As letras bem representadas
Alexandre Azevedo e Brasil Salomão são, respectivamente, autor da terra homenageado e patrono da 12ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto
Antes mesmo do encerramento de uma edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, o evento do ano seguinte já começa a ser planejado. Ao concluir a 11ª edição, realizada entre os dias 26 de maio e 5 de junho deste ano, os organizadores já possuíam, por exemplo, os nomes e lugares que receberão destaque em 2012. São eles a Inglaterra (país), o Espírito Santo (estado), Graciliano Ramos (escritor), Thalita Rebouças (autora infanto-juvenil), Paulo Freire (autor educação, categoria inédita) e Alexandre Azevedo (autor da terra). No próximo ano, o patronato da Feira do Livro será do advogado Brasil Salomão que, ao lado de Alexandre Azevedo, revela parte de sua relação com as letras.
Filho de mãe professora, os livros tornaram-se presentes bem cedo na rotina do futuro advogado. A literatura infantil, tendo como grande cicerone Monteiro Lobato e seus personagens inesquecíveis, logo arrebatou Brasil Salomão, que carregou o hábito da leitura por toda a vida. O gosto pelas letras o levou a escolher o Direito como profissão. Formou-se em 1967 pela Faculdade Laudo de Camargo, da Universidade de Ribeirão Preto. Aos 70 anos, Brasil Salomão é advogado há mais de quatro décadas, tendo deixado um cargo público para fundar o próprio escritório ao lado de colegas.
O Direito Tributário foi a especialização escolhida pelo advogado, que obteve sucesso logo na primeira causa defendida. Sócio-fundador do Escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia, tornou-se referência na área em Ribeirão Preto, assim como seu escritório, que possui diversas especialidades jurídicas, totalizando mais de 104 advogados, 74 funcionários, 22 correspondentes, além de 25 profissionais terceirizados. Desde 2008, o Brasil Salomão e Matthes Advocacia consta entre as melhores empresas para se trabalhar, de acordo com uma pesquisa realizada pela Revista Época, publicação da Editora Globo.
O posto foi conquistado devido aos diversos investimentos feitos nos funcionários e nos parceiros. A empresa possui um Centro de Estudos Jurídicos, que promove cursos e palestras não apenas para os advogados associados, além de um Núcleo de Responsabilidade Social, que apoia campanhas e projetos de relevância para as cidades onde atuam. O Escritório também mantém uma preocupação com a área cultural. A Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, por exemplo, é apoiada pelo Brasil Salomão e Matthes Advocacia através da Lei Rouanet. Além de livros jurídicos, a biblioteca da empresa disponibiliza títulos de diversas naturezas a funcionários e moradores do entorno.
Segundo Brasil Salomão, a demanda profissional ocupa a maior parte do tempo reservado a leitura. “As obras técnicas são uma obrigação na minha vida e a elas dedico boa parte do meu tempo. Mas procuro reservar espaço para ler a produção de novos autores e revisitar alguns nomes da literatura mundial”, revela. Atualmente, o advogado está aproveitando alguns dias de férias para, além de curtir a família — dois filhos e três netos, todos corinthianos, como faz questão de ressaltar —, reler algumas das obras preferidas. “Na minha bagagem estão livros de José Saramago e a Ilíada, de Homero, que pretendo rever”, revela Brasil Salomão. “Os Sertões”, de Euclides da Cunha e obras de Sérgio Buarque de Holanda e Darcy Ribeirão são recomendadas pelo advogado.
Apesar de ter na escrita a principal ferramenta de trabalho e publicar crônicas semanais em um jornal ribeirãopretano, Brasil Salomão reforça que sua relação com os livros é exclusivamente a de leitor. “Não sou escritor, mas posso dizer que tenho uma relação de intimidade com os livros”, autoavalia. O convite para ser o patrono da 12ª Feira Nacional do Livro foi motivo de muito orgulho para o advogado. “Creio que esta tenha sido uma das maiores honrarias que recebi em toda a minha vida. Este evento possui uma pujança tão grande que me orgulha muito fazer parte disso”, afirma Brasil Salomão que, como conselheiro da Fundação Feira do Livro, já acompanhava de perto o trabalho dos organizadores.
