Boxe nas veias

Boxe nas veias

Seguindo os passos do pai, educador físico ribeiraopretano mantém uma academia de boxe, de onde já saíram 148 campeões

Se o provérbio “Quem sai aos seus não degenera” está certo, Bruno Alessandro Alves Galati pode ser considerado um exemplo. Seguindo os passos do pai, Bruno Galati, eterno boxeador e treinador da seleção paulista de boxe, o educador físico ribeiraopretano mantém uma academia, de onde já saíram 148 campeões e onde, atualmente,treinam 52 boxeadores, sendo quatro profissionais.

Integrante do Conselho Regional de Educação Física em São Paulo (CREF-SP), até 2015, professor de boxe pela Wellness Ribeirão Preto e pela “Academia de Boxe Bruno Galati”, além de professor de futebol pela Universidade Moura Lacerda, Bruno Galati, construiu uma rara carreira de sucesso no Esporte, em Ribeirão Preto, servindo de referência em seu meio profissional.

No último dia 11 de maio, Murilo Mattos sagrou-se campeão da Forja de Campeões, torneio nacional que já revelou nomes como Miguel de Oliveira, Eder Jofre e Maguila.

No ano passado, Luis Paulo Campos da Silva, outro boxeador da academia Galati, foi o campeão do “Torneio Kid Jofre”. “Essa é a vitrine. Daqui saem os futuros boxeadores para um ciclo de quatro anos olímpicos”, pontua Bruno Galati.

A Febre MMA
Com a febre das Artes Marciais Mistas (MMA), o professor ressalta que a procura pelo Boxe, e por outras lutas, aumentou. Além da busca pela saúde e vigor físico, que também elevou o número de mulheres adeptas dessas lutas.

Galati conta que o público feminino tem lotado as aulas de boxe nas academias em todo o Brasil. Na academia Wellness Ribeirão Preto, onde Bruno Galati coordena as aulas de Boxe, a estatística comprova: para cada um homem treinando boxe, são quatro mulheres praticantes do esporte. “Há dez anos, quando se falava em boxe feminino, nunca se imaginou viver essa febre. Tem mulheres fazendo treino de velocidade, como se fossem boxeadores, e nem por isso perderam o charme e a feminilidade. Elas perceberam que faz bem”, explica Galati.

A febre causada pelo MMA, na opinião de Bruno Galati, não ofuscou as outras lutas, como muitas pessoas acreditam. Para o educador físico e entusiasta do Boxe, as outras lutas continuam em evidência, pois o MMA nada mais é que a junção do Boxe, Taekwondo, Jiu Jitsu, Muay Thai e Westing. “Isso favoreceu o nosso trabalho, pois a maioria dos boxeadores passaram a disputar o MMA e os lutadores de MMA passaram a procurar o Boxe para afiar os punhos. Uma coisa ajudou à outra. Claro que na mídia o que aparece é o MMA, mas isso contribuiu para as outras lutas, trazendo novos adeptos”, afirma.

O que atrapalha o desenvolvimento das lutas no Brasil, segundo o professor, é o preconceito e a falta de união dos próprios atletas. Galati recorda que uma briga política resultou na criação de duas Federações de Boxe em São Paulo. “Isso deteriora o esporte no país. Por isso não temos tradição de medalha. Temos importantes conquistas no Judô, que tem um intercâmbio formidável. Os atletas estão sempre lutando fora do país e excursionando para o Japão. Mas, geralmente é muito difícil falar em arte marcial no Brasil”, lamenta.

A Nobre Arte
Murilo Mattos sagrou-se campeão da Forja de Campeões, torneio nacional que já revelou nomes como Miguel de Oliveira, Eder Jofre e MaguilaCom origem na Grécia antiga e popularizada como luta na Inglaterra, em 1867, o Boxe, batizado de “nobre arte”, não se resume, segundo o professor Bruno Galati, simplesmente em subir num ringue e sair distribuindo socos. “O boxe não é sinônimo de violência. Há um preconceito enorme contra esse esporte”, defende o professor, especialista na área.

Destacando a legitimidade da prática esportiva, através do conhecimento da regras e da experiência no esporte, Galati afirma que não basta ser profissional de Educação Física, mas ter vivência na área de atuação, como em seu caso, o Boxe. “Muitos professores que ministram aulas de boxe por aí, mal sabem amarrar as luvas de seus alunos”, critica.

Para ele, somente a perfeita aplicação da teoria à prática pode despertar no aluno o real interesse pelo fundamento do esporte. “Todo esporte bem trabalhado e bem organizado é saudável”, afirma.

De acordo com o professor, parte da conquista e da evolução dentro das atividades desenvolvidas pelo Boxe, se deu devido ao apoio do CREF. O treinandor acredita ser necessário investir em orientação e fiscalização, promover qualificação e intercâmbio através de eventos. “Com isso, o esporte ganhará mais projeção no Brasil e resultará em mais conquistas de medalhas”, avalia.
Bruno Galati acredita ser necessário investir em orientação e fiscalização, promover qualificação e intercâmbio através de eventosProfissional preparado
Em 1996, quando vigorou a terceira versão da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD. Nº 9394/96), iniciou-se no país uma reestruturação na formação de diversos profissionais da área. Tais alterações na lei, que desde 1971 não havia passado por nenhuma modificação, resultou, em 1998, na criação da Lei 9696/98, que regulamentava e reconhecia a profissão de Educador Físico. A lei, sancionada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, obrigava a obtenção de diploma e, no mesmo ano, criou-se o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), entidade civil sem fins lucrativos, com sede e foro na cidade do Rio de Janeiro, destinada a orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício das atividades próprias dos profissionais de Educação Física.

Com as mudanças na legislação, o curso de Educação Física também foi dividido em duas categorias: Bacharel e Licenciatura. Tais alterações, segundo o educador físico Bruno Galati, serviram para valorizar os profissionais da área, resultando, hoje, no desenvolvimento da profissão. “As alterações foram necessárias para que os profissionais diplomados tivessem seu valor reconhecido. E as Universidades passaram a formar especialistas”, explica Galati.

Antes da divisão do curso em duas categorias, para se formar em Educação Física era necessário um curso de Licenciatura Plena, com formação após quatro anos de curso. Atualmente, o aluno que escolhe o curso de Bacharel em Educação Física, faz três anos de bacharelado e um ano de licenciatura e vice versa.

Os profissionais Licenciados, nos termos do art. 62 da LDB, podem atuar como Professores de Educação Física na Educação Básica (educação física escolar), enquanto os Profissionais graduados no curso de Bacharel podem atuar somente em clubes, academias, hotéis, entre outros, exceto na Educação Básica. Já os profissionais com as duas formações (Licenciatura e Bacharelado) podem atuar de forma ampla, nos dois campos de trabalho. Estas diretrizes passaram a valer em 2005.

Para Galati, o ponto negativo das alterações foi o desinteresse de alguns alunos pelo curso. “Antes, com apenas um curso você já podia lecionar em escolas ou ser treinador numa academia. Agora não mais”, conta. No entanto, o educador físico defende que os profissionais da área devem sempre investir em pesquisa e aperfeiçoamento, para que a profissão de Educação Física possa ser valorizada cada vez mais, independente da área em que atuem.

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Texto: Bruno Silva
Fotos: Carolina Alves

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