Beleza em cena

Beleza em cena

Há quase 30 anos no comando da Ramavi Cosméticos, João Luiz Bignardi aproveitou as oportunidades, driblou as adversidades e expandiu a atuação dos negócios

Quando se fala em beleza, inevitavelmente, vem à mente uma boa relação com a autoestima. Os cosméticos, cada vez mais, ajudam nesse processo e cativam novos consumidores. O estudo “Cosméticos: a química da beleza”, de Fernando Galembeck e Yara Csordas, mostra que há evidências arqueológicas do uso de cosméticos para embelezamento e higiene pessoal desde 4000 anos antes de Cristo. Os egípcios foram os primeiros a pintar os olhos com sais de antimônio para evitar a contemplação direta do deus Ra, representado pelo sol. Ainda para garantir proteção à pele das altas temperaturas e da secura do clima desértico da região, eles recorriam à gordura animal e vegetal, cera de abelhas, mel e leite no preparo de cremes para a pele. O estudo ainda aponta que historiadores romanos deixaram relatos de que a rainha Cleópatra tinha o hábito de se banhar com leite, a fim de que os cabelos ficassem bem hidratados. 

A preocupação com a beleza ganhou mais força ao longo dos anos e, diferente de épocas anteriores, hoje, o mercado oferece uma gama de produtos aos clientes. Maquiagens, cremes, xampus, perfumes, produtos de higiene pessoal, entre outros, fazem parte da rotina de homens e mulheres. Em um mercado disputado, os estabelecimentos tentam oferecer variedade de itens, preços atrativos e diversas outras ações para conquistar os clientes. Nesse quesito, a Ramavi Cosméticos se destaca no ramo há 27 anos. A empresa possui um mix de produtos com quase 200 marcas e mais de 20 mil itens a preços convidativos. Atualmente, são 10 lojas localizadas nos principais corredores comerciais de Ribeirão Preto e de Sertãozinho. 

A empresa foi recém-homenageada na 17º Edição do Top of Mind Tribuna & Recall em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), com o troféu de primeiro lugar no quesito loja de cosméticos e maquiagem mais lembrada. Segundo o proprietário da loja, João Luiz Bignardi, a premiação alegra toda a equipe, em um momento de forte concorrência na cidade. “É preciso ser um bom observador, assim como bom ouvinte, pois somente dessa forma se consegue ter a percepção da oportunidade que o mercado está lhe oferecendo, porque um empreendedor nem sempre precisa ser ousado em criar algo novo, mas, sim, ter a capacidade de observar um excelente ponto comercial, uma forma diferente de negociar ou de oferecer produto ou serviço. Ousar não deixa de ser importante, mas é preciso ter cautela”, pontua o empresário, que, a seguir, discorre sobre o campo da estética e revela os segredos de sucesso para manter uma empresa ativa por um longo período.
O nome Ramavi foi criado através da junção das iniciais dos nomes dos filhos do empresário: Rafael, Matheus e Vinícius

Você sempre sonhou em ser empreendedor?

Nasci em Ribeirão Preto e trabalhei algum tempo como representante comercial de algumas marcas de cosméticos. Aos 40 anos, resolvi empreender e criei a Ramavi Cosméticos junto com minha esposa. Sempre sonhamos em nos tornar empreendedores, mas o projeto era para trabalharmos somente com o atacado. Vendo as oportunidades que o mercado ofereceu, o varejo acabou sendo a melhor opção.

A loja foi fundada em outubro de 1992. De lá para o cenário atual, como foi a resposta do público a esse tipo de negócio?

Era um cenário diferente de hoje e o fato de não termos um grande capital de giro dificultou, no começo. A resposta do público foi muito boa, pois, à época, só tinham lojas especializadas, como a nossa, no Centro, na Avenida da Saudade e no alto da cidade. Quando inauguramos a primeira loja no Jardim Paulista, conseguimos alcançar um grande público que ainda era carente desse tipo de negócio. Nesse período, já existiam outras quatro empresas do mesmo segmento, como a Perfumaria Helena, a Maison Cosméticos, a Cibele Perfumaria e a Perfumaria Amaury Calil.

Comparando o início dos negócios e a fase atual, que mudanças você destaca como mais importantes?

Naquela época, todos os processos eram manuais e, ao longo do tempo, surgiu a informatização, que mudou tudo, às vezes, facilitando e, em outras, complicando os processos tanto internos quanto externos. Em geral, melhorou muito, principalmente nesse quesito da informatização, que permite apresentar dados e números que direcionam o nosso trabalho até hoje.

