Avanço terapêutico
Drogas quimioterápicas e hormonais menos tóxicas, aliadas a modernos equipamentos contribuem para o tratamento do câncer de mama de forma integral e mais eficiente
Estudos indicam que, a cada oito mulheres, uma terá câncer de mama até o final da vida. A maior eficiência nos tratamentos também é real, devido aos avanços tecnológicos da área. Atualmente, sete em cada dez mulheres que passam pelo tratamento são curadas. A produção de drogas quimioterápicas e hormonais mais eficientes e menos tóxicas permitiu a criação da oncologia personalizada, que leva em consideração a individualidade e a genética de cada paciente, identificando o perfil genético-molecular do tumor.
Dessa forma, o médico pode recorrer às melhores opções terapêuticas para cada caso, envolvendo uma equipe médica multidisciplinar. O mastologista Luis Carlos Sousa Pereira (CRM: 34.739) explica que o tratamento de câncer de mama é amplo e envolve quimioterapia, cirurgia, radioterapia, comprimido de bloqueador hormonal, entre outras ferramentas. Outra opção é a “vacina” do trastuzumab, um medicamento à base de anticorpos monoclonais, que age diretamente sobre a célula cancerígena, sendo eficaz contra alguns tipos de tumores. “Quando a mama é retirada, as mulheres têm o direito à reconstrução imediata ou tardia”, reforça o mastologista.
A terapia pode começar pela cirurgia ou pela quimioterapia seguida de cirurgia. Já a radioterapia da mama é importante para a cura do tumor. Normalmente, esse procedimento é realizado após a cirurgia ou a quimioterapia, sendo a última etapa antes do comprimido de bloqueador hormonal, que precisa ser ingerido por até dez anos em alguns casos. Em outros, as pacientes recorrem ao trastuzumab por cerca de um ano.
No Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, o Serviço de Radioterapia envolve atenção oncológica multidisciplinar, por meio de uma equipe de 32 pessoas, entre médicos, físicos, enfermeiros, técnicos, assistente social, psicólogo, nutricionista e apoio administrativo. “Temos um conjunto de processos que promovem atenção integrada e permite maior eficácia e resultados”, observa Harley Francisco de Oliveira (CRM: 108.563), coordenador do setor e docente da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.
O setor conta com dois aceleradores lineares modernos, capazes de realizar a radioterapia de intensidade modulada (IMRT), a radiocirurgia, os tratamentos estereotáxicos, além do atendimento de braquiterapia, que implanta sementes radioativas nos locais a serem tratados. “Estamos em fase de implantação dos tratamentos guiados por marcadores metálicos e braquiterapia de próstata. Em 2016, instalaremos mais um aparelho,” antecipa o coordenador.
Atualmente, sete em cada dez mulheres que passam pelo tratamento são curadas
A Radioterapia do HC atende a 150 pessoas por dia, ultrapassando 4.500 pessoas em tratamento por ano. A evolução técnica da terapia reduziu as queimaduras de pele, já que o procedimento é mais preciso e com menores efeitos colaterais. De acordo com a orientação atual, a mulher em tratamento por radioterapia deve manter os hábitos de vida normais. “Outra importante evolução é o tratamento mais rápido, em alguns casos. Assim, podemos diminuir o número de sessões em duas semanas”, aponta Harley.
