As quatro ecologias
As quatro ecologias, segundo Boff, são os desafios ecológicos do fim do milênio
Uma figura carismática e serena, com um par de óculos pendurados entre fios brancos de barba e cabelo, subiu ao palco do Theatro Pedro II nesta segunda-feira, dia 28, para palestrar sobre a espiritualidade, os desafios ecológicos do fim do milênio e os rumos da sociedade.
Durante a conferência, realizada pela 12ª Feira Nacional do Livro, Leonardo Boff falou sobre as Quatro Ecologias: Ecologia Ambiental; Ecologia Social; Ecologia Mental e Ecologia Integral e também sobre suas expectativas para o Rio+20, que acontecerá de 13 a 22 de junho no rio de Janeiro, onde autoridades de todo o mundo discutirão propostas de desenvolvimento sustentável.
Para que os problemas da “Mãe-Terra”, como faz referência, possam ser solucionados, Boff afirma que a sociedade deve ser economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta, promovendo o desenvolvimento e não um crescimento desmedido. “Não devemos criar um plano único para o mundo todo. Pois, para cada ecossistema existe um tipo de tecnologia”, afirmou.
Segundo o teólogo, a “Mãe-Terra” é um ser vivo e cada ser humano está interligado a ela. Assim, o que acontece de mau ao planeta, acontece também a seus habitantes. “O bem-estar não pode ser só social, tem de ser também sociocósmico”, disse o escritor.
O espírito de competição, disseminado na sociedade contemporânea, na opinião de Boff, deve ser substituído pelo espírito de cooperação e a maior força para a mudança, deve sair do coração. “A maior crise vivenciada na atualidade é a de sensibilidade. Nós somos cruéis. A ‘Economia Verde’ quer colocar preço no que é de posse comum. Água potável e sementes são bens da Terra, não deveriam ser comercializados, mas compartilhados”, finalizou.
Vida e Obra
Descendente de italianos, o catarinense de Concórdia, Leonardo Boff, professor de Teologia e Espiritualidade em diversos centros de estudo e universidades, desenvolveu, ao longo de sua carreira, teses ligadas à Teoria da Libertação - publicadas no livro “Igreja: Carisma e Poder”.
Pelos estudos realizados a partir desta teoria, em 1985, Boff foi condenado a um ano de “silêncio obsequioso” e deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo da religião. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano, a pena imposta ao padre foi suspensa em 1986, ano em que pode retomar algumas de suas atividades. Em 1992, tendo sofrido novamente com as pressões de Roma, Leonardo Boff renunciou à batina em detrimento da vida acadêmica.Hoje, Leonardo Boff é autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Ecologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística. A maioria de sua obra está traduzida nos principais idiomas modernos.
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Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação