Atividade constante
Hospitais da cidade se reorganizam em meio à crise do novo coronavírus para dar continuidade aos atendimentos em diferentes especialidades
Diante de uma doença ainda desconhecida e dos números crescentes de casos confirmados, o sistema de saúde teve de concentrar esforços para combater a Covid-19. No entanto, a demanda por atendimentos relacionados a outras patologias — envolvendo consultas, exames, tratamentos e cirurgias — continua, independente da pandemia. Confira, a seguir, como os hospitais da cidade têm lidado com o desafio de gerenciar a infraestrutura, os recursos e as equipes para atuar nessas duas frentes com segurança.
GRUPO SÃO LUCAS
Com três unidades em Ribeirão Preto, o Grupo São Lucas destinou uma delas, o Hospital Ribeirânia, exclusivamente para o atendimento de casos suspeitos e confirmados de Covid-19. “Com a segmentação, o Ribeirânia se tornou referência no tratamento dessa doença, com um número expressivo de altas hospitalares”, revela o presidente do Grupo, Dr. Pedro Palocci. Isentos de pacientes internados com o novo coronavírus, o Hospital São Lucas e o Hospital Especializado seguem com a rotina normal de consultas e de procedimentos em todas as especialidades, como Cardiologia, Gastroenterologia, Neurologia, Ortopedia e Traumatologia, Oncologia, Pediatria e Pneumologia, entre outras, inclusive com a realização de cirurgias de média e de alta complexidade. “Mesmo com a pandemia, a população de Ribeirão Preto e região precisa, diariamente, dos serviços prestados por centros de excelência e tecnologia em saúde como os nossos. O cuidado com os pacientes não pode esperar a situação ser normalizada. Temos a obrigação de dar continuidade para esses atendimentos com a segurança necessária”, pontua Dr. Pedro.
O Hospital São Lucas, por exemplo, disponibiliza uma das mais modernas e inovadoras técnicas cirúrgicas da atualidade, a Cirurgia Robótica, presente em poucos centros hospitalares do Brasil. “Os pacientes não devem adiar as cirurgias. Juntamente com o ambiente preservado e do uso dos Equipamentos de Proteção (EPIs), implementamos processos que favorecem a proteção, tanto no ato cirúrgico, quanto na recuperação durante o pós-operatório”, ressalta.
HOSPITAL UNIMED
Segundo Dr. Gustavo Ribeiro de Oliveira, presidente da Unimed Ribeirão Preto, o Hospital Unimed tem realizado os serviços de rotina, como cirurgias, exames e outros procedimentos eletivos em diversas especialidades, ao mesmo tempo em que presta um atendimento completo aos pacientes com sintomas respiratórios. “Isso é possível graças a um conjunto de fatores que inclui a infraestrutura inovadora, o uso de tecnologia de ponta, os protocolos sempre atualizados, um corpo clínico altamente capacitado e uma equipe com uma postura humanizada. Essa excelência posicionou o Hospital Unimed como um centro médico de referência em Ribeirão Preto e região. Nosso compromisso é proporcionar conforto, qualidade e segurança aos pacientes que precisam de assistência médica, em qualquer que seja a circunstância”, enfatiza.
Algumas adaptações foram necessárias para que a unidade se adequasse à demanda atual. Além das medidas de fluxo de atendimento, com a criação de áreas isoladas e de acessos independentes, o hospital também optou por montar equipes distintas, sem rodízio entre os setores. “Todas as regras de higienização são rigorosamente seguidas, com a constante limpeza dos equipamentos e das superfícies. As cirurgias são realizadas em áreas dedicadas para pacientes sem sintomas respiratórios, com profissionais com os equipamentos de proteção, de acordo com as normas mais exigentes”, explica Dr. Gustavo.
GRUPO SÃO FRANCISCO
O Grupo São Francisco — que faz parte do sistema Hapvida — segue as regras e as diretrizes da Agência Nacional de Saúde (ANS) quanto ao atendimento aos pacientes e à realização de cirurgias, adotando todos os protocolos indicados para preservar a segurança de colaboradores e beneficiários. O Hospital São Francisco mantém, desde o início da pandemia, uma ala de atendimento e de internação (se necessária) exclusiva para casos suspeitos de Covid-19. Assim, não há o contato de quem apresenta esse quadro com os pacientes que precisam de assistência em outras áreas. “Como a recomendação do Ministério da Saúde é que a população só procure o hospital em situações de urgência, para evitar qualquer risco de contágio, verificamos uma diminuição em cerca de 40% no volume de atendimentos a pacientes sem sintomas de Covid-19 em nossos Pronto Atendimentos (PAs)”, revela Dr. Anderson Nascimento, superintendente Nacional de Rede Própria do Sistema Hapvida.
A teleconsulta, disponível todos os dias, 24h, é um dos fatores que contribui, de forma significativa, para essa redução. “Mobilizamos nossos esforços para oferecer um serviço de teleconsulta com máxima qualidade. Essa ferramenta nos permite promover mais conforto e segurança ao beneficiário que, de casa, pode ter acesso a consulta médica, avaliação de sintomas e, se necessário, receita médica e atestado”, completa o superintendente. Para ter acesso ao sistema, o beneficiário só precisa entrar no site do Grupo.