Apoio essencial
Em pleno tratamento, a dona de casa Adriana Toshie Kawabata Onuki não se abateu ao receber o diagnóstico de câncer de mama. O apoio do marido e das filhas, Elisa e Sofia, foi crucial para enfrentar todas as etapas do tratamento. Depois da cirurgia, realizada no dia 4 de setembro, Adriana iniciou a radioterapia — são entre 28 e 33 sessões, de acordo com a avaliação clínica. Adriana, que mantém os exames de rotina em dia, explica que a ginecologista suspeitou de algumas microcalcificações no seio e a encaminhou ao mastologista, que a acompanhou por quase um ano. Nesse período, a investigação foi aprofundada, identificando um sombreamento atrás de um dos nódulos. Por meio da biópsia, foi identificado um tumor de 1,5 cm, retirado na cirurgia, preservando a mama. Adriana ressalta que o apoio familiar e também o amparo recebido pelos médicos foram importantes para enfrentar o problema, superar os medos e as dúvidas em relação à doença e seu processo curativo. “Nunca tivemos caso de câncer na família e, a princípio, fiquei meio assustada. Aos poucos, os médicos foram me passando segurança e me deixando tranquila e esclarecida em relação a todos os passos da terapia. Isso fez toda a diferença”, reforça Adriana.
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Como são os tratamentos de câncer
Cirurgia - É o principal tratamento para o câncer. Quando indicada, sua finalidade é remover o tumor cancerígeno em sua totalidade com intenção de que não volte mais. Deve ser realizada sempre sob anestesia que pode ser local, na espinha (ráqui) ou geral. É indicada para alguns tipos de tumor, em especial, na fase inicial ou naqueles que não respondam a outros tratamentos como radioterapia ou quimioterapia.
A paciente deve ter alguns cuidados durante o tratamento, como manter uma alimentação; repouso; obedecer às medicações orientadas pelo médico; não fumar ou beber; e manter a higiene e limpeza das feridas cirúrgicas com curativos adequados, são essenciais para uma rápida cicatrização e boa recuperação.
Em relação aos efeitos colaterais vai depender do tipo de cirurgia realizada e do órgão operado. Em geral, um sintoma comum a todas as cirurgias é a dor do pós-operatório, geralmente na região operada e nas cicatrizes. Outros sintomas podem ser: falta de apetite, dor para caminhar ou fazer esforço, alteração do hábito intestinal, pneumonia, febre, perda de peso, infecção das feridas (quando houver), infecção dos pulmões e trombose nas veias da perna.
Estes incômodos podem ser amenizados seguindo adequadamente as orientações médicas, limpeza das feridas, curativos adequados, alimentação adequada, uso de antibióticos quando indicado, uso de remédios para combate à dor, não fumar, não beber, repouso. Além disso, a paciente deve se hidratar, fazer fisioterapia em algumas situações e manter interação social com a família e amigos, isso é essencial para prevenir problemas e se restabelecer rapidamente.
Radioterapia – É o uso terapêutico da radiação para o tratamento de alguma enfermidade. Existem três modalidades clínicas utilizadas:
1) Injeção de radioisótopos na corrente sanguínea (como em alguns casos de câncer de tireoide);
2) Braquiterapia, em que fontes radioativas na forma de aplicadores especiais - agulhas, sementes ou fios - são colocadas em contato direto com o local onde se deseja empregar a radiação. Exemplos comuns são os implantes utilizados no tratamento dos tumores ginecológicos e da próstata, entre outros;
3) Teleterapia, ou radioterapia com feixe externo, que é a modalidade mais difundida. A fonte irradiante se posiciona externamente ao paciente, a certa distância dele, podendo-se utilizar de diversas máquinas, como o gerador convencional de raios-X, a unidade de Co-60 e, mais comumente, os aceleradores lineares.
Atualmente é utilizada tanto em doenças benignas quanto malignas, de forma exclusiva ou associada à cirurgia e à quimioterapia. Nos últimos anos, a radioterapia tornou-se imprescindível a quase 2/3 dos pacientes portadores de câncer maligno em algum momento do curso da doença. Essa ação pode resultar na eliminação do tumor, uma melhora na qualidade de vida e aumento das taxas de sobrevida do paciente.