Autor da terra
Apesar de ter nascido em Belo Horizonte e ter morado muitos anos em Campo Grande, foi Ribeirão Preto a cidade escolhida pelo escritor, filósofo e professor Alexandre Azevedo, que mudou-se para o interior paulista em 1992. “Foi nesta cidade que construí minha vida, minha família e minha carreira”, aponta o autor de crônicas, contos, ensaios, peças teatrais e livros infantis.
A relação com os livros intensificou-se na adolescência, quando ganhou da mãe uma coleção de livros que incluía cerca de 500 obras. “Levei todos aqueles títulos para o meu quarto quando eu tinha 14 anos. Quando vi aquelas estantes tomadas pelos livros pensei: o que vou fazer com tudo isso? A decisão foi simples: eu os li”, recorda Alexandre, que desde então apaixonou-se pela escrita de Luiz Fernando Veríssimo, Fernando Sabino, entre muitos outros. A familiaridade com aquele universo o levou a escrever crônicas para um jornal campograndense que, mais tarde, deram origem ao seu primeiro livro, “Que azar, Godofredo”. O título comemorou 20 anos em 2009 e teve uma edição especial lançada.
As mais de duas décadas de carreira permitiram que Alexandre ultrapassasse a marca dos 70 livros publicados. Na literatura infantil, em que o autor merece destaque, a estreia aconteceu com “O Reino do Aqui-Pode”, lançado pela primeira vez em 1994. O universo das crianças foi intensamente explorado pelo autor, que tem outros quatro ou cinco livros para lançar em breve.
Escrevo quase compulsivamente. A cada livro concluído, repasso a uma criança, geralmente meu filho Pedro, de sete anos, como já fiz com minhas filhas no passado. Se ele gosta, mando para uma editora avaliar. Se a receptividade não for boa, revejo o que pode ter desagradado”, acrescenta Alexandre, lembrando que os pequenos são leitores sérios, apesar de encararem os livros como uma brincadeira. “Eles são muito honestos: gostam ou não gostam e ponto final”, reforça.
Alexandre mudou-se para Ribeirão Preto por causa de um convite para lecionar literatura. Tendo como alunos estudantes do Ensino Médio, acompanhou as transformações das crianças e dos jovens modernos de perto, utilizando a experiência em sala de aula também como fonte de inspiração. O escritor tem na gaveta um romance juvenil, a primeira experiência para o público adolescente. “Espero lançar a obra em breve”, antecipa. Também devem chegar às livrarias entre 2011 e 2012 os infantis “Bicho-do-Mato e Outros Bichos”, “Tem”, “O Colecionador de Infinitos”, “Mora Pegou Catapora” e Poeminhas Musicais”, escrito com o reforço do filho caçula.
Os mais de 1.400 votos obtidos na internet para ser o autor da terra homenageado da 12ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto foram recebidos com orgulho e surpresa. “Quero agradecer aos organizadores, por terem colocado meu nome entre os autores locais, e a todos os amigos, alunos e leitores que votaram”, afirma Alexandre, que já acompanha o evento literário de perto. “Tive a oportunidade de participar de alguns Salões de Ideias, de bate-papos com outros autores que admiro. A Feira tem uma função importante no surgimento de novos leitores e na desmitificação dos livros”, avalia o escritor.
A 12ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto já tem data para acontecer. O evento está marcado para os dias 24 de maio e 3 de junho de 2012 e deverá, mais uma vez, reunir literatura, música, dança, teatro, cinema, encontros, palestras e bate-papos interessantes. Este ano, mais de 523 mil visitantes compareceram às praças Carlos Gomes, XV de Novembro e no interior e na esplanada do Theatro Pedro II, no Centro da Cidade. A programação para 2012 deve ser ainda mais variada e completa.
Texto: Luiza Meirelles
Fotos: Carolina Alves
*Publicada em 08/07/2011
Confira também o vídeo dessa matéria com depoimento dos homenageados: