Barrinha ainda cobra taxa única de água
Independente da quantidade de água consumida, moradores pagam taxa única de R$ 21,13; prefeito prevê dificuldades financeiras para próxima gestão
Um impasse entre Executivo e Legislativo da cidade de Barrinha tem empacado o desenvolvimento de projetos relacionados ao serviço de distribuição de água.
Em plena crise hídrica, a maioria das residências de Barrinha ainda não tem hidrômetros instalados e nas que possuem o medidor, segundo relatos de moradores, não é feita a leitura.
Os moradores pagam atualmente uma taxa única de R$ 21,13, independente da quantidade de água consumida por residência.
Mituo Takahasi (Katiá), prefeito de Barrinha, afirma que a situação é incomoda para a administração da cidade e injusta com parte dos moradores. “Um casal que economiza água paga o mesmo valor que um morador que mora com a esposa e os filhos e tem uma horta com irrigação no quintal, ou ainda o mesmo valor que um comerciante”, explica.
O prefeito informa que enviou um Projeto de Lei à Câmara em outubro do ano passado, que previa um reajuste de aproximadamente R$ 10 na conta de água, além da obrigatoriedade de instalação de hidrômetros para medir o consumo individual de água. No entanto, o projeto foi rejeitado. Sete vereadores votaram contra e dois se abstiveram.
Luciano Takeda (PRB), único vereador a votar favorável, afirma que o projeto do prefeito contém medidas coerentes para resolver a situação da cidade. “O projeto previa que cada residência pagasse a taxa mínima de R$ 30 pela utilização de 30 metros cúbicos mensais de água. Ao ultrapassar este volume, seria cobrado um acréscimo”, explica Takeda. (Veja tabela abaixo).
O Projeto de Lei previa que os hidrômetros deveriam ser instalados pelos contribuintes de unidades residenciais, comerciais e industriais, até o dia 30 de junho. Após esta data, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Barrinha (SAAEB) instalaria os hidrômetros e o proprietário do imóvel seria multado em R$ 300.
Contrários
O vereador Valter Gomes da Fonseca, o Valtinho Beleza (PR), alega que o reajuste proposto pelo chefe do Executivo foi abusivo e lesaria os moradores de Barrinha. “Em 2009 foi promulgada a Lei Complementar nº 2.022, do prefeito Said Ibraim Saleh. A lei prevê que o Executivo está autorizado a implantar hidrômetros em casas com piscina, edículas com piscina e lavadores de veículos. Não há a necessidade de aprovarmos mais uma lei para a implantação”, justifica.
O vereador Aparecido de Souza afirma que também deu parecer contrário ao projeto enviado pelo Executivo, pois a cidade precisa de mais investimento no setor de abastecimento e saneamento. “Pouco se tem investido para sanar problemas com a falta de água, que tem sido constante em nossa cidade”, afirma.
Sem água
Há aproximadamente dois meses o Jardim José Bombonato enfrenta problemas no abastecimento de água. A Prefeitura alega que a bomba do poço artesiano que abastece a região queimou e durante a troca parte da peça caiu dentro do poço, desde então, uma equipe atua na manutenção.
Para manter o abastecimento da região, o SAAEB está desviando água de outro poço, no entanto, moradores alegam que a falta de água é constante. “Se o projeto fosse desmembrado eu votaria a favor das implantações dos hidrômetros da cidade”, completa Souza.
Contas
Segundo o Diretor Municipal da Fazenda de Barrinha, Rafael Mastrogelonamo, a Prefeitura investe cerca de R$ 150 mil no setor de água e esgoto. E aponta que a arrecadação com o pagamento da taxa de água não é o suficiente para arcar com os investimentos. “Arrecadamos um valor que varia de R$ 80 mil a R$ 105 mil por mês, resultando em prejuízo à Prefeitura”, explica o diretor da Fazenda. Ele conta que mesmo com o valor reduzido, há muita inadimplência.
Enquanto Executivo e Legislativo não se entendem, os moradores continuam a usar a água sem saber da quantidade e a pagar somente R$ 21,13 por mês. A maioria, sem preocupação com economia.
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Bruno Silva