Os cuidados são voltados para a diminuição dos sintomas do paciente, como por exemplo, medicamentos para náusea, vômitos, diarreia, dor, etc. De uma forma geral, deve-se evitar a exposição solar do local irradiado durante e logo após o tratamento. Além disso, cuidados especiais com a pele podem ser tomados, como o uso de produtos à base de aloe vera ou camomila, lembrando sempre que se deve fazer a retirada do excesso destas substâncias antes de cada sessão de radioterapia. Manter o local limpo durante o tratamento é outra dica interessante.
Os efeitos colaterais da radioterapia se relacionam aos órgãos que estão sendo tratados, uma vez que os efeitos da radiação são locais, ou seja, diferente da quimioterapia, que possui efeitos sistêmicos (corpo todo). De modo geral, a pele irradiada pode ficar avermelhada e coçar ou arder, podendo evoluir para bolhas e descamação. Dependendo da região tratada, podem surgir: dor, náusea, vômito, diarreia, falta de apetite, cansaço, ardência urinária, etc.
Dicas gerais para amenizar estes sintomas: manter uma alimentação equilibrada durante o tratamento, bem como vigorosa hidratação; hábitos de vida saudáveis são sempre bem-vindos, como uma atividade física leve. Além disso, existem medicações e produtos específicos que podem ser orientados pelo seu médico durante e após o tratamento, ressaltando a importância de se evitar a automedicação.
Quimioterapia – O quimioterápico usado na quimioterapia consiste em uma substância química que tem a capacidade de matar as células do câncer. A quimioterapia pode ser usada na forma de um medicamento misturado ao soro e então injetado na veia do paciente, ou em forma de comprimidos que são engolidos pelo paciente diariamente. Muitas vezes são utilizados mais de um tipo de quimioterápico para uma mesma quimioterapia. Isso é o que os médicos chamam de protocolo de tratamento. O protocolo vai dizer a quantidade de quimioterápico que deve ser usado, como eles devem ser combinados e em que momento devem ser aplicados.
Nem todo paciente que tem câncer precisa receber quimioterapia. Muitos tipos de câncer são curados apenas com cirurgia ou radioterapia. Entretanto, quando o câncer é diagnosticado, vários fatores são analisados pelo oncologista para traçar um plano de tratamento que pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia, sozinhas ou em combinação. Quando existe um maior risco da doença voltar depois da cirurgia, pode ser necessário completar o tratamento com quimioterapia. Isso é chamado de quimioterapia adjuvante. Algumas vezes essa quimioterapia é realizada antes mesmo da cirurgia para melhorar os resultados, o que chamamos de quimioterapia neoadjuvante. Em alguns casos a doença é diagnosticada quando a cura não é mais possível, no entanto, podemos frear o avanço da doença com a quimioterapia e assim aumentar o tempo de vida do paciente. Neste caso, chamamos de quimioterapia paliativa.
Durante o tratamento, o principal cuidado é seguir estritamente as orientações do médico. De maneira geral, é importante que o paciente mantenha uma alimentação saudável e evite alimentos que tenham uma difícil digestão. Também é importante que o paciente beba água suficiente, principalmente em dias quentes e secos. É recomendável andar sempre com uma garrafa de água e beber pelo menos 200 ml a cada hora ou uma hora e meia. Caso tenha febre durante o tratamento, nunca deixe de procurar o médico dentro das 24 horas do início da febre.
Apesar de apresentar cores diferentes quando vistas pelo paciente, não é a cor que determina o efeito do quimioterápico e, portanto, ele pode ter efeitos diversos a depender do paciente que está recebendo a medicação. Isso depende muito das propriedades de cada medicamento. Entretanto, os efeitos colaterais mais encontrados são queda de cabelo, enjoos, vômitos, aftas, diarreia, perda do apetite, fraqueza, dor no corpo e febre com baixa da imunidade. Dependendo do quimioterápico usado, alguns desses efeitos podem ser mais fortes do que o outro ou até podem não existir para alguns pacientes.
