de ser serviço para se tornarem diversão. Remontar uma motocicleta a pedido de clientes, desde parafusos até o escapamento, do motor ao guidão, trabalhando em um desenvolvimento artístico, requer entusiasmo e também paciência. Customizar uma motocicleta, dependendo do tipo de serviço que é criado, leva tempo. Mas Rodrigues afirma que o trabalho é feito com gosto e exclusividade. “Tenho trabalhos que levei 60 dias para terminar, isso varia muito”, conta. “Mas o meu trabalho é de responsabilidade e os clientes confiam nele”, garante.

A customização é um trabalho muito presente nos EUA e que chegou ao Brasil com rapidez. Porém, conforme Rodrigues, o nicho é interessante, mas falta gente para fazer isso. “Aqui está aparecendo muita coisa e toda a história do motociclismo está voltando”, ressalta.

Motocicletas que chegam ‘abandonadas’ à oficina Exhaust retornam aos donos como novas em folha. O estilo do veículo muda a gosto do cliente, e a moto pode ganhar traços que combinam com o  perfil do proprietário.

Rodrigues conta que não faz ideia de quantas motocicletas já customizou. “Só de escapamentos foram mais de 350 trabalhos realizados”.

Além disso, o artista exibiu peças que ele mesmo montou, como bancos, capacetes e guidões, e algumas motocicletas espalhadas pela oficina, de material mais artesanal e também mais exótico, como crânios adaptados, por exemplo. O molde detalhado é feito por ele próprio e a pintura dá o toque final à arte mecânica.

Para Rodrigues, que deixou de esculpir em pedra para se dedicar à arte sobre duas rodas, a sensação em ver um trabalho concluído é algo quase sem explicação. “Eu me sinto como se estivesse em um deserto e bebesse a última gota de água da Terra”, finaliza.

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Texto: Fernando Belezine (colaborador)
Fotos: Carolina Alves

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