Boca a boca na internet
Pouco conhecido pelo público, mas bastante utilizado pelas empresas, o marketing viral é uma nova ferramenta estratégica para divulgação
Quantos emails você respondeu e repassou hoje? Aquele vídeo enviado pelo seu amigo te interessou? Sabe quem enviou o vídeo para ele? Pode ter sido enviado por uma grande empresa para o email de um primo do seu amigo e ele repassou para os contatos de sua lista. Esse tipo de estratégia é conhecido como Marketing Viral. Leva esse nome porque a disseminação do conteúdo é de forma espontânea, onde o receptor se encarrega de enviar para sua lista de contatos e assim por diante, tal como um vírus.
O compartilhamento de arquivos, a informação em tempo real e as redes sociais são somente uma fatia da imensa malha virtual em que a sociedade contemporânea está envolvida diariamente. Mandar email, baixar música, acessar blogs, assistir vídeos on-line. Quantas vezes se faz isso ao dia? É possível imaginar a vida sem um computador conectado a internet?
Para o professor de Marketing da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), Renato de Campos, as estratégias de marketing hoje são beneficiadas pelas inúmeras ferramentas que a internet oferece. Aplicadas ao marketing, elas estão causando uma revolução em termos de estratégia para as empresas. “Alguns autores dão o nome a esse fenômeno do viral de ‘Buzz Marketing’. Em português, o ‘buzz’ significa causar um burburinho ou o tradicional “boca a boca”, explica o professor.
Esse tipo de comunicação, no entanto, surgiu antes mesmo da invenção do computador. O ressurgimento do io-iô, sucesso na década de 1950 e que por muitos anos ficou no esquecimento, é um exemplo. Em 1980 uma empresa norte-americana, Yomeda, promoveu concursos de io-iô nas escolas públicas, uma idéia simples e eficaz, que tornou o brinquedo uma “febre”. Em Israel, o dono de uma loja de brinquedos saiu pelas ruas demonstrando suas habilidades com o io-iô e distribuindo gratuitamente para as crianças para alavancar as vendas. Essas crianças levaram seus novos brinquedos para a escola e as demais também quiseram. O resultado foi que a venda da loja cresceu consideravelmente.
“Isso é utilizado pelo cinema comercial também, desde que se instalou, o 'falar bem' de um filme pode representar sua permanecência por mais tempo na bilheteria. O marketing viral tem o mesmo princípio, depende do boca a boca ou do ‘buzz marketing’ para dar certo . Mas o produto a ser vendido tem de ser bom”, afirma afirma Renato.
Uma das maiores vantagens do marketing viral, além da sua eficácia, está no baixo custo e potencial número de pessoas “atingidas”. “Acho muito funcional, uma das melhores estratégias a serem desenvolvidas, desde que o criador saiba o que está fazendo. Um marketing viral bem feito é melhor que muitas outras mídias que são bem mais caras e não funcionam tanto”, afirma a estudante de Publicidade e Propaganda, Karoline Pelincer Cadelca.
Um bom exemplo citado pela estudante está no personagem “Oráculo do Sexo”, do Village Motel. “O cara (oráculo do sexo) achava que sabia tudo de sexo e saia pela cidade falando dos seus benefícios como ajudar a crescer cabelo e a emagrecer. Paralelamente foram disparados vídeos no Youtube das suas aparições e isso virou uma “febre” que aumentou substancialmente a visitação no motel", explica.
Outra maneira de se espalhar uma mensagem é através de “iscas”. Algumas notícias são plantadas na internet esperando que alguém “pesque” aquilo e espalhe. Mas, como em toda campanha publicitária, o marketing viral também pode não “decolar” como foi o caso da campanha lançada pela Citroën para divulgar o C4 Pallas. Uma notícia falsa inserida no site UOL no dia 11 de junho de 2007 anunciava: “Asteróide Pallas pode se chocar com a terra”. Apesar de interessante e sensacionalista, ninguém “pescou” a notícia e a campanha não foi bem sucedida.
Embora muito utilizado, o marketing viral ainda é pouco conhecido. Muitas pessoas fazem uso dele sem ter ideia de que estão integrando algum tipo de estratégia mercadológica. Apesar disso, é bem visto pela maioria.
Os estudantes de direito Bruna Diamanti e Júlio César Silva, apesar de desconhecerem o termo, acham a estratégia interessante, oportuna, inteligente e válida. “Se achar o vídeo engraçado repasso para as pessoas que podem gostar, com certeza”, afirma Júlio Silva.
Revide On-line (colaborador: Bruno Silva)
*matéria publicada em 03/11/2010