Após o início do tratamento o médico perceberá como o paciente o tolerou e saberá usar medicações para amenizar os efeitos colaterais. Tentar manter a rotina de vida evitando esforços físicos exagerados pode ajudar a manter o bem-estar durante o tratamento. Realizar uma atividade física leve, pelo menos três vezes por semana sob orientação médica, tem se mostrado benéfico em alguns tipos de câncer. Nunca se esqueça de tirar todas as dúvidas sobre a doença com o médico. Isso ajuda a entender o que vem pela frente e contribui muito para a segurança e o bem-estar durante o tratamento.
Hormonioterapia - É uma das formas também utilizadas para tratar pessoas com câncer. O corpo humano é feito de trilhões de células e todas elas trabalham juntas para manter a vida do corpo. Entretanto, elas precisam se comunicar para que tudo isso ocorra da melhor forma possível. Isso é feito através de substâncias naturais chamadas de hormônios. Muitos cânceres surgem em locais que são estimulados normalmente por estes hormônios, como a mama e a próstata. Mas as células do câncer usam estes hormônios para estimular o seu crescimento e avanço. A hormonioterapia é um tratamento que utiliza remédios para bloquear a ação desses hormônios e evitar que eles estimulem as células do câncer a crescer. Pode ser ministrada em comprimidos ou através de injeções debaixo da pele.
A hormonioterapia é principalmente usada no tratamento do câncer de mama e da próstata. Nestes cânceres, o tratamento pretende bloquear os efeitos dos hormônios masculinos (como a testosterona) no homem e os hormônios femininos (como o estrogênio) na mulher. Em muitos protocolos de tratamento, a hormonioterapia completa o benefício proveniente da cirurgia e/ou radioterapia, alcançando melhores resultados para o paciente. Assim como na quimioterapia, o tipo de hormonioterapia e o momento do seu uso dependerá de diversos fatores relacionados ao tumor, idade do paciente e risco de efeitos colaterais. Ela pode ser usada em um protocolo de tratamento com intenção de curar ou até mesmo para evitar o avanço da doença, quando a cura não é mais possível.
Durante o tratamento o principal cuidado é seguir estritamente as orientações do médico. Ele conhece os efeitos bons e ruins esperados para aquele tratamento e pode alertar o paciente sobre possíveis efeitos colaterais e o que fazer caso os tenha. De maneira geral, é importante que o paciente use a dosagem certa prescrita pelo médico e mantenha a regularidade do uso. Doses em horários errados podem mudar a quantidade do remédio que deveria estar no organismo e afetar o seu adequado efeito ou até mesmo gerar mais efeitos colaterais.
Como o objetivo da hormonioterapia é eliminar o efeito de determinado hormônio no organismo, a falta deste poderá acarretar o mau funcionamento dos locais do corpo que estão saudáveis. Com isso, podem surgir sintomas adversos pela falta desses hormônios. Os mais comuns são os fogachos (ondas de calor no corpo), impotência sexual, ressecamento vaginal, perda do desejo sexual, alterações dos níveis das gorduras do sangue, ganho de peso e maior risco de entupimento das veias das pernas (trombose).
Após o início do tratamento o médico perceberá como o paciente o tolerou e saberá usar medicações para amenizar os efeitos colaterais. Tentar manter a rotina de vida evitando esforços físicos exagerados pode ajudar a manter o bem-estar durante o tratamento. Realizar uma atividade física leve, pelo menos três vezes por semana sob orientação médica, tem se mostrado benéfico em alguns tipos de câncer.
Nunca se esqueça de tirar todas as dúvidas com o médico sobre a doença. Isso ajuda no entendimento do que vem pela frente e contribui muito para a segurança e o bem-estar durante o tratamento. Apesar dessas medicações alterarem a vida sexual, isso não significa que está contraindicado manter a prática sexual durante o tratamento. Pelo contrário, manter a vida sexual ativa auxilia na autoestima e ajuda a superar os desafios do tratamento.
*Fonte – Hospital de Câncer de Barretos