De que forma vocês foram aprimorando o negócio?

O setor de beleza muda constantemente. Surgem novos produtos e tendências com frequência, por isso, toda a equipe está sempre atenta para seguir a demanda do mercado e conseguir atender às necessidades de nossos clientes.

Quais os diferenciais da sua empresa no mercado?

A loja sempre teve como um dos principais pilares o atendimento especializado ao cliente. Ao entrar nela, as pessoas não procuram apenas produtos, mas, sim, autoestima. Logo, nossa equipe precisa estar sempre pronta a ter os melhores produtos para cada cliente de acordo com as características e as necessidades individuais.

Qual a principal inovação implementada na empresa?

Nossa grande inovação foi perceber que poderíamos atender mais um nicho de clientes: os profissionais da beleza. Com isso, além de oferecer os produtos da forma como estávamos acostumados, passamos a prestar serviços e criamos, além das dez lojas, quatro salas de centros técnicos, sendo três em Ribeirão Preto e uma em Sertãozinho, para dar cursos de atualização e reciclagem para os profissionais da beleza, às segundas-feiras, e também cursos de automaquiagem para os consumidores finais, aos sábados. Hoje, nossas salas de centros técnicos são consideradas as melhores do interior paulista e atraem um grande público que busca especializações, tendências e, acima de tudo, interação com o seu mercado de atuação. Nossa atual inovação é vencer as barreiras da tradição, dos costumes e das gerações e nos inserir também no meio digital, pois sabemos que ali está o novo e mais promissor cenário de atuação, devido a todas as comodidades, segurança e praticidade que ele tem a oferecer.

Qual foi o maior desafio encontrado, até hoje, como empreendedor?

Durante esses anos, o Brasil passou por algumas crises e adaptar nosso negócio às diferentes épocas da economia sempre foi — e ainda é — um grande desafio.

O que é necessário fazer para empreender?

Acima de tudo, é preciso ser um bom observador, assim como bom ouvinte, pois somente dessa forma se consegue ter a percepção da oportunidade que o mercado está lhe oferecendo, porque um empreendedor nem sempre precisa ser ousado em criar algo novo, mas, sim, ter a capacidade de observar um excelente ponto comercial, uma forma diferente de negociar ou de oferecer produto ou serviço. Ousar não deixa de ser importante, mas é preciso ter cautela.

O sucesso depende de quais fatores?

Hoje, com o crescimento da Ramavi, ter uma boa equipe é fundamental para conseguir sucesso, por isso, cada vez mais, a loja investe em funcionários.

Qual o segredo para manter um negócio por tanto tempo?

Ficar sempre atento às novidades e mudanças do mercado e ter sempre o foco voltado para o atendimento ao cliente.

Você acredita em sorte para os negócios?

Sim, mas acredito, principalmente, no trabalho.

Quais são os conselhos que você daria para o empreendedor que está começando agora?

Pesquise e trabalhe, mas, principalmente, monte uma grande equipe. Ninguém consegue fazer tudo sozinho e ter um grupo qualificado é fundamental para o sucesso.

O que não pode faltar em um negócio?

É necessário ter jogo de cintura e manter o pé no chão, sempre com espírito empreendedor. É preciso conhecer o mercado onde se pretende atuar, ter muitos contatos e estar de olho em todas as oportunidades de negócios, desde o melhor ponto para se localizar até os melhores preços para oferecer aos clientes. Honestidade também é primordial, assim como a regulamentação é boa aliada para que se possa ir cada vez mais longe com garantia e segurança.

Pretende expandir o mix de lojas?

Estamos sempre de olho em novas oportunidades.

Já passou por algum momento de forte crise?

Qual empresa nunca passou por um momento de forte crise? Temos política instável e economia defasada, assim, as empresas ficam cautelosas e isso reflete diretamente no consumo. O país inteiro viveu e ainda está vivendo uma forte crise. Houve boatos de que o setor de perfumarias não havia sido atingido. Reforço que isso é impossível, o país inteiro sofreu o impacto.

Fundada em outubro de 1992, a loja se destaca no ramo e recentemente a empresa ganhou prêmio devido à atuação no mercado de cosméticosEstá confiante de que haverá uma retomada da economia em breve?

Sim, estamos confiantes, mas, como já aprendemos, não podemos depender disso. Precisamos correr atrás e trabalhar para estarmos sempre preparados para o futuro. 

Texto: BRUNA ROMÃO | Fotos: JÚLIO SIAN

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