NOVA BENE
A NOVA BENE implementou um plano de contingência para achatar a curva de disseminação do novo coronavírus que resultou na suspensão, temporária, dos atendimentos ambulatoriais e das cirurgias eletivas. Esses procedimentos são realizados, somente, em caráter de urgência e de retornos cirúrgicos. “Gerenciar os processos de um hospital em dias normais já é uma tarefa complexa, mas, fazê-lo em tempos de pandemia é ainda mais desafiador. Para que todos os setores continuem funcionando adequadamente, sem que seja necessário abrir mão de aspectos importantes como a qualidade do atendimento prestado, o abastecimento de suprimentos e a saúde dos pacientes, dos médicos e dos demais colaboradores, entre outros, tivemos de nos reestruturar e desenvolver uma conduta emergencial eficiente”, explica Simone Gimenes, gerente operacional da NOVA BENE. O Pronto Atendimento 24h permanece ativo. O espaço foi, inclusive, ampliado recentemente para receber os pacientes com mais segurança. A instituição criou, ainda, protocolos específicos, definiu fluxos diferenciados para evitar aglomerações e montou uma cartilha de uso de EPI’s. “O monitoramento acontece semanalmente, para alinharmos o que está pendente e para percebemos qualquer desvio do que foi estabelecido. Os profissionais que atuam aqui estão devidamente preparados para avaliar as queixas de cada paciente que nos procura, identificando a real necessidade de uma internação ou de um tratamento de maior complexidade”, finaliza.
SANTA CASA DE RIBEIRÃO PRETO
A partir da observação dos casos notificados na Europa, em fevereiro, a Santa Casa de Ribeirão Preto reuniu a direção técnica e os profissionais do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) para estabelecer um protocolo interno de enfrentamento e um plano de contingenciamento da infecção pelo novo coronavírus. Diversas medidas foram tomadas no sentido de frear a disseminação, entre elas a redução da agenda de atendimentos ambulatoriais. “Mesmo com a diminuição no fluxo do hospital, nós nos organizamos para manter a atenção aos pacientes portadores de outras patologias além da Covid-19. São casos crônicos ou graves, que não podem permanecer sem o devido acompanhamento e tratamento. A pandemia, de fato, põe em teste todos os limites de todas as equipes. Contudo, reunindo força de vontade e capacidade de trabalho, estamos conseguindo superar essa fase”, comenta Dr. Augusto Marcussi Degiovani (CREMESP: 156.618), assistente da diretoria técnica da Santa Casa de Ribeirão Preto. Para que os atendimentos ocorram de forma segura, o hospital adequou setores e mudou alas. As equipes passam por treinamentos constantes e contam com EPIs e com Equipamento de Proteção Coletiva (EPC), de acordo com a função desempenhada e com o grau de exigência dos órgãos sanitários. “Antes de realizarmos qualquer procedimento, os pacientes são submetidos a uma triagem clínica completa na busca ativa de sintomas gripais”, acrescenta Dr. Augusto. As cirurgias eletivas, que também estão limitadas, são progressivamente flexibilizadas conforme a ocupação de leitos nas áreas reservadas a quadros não relacionados à Covid-19.
HOSPITAL DAS CLÍNICAS
O professor doutor Antônio Pazin Filho, diretor do Departamento de Atenção à Saúde do Hospital das Clínicas (HC) de Ribeirão Preto, destaca a preocupação da instituição em encontrar formas de minimizar os prejuízos causados aos pacientes que não foram infectados pelo novo coronavírus, mas que têm outros problemas de saúde já em tratamento na instituição ou que precisam ser referenciados para tratamento. “A vinda ao hospital, neste período de pandemia, não é aconselhável, já que as aglomerações devem ser evitadas. Ainda mais se o paciente possui comorbidades que o colocam no grupo de risco para desenvolver formas mais graves da doença. Por isso, tivemos que classificar os quadros e priorizar os que são realmente críticos, em que a falta do acompanhamento ou de intervenção representa uma ameaça maior do que o vírus. A quantidade de consultas, de cirurgias e de tratamentos imunossupressores foi reduzida para que pudéssemos ajustar nossa estrutura, recursos e equipes à alta demanda gerada pela Covid-19”, descreve o diretor.
A princípio, o HC liberou apenas 30% da agenda, mas esse número vem crescendo gradativamente. Todos os que precisam ir à unidade passam por uma triagem na entrada e, caso apresentem sintomas suspeitos, são encaminhados para uma área separada. “Temos feito tudo o que é possível. Infelizmente, devido às circunstâncias, alguns tratamentos foram postergados, mas oferecemos ferramentas para que o paciente esteja sempre bem amparado, como o aplicativo 'Nosso HC Ribeirão' e a teleorientação. Dos 85 mil pacientes em segmento no hospital, 40% já receberam essa ligação para checar o estado de saúde, os exames e as medicações”, declara. Vale lembrar que esse serviço não é cobrado e também não é solicitado nenhum tipo de doação.