Boas e velhas armas contra o câncer de mama

Boas e velhas armas contra o câncer de mama

Prevenção e diagnóstico precoce são os maiores aliados de médicos e pacientes na luta contra o câncer de mama, pois ampliam as possibilidades de tratamento e de cura

“Mulheres de alto risco devem iniciar o rastreamento por volta dos 35 anos”, alerta IsabelaNódulos, mudanças na textura e na coloração da pele das mamas, entre outros sinais facilmente perceptíveis, podem ser sintomas de câncer de mama, uma das patologias que mais acometem mulheres no Brasil e no mundo. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a doença responde por aproximadamente 28% dos novos casos a cada ano. Relativamente raro antes dos 35 anos, mas com alta progressiva nos índices, especialmente após os 50 anos, esse tumor, quando descoberto no estágio inicial, pode ser tratado satisfatoriamente em mais de 90% das pacientes. Já nos casos mais avançados, descobertos no estagio três ou quatro, a taxa de cura pode ser menor que 20%.

Além disso, quando o tumor é descoberto precocemente, permite a sugestão de um protocolo mais conservador, tanto em relação à preservação da mama, com cirurgias menos mutilantes, quanto no que se refere aos tratamentos sistêmicos. No tratamento de tumores iniciais, nem sempre a quimioterapia é necessária. Entre os exames de imagem que sucedem a análise física, a mamografia é o principal método para o diagnóstico do câncer de mama, pois identifica lesões muito pequenas — inclusive as não palpáveis, ou seja, aquelas que não podem ser identificadas durante o exame clínico.

A recomendação do Ministério da Saúde é que o exame seja realizado por todas as mulheres de 50 e 69 anos a cada dois anos. Já a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBA) aconselha a realização anual, a partir dos 40 anos. Sem dispensar o autoconhecimento e as consultas médicas de rotina, a ginecologista, obstetra e mastologista Isabela Panzeri Carlotti Buzatto (CRM/SP: 134178) alerta que a mamografia reduz a mortalidade pela doença, em especial, em mulheres de risco elevado. “Entre 50 e 69 anos, o exame chega a reduzir a mortalidade por este tipo de câncer em mais de 40%. Dos 40 aos 49 anos, a diminuição varia de 12% a 25%”, estima Isabela. 

Médica assistente da Divisão de Mastologia e Oncologia Ginecológica do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto, Isabela considera que o exame deve ser oferecido dos 40 aos 69 anos. Um levantamento do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto apontou que 1.153 casos da doença foram tratados no local entre 2013 e 2017. Do total, 159 morreram por câncer e 45 pacientes foram a óbito por outros problemas de saúde.
 
Quanto aos fatores que levam ao aparecimento do câncer, a especialista lembra que apenas de 5% a 10% dos casos são hereditários, ou seja, estão relacionados ao histórico familiar. Os demais apresentam causas diversas. “Para pacientes de alto risco é importante começar o rastreamento por volta dos 35 anos. O acompanhamento deve ser feito, preferencialmente, com ressonância magnética”, aponta Isabela.

Primeiros sinais

Na fase inicial, a doença geralmente é assintomática, não causando nenhum incômodo à mulher. Este é o momento ideal para o diagnóstico. Já os casos mais avançados podem apresentar nodulação fixa — quando o nódulo está sempre no mesmo lugar —, pele com coloração avermelhada e mais grossa, sangramento pelo mamilo e mamas assimétricas, com retração da pele. Isabela ressalta que qualquer alteração no formato da mama é um alerta para procurar um especialista ou profissional do posto de saúde para saber se a mudança é normal, esperada ou não. “Hoje, os médicos não preconizam mais o autoexame. Mais importante é estimular o autoconhecimento e o autocuidado”, reforça a especialista.
Mamografia realizada entre 50 e 69 anos chega a reduzir a mortalidade por câncer de mama em mais de 40%
Como qualquer câncer, o tumor de mama pode ter recorrência local, na mesma mama ou na outra, podendo também aparecer à distância, em casos de metásteses, que podem aparecer em outros órgãos do corpo. O tumor também tem disseminação linfática, ou seja, pode atingir os gânglios axilares. Em geral, os tumores menores e menos agressivos podem levar entre dez e 15 anos para voltar, enquanto os mais agressivos e mais precoces podem reaparecer em dois ou três anos. “Acredito que o principal fator de prevenção em relação à doença e à recorrência é o diagnóstico precoce. É mais fácil de tratar, com menor agressividade. Por isso, a campanha Outubro Rosa é tão importante”, reforça Isabela. 

