Aumento de imposto
Governo aumenta imposto sobre produtos industrializados para veículos importados
O Ministro da Fazenda Guido Mantega anunciou, na quinta-feira, 15 de setembro, o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para todas as modalidades de automóveis e caminhões importados. Com o argumento de que o Brasil sofre assédio da indústria mundial e que corre o risco de exportar empregos, Mantega elevou as taxas em 30 pontos percentuais para veículos produzidos no exterior ou que sejam montados no Brasil, mas que não atendam a critérios mínimos de conteúdo nacional: destinar 0,5% de sua receita para pesquisa e desenvolvimento; ter, na média de todos seus veículos comercializados, 65% de nacionalização (60% no caso de automóveis argentinos e mexicanos); e cumprir compromissos (não detalhados) no processo de produção.
Quem alcançar os três objetivos está livre do aumento do IPI nos carros nacionais ou trazidos do México e do Mercosul. Quem não atingir uma das premissas terá o aumento do imposto inclusive sobre os nacionais, argentinos e mexicanos. Carros trazidos de outros países sempre terão o IPI elevado em 30 pontos percentuais. Todos os fabricantes ou importadoras terão 45 dias, a partir do anúncio de Mantega, para apresentar medidas de cumprimento das novas regras. As importadoras, por não terem fábrica no Brasil, estarão automaticamente penalizadas.
Atualmente, o IPI é cobrado da seguinte maneira: 7% para veículos com motor de até 1 litro, 11% para veículos de 1 a 2 litros bicombustíveis, 13% para aqueles de 1 a 2 litros a gasolina, 18% para carros Flex acima de 2 litros e 25% para veículos acima de 2 litros a gasolina. Com a mudança, os carros que não se enquadrarem passarão a recolher 37% (1 litro), 41% (de 1 a 2 flex), 43% (de 1 a 2 a gasolina ou diesel), 48% (acima de 2 flex) e 55% (acima de 2 a gasolina ou diesel).
De acordo com empresários do ramo, ainda é cedo para falar sobre a nova medida. “O mercado precisa se adaptar a essas mudanças”, afirma Dado Guião, diretor da Santa Emília Automóveis, que revende as marcas Fiat, Citroën, Renault, Toyota e Volkswagen. Nas três primeiras, não haverá mudança alguma, pois são carros fabricados no Brasil. Na Toyota, somente o modelo RAV4, que vem do Japão, terá incidência de IPI maior. Na Volkswagen, há uma linha maior de importados: Touareg, Passat e Tiguan. “O mercado de importados agora espera novas notícias, pois haverá uma pressão para explicações da decisão, conduzida pelas instituições que representam o setor de importados junto ao governo brasileiro. Não será algo fácil a reversão ou diminuição dos encargos e, ocorrendo da forma que está, sem nenhuma alteração, certamente haverá impactos negativos sobre a demanda em diversos modelos fabricados fora do país”, avalia Eliéser Fraga, diretor da Kia Matriz, revendedora da Kia Motors, marca importada da Coreia do Sul.
Dado acredita que as vendas da Santa Emília não sofrerão dano, pelo contrário. “Na realidade, hoje o volume de vendas de importados é significativo, mas não semelhante ao de uma capital, como São Paulo, que tem dependência desses carros. Para as montadoras que representamos, acredito que o problema será muito pequeno, pois compensaremos com a procura por outros modelos, os nacionais, que representam 90% de nossas vendas e que não tiveram aumento do IPI. Acredito que até aumentaremos a venda deles”, espera o empresário.
Para consumidores com interesse em adquirir veículos importados, as concessionárias ainda oferecem unidades sem aumento do IPI. Segundo Guilherme Passalacqua, diretor de operações do Grupo Eurobike, que revende as marcas Audi, BMW, Land Rover, Volvo, Porsche e Mini Cooper, a procura aumentou nos últimos dias. “Sabendo do aumento dos preços, os clientes estão aproveitando para fazer ótimos negócios nos veículos que ainda estão no showroom, sem a incidência do imposto”, comenta. “O mercado ainda tem estoque desses produtos. O que deve acontecer é uma corrida às concessionárias nos próximos dias. Nosso movimento já deve ter aumentado em torno de 30% para esses produtos importados, ainda nos valores anteriores”, completa Dado.
De acordo com Eliéser, o consumidor deve decidir com rapidez sua compra. “Temos produtos em estoque com preços que antecedem à decisão do governo, portanto, quem estava planejando no médio prazo a troca de carro, terá que decidir no curto prazo pelo modelo da sua preferência, enquanto durarem os nossos estoques com IPI antigo”, frisa ele. Segundo Dado, somente quando os estoques praticamente zerarem, o setor saberá com exatidão o que vai acontecer. “Muito provavelmente, as montadoras vão negociar com seus países de origem um desconto, uma condição diferente, ao menos para não repassar este IPI inteiro para o consumidor final”, aposta o diretor.
Texto: Marina Rezende
Fotos: Carolina Alves e arquivo