Botafogo faz apelo
A prefeitura, inicialmente, negou o pedido administrativo de permuta dos terrenos
No ano em que completa 95 anos, o Botafogo faz um apelo por uma resposta positiva da prefeitura para a proposta de permuta de terrenos.
A proposta foi feita pelo clube em 2009. O pedido administrativo visa trocar a área localizada na Rua Edgar Rodrigues, próxima à avenida Costabile Romano, pela área onde hoje são realizados os trabalhos com a escolinha de futebol do clube, na praça Francisco Oranges, próxima à avenina Maurílio Biagi.
Caso o pedido de permuta seja aceito pela prefeitura, o clube poderá vender a área, que permite a construção de empreendimentos verticais, ao contrário do terreno que hoje é de posse do Botafogo.
O intuito, com a permuta dos terrenos, é saldar a dívida de R$ 56 milhões com a empresa Axial Participações, que em 2000 investiu dinheiro no clube.
A confissão de dívida, assinada em 2002 entre as partes, era de R$ 10 milhões. Contudo, com juros de R$ 18 mil por dia, o valor atingiu a soma atual.
“Dever não é vergonha, a vergonha é se esconder da dívida. Vergonha é passar para a gestão futura uma dívida maior que a de hoje. E é isso que procuramos fazer: ser corretos, transparentes e admitir que aqui há uma situação que precisa ser resolvida”, ressalta Gustavo Assed, presidente do clube.
A prefeitura, inicialmente, negou o pedido administrativo de permuta dos terrenos. Em nota, a assessoria de imprensa anunciou, resumidamente, que “a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto não tem interesse na proposta apresentada pela direção do Botafogo”.
A diretoria do clube diz que ainda não teve uma resposta oficial sobre o pedido administrativo. “Não tivemos nenhuma resposta oficial ainda. Apenas a resposta da assessoria de imprensa informando que há um óbice jurídico”, explica Assed.
Para o presidente do clube, a proposta é interessante para o poder público, pois a prefeitura coloca fim ao comodato e volta a ter a posse de uma área para usar da melhor maneira possível, além disso, com a revisão do plano diretor, o terreno hoje na posse do Botafogo, pode se tornar viável para a verticalização. “Já pensou o valor de uma área verticalizada na avenida Costabile Romano? O Botafogo podia esperar a revisão do plano diretor, mas o clube quer fazer negócio com a prefeitura de Ribeirão Preto para saldar a dívida”, afirma Assed.
Segundo o presidente do Botafogo, o clube não está pedindo para ser salvo, o que a diretoria propõe é apenas um negócio. “O Botafogo é um clube que há 95 anos representa e fomenta a economia da cidade. Ajudar o Botafogo é ajudar a comunidade de Ribeirão Preto. Ajudar os clubes da nossa cidade é ajudar a nossa gente. Será que há um óbice político? Eu acho que não. Neste momento a gente clama por reciprocidade, se ela vai acontecer ou não. Bem, espero que sim”, conclui Assed.
Alternativas
Outra opção para o Botafogo saldar sua dívida, além da troca de terrenos, seria a revisão do Plano Diretor em 2014. Há, ainda, a possibilidade de venda do Estádio Santa Cruz, mas esta é uma opção já descartada pela presidência.
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Texto: Bruno Silva
Foto: Rogerio Moroti/Agência Botafogo