Tecnologia avançada
Imagem digital melhora a visualização de tumores em fase inicial
A capacidade da mamografia em detectar o câncer de mama varia de acordo com diversos fatores, como a densidade radiológica da mama. “A sensibilidade da mamografia é menor nas mamas mais densas do que naquelas com predomínio de tecido adiposo”, avalia a radiologista Vivian Siqueira Tostes (CRM 125.736), especialista em radiologia mamária da Pró-Imagem. Métodos de imagem suplementares para rastrear e avaliar mamas densas têm sido investigados e incluem, principalmente, a ultrassonografia e a ressonância magnética.

A mamografia e a ultrassonografia são usadas ainda como método de imagem para guiar biópsia mamária. Com os avanços tecnológicos, entre as novidades do diagnóstico precoce está a tomossíntese mamária, ou seja, a mamografia 3D, desenvolvida com a finalidade de aliviar os efeitos da sobreposição de tecido mamário denso na mamografia convencional 2D. A introdução da tecnologia digital no campo de desenvolvimento de sofisticadas técnicas de computação permite uma avaliação tridimensional da mama. “O resultado obtido por essas imagens tem o potencial de aumentar a detecção precoce de lesões ocultas por sobreposição de estruturas e pequenos tumores, em especial, aqueles não calcificados, que se apresentam como assimetrias, distorções arquiteturais e nódulos espiculados”, explica Vivian. 
“Mamografia 3D permite uma avaliação tridimensional da mama”, observa Vivian
A radiologista ressalta que não há contraindicações para o exame. Existem, na verdade, alguns cuidados necessários para garantir mais segurança para as pacientes, como pessoas que possuem marca-passo, mastectomizadas ou gestantes. “As pacientes mais jovens devem buscar a ultrassonografia”, orienta Vivian, lembrando que esse exame é particularmente importante para detectar carcinomas ductais in situ, uma forma muito inicial de neoplasia que geralmente não atinge veias e gânglios linfáticos, não causa metástases e pode ser considerado um pré-carcinoma. 

Melhor resultado 
Entre as netas Laura e Helena, Luciane se considerada mais fortalecida após o câncer
Ao lado das filhas Laura e Helena, a representante comercial Luciene Ferreira da Costa redobrou as forças para superar o câncer de mama, identificado no início de 2018. Foi durante o banho, em uma avaliação de rotina, que percebeu um caroço na mama esquerda. Imediatamente procurou um especialista, que a encaminhou para os exames. O laudo confirmou que o tumor era agressivo e havia atingido os gânglios linfáticos. 

Antes da cirurgia, realizada há cerca de dois meses, Luciane passou por 16 sessões de quimioterapia. Como a área atingida era extensa e a mama ficaria deformada, a representante optou por realizar uma cirurgia plástica para a correção e a redução do volume nas duas mamas. “Durante esse processo, o apoio da família, dos amigos e, em especial, das minhas filhas e do meu filho Felipe foram fundamentais”, agradece Luciene.

Pilar de sustentação
Lilian conta que até hoje a ligação com Bárbara é muito forte
A família também foi o pilar de sustentação da técnica de enfermagem Lilian Cassia Campos Ferreira, que procurou manter a autoestima elevada e o astral positivo. Apesar de ter realizado uma mamografia dez meses antes, em outubro de 2011, por meio de um autoexame, detectou um nódulo na mama esquerda. Como trabalha em um posto de saúde, consultou a ginecologista e logo foi encaminhada para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.
 
Em novembro do mesmo ano, realizou mamografia, ultrassom e biópsia e, no dia 28 de fevereiro de 2012, passou pela cirurgia de retirada do tumor. “Fiz uma tumorectomia, com a retirada somente de um quadrante da mama. O médico também fez a incisão para investigar as glândulas da axila, mas o resultado foi negativo”, detalha Lilian. No mês seguinte, passou por seis sessões de quimioterapia mais intensa e outras 11 mais brandas. Outras 30 aplicações de radioterapia encerraram o tratamento. Hoje, o controle médico é feito a cada seis meses.

Graças à união do marido, Antonio Sergio Mantovani Baggio, dos filhos Viviani e Vinícius e das netas Bárbara e Laura, assim como ao apoio dos amigos e da equipe médica, Lilian superou todas as fases do tratamento com muita esperança em dias melhores. O apoio da Bárbara, que tinha apenas quatro anos na época, foi essencial. “Ela foi meu pilar de sustentação. Estava sempre ao meu lado, ajudando com os lenços, com a peruca, com os medicamentos. A chegada da Laura completou ainda mais minha alegria”, revela Lilian, que registrou o tratamento em cinco mil fotos compiladas em um book.

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