Brincadeira levada a sério

Brincadeira levada a sério

Rafael Alves é campeão brasileiro de ioiô; ele está em Ribeirão se apresentando nas escolas

A vida de Rafael Alves é um vai e vem. Às vezes está pra lá, às vezes está pra cá. Pra cima ou pra baixo. Mas isso não é o diagnóstico de bipolaridade ou algo do tipo, é que o mineiro pratica um esporte que é visto pela maioria das pessoas como uma brincadeira: o Ioiô.

O rapaz, de 23 anos, além de viver da modalidade, é campeão brasileiro. O feito foi alcançado em 2012, na capital do estado natal dele, Belo Horizonte. Ele ganhou o título fazendo manobras com um ioiô de eixo de madeira, considerado o mais tradicional para este tipo de competição.

“Eu fui para ‘BH’ para brincar, porque fazia um tempo que tinha deixado de me dedicar ao ioiô, mas acabei ganhando”, lembra Rafael, que desde os oito anos traz o gosto pelo objeto, que virou profissão no fim da adolescência por um breve período, depois se afastou para abrir uma empresa, mas agora, se dedica apenas ao ioiô.

Ele é patrocinado por uma empresa de brinquedos, que para divulgar seus produtos, realiza em diversos lugares do País torneios e apresentações de ioiô, nos quais as crianças que assistem podem ganhar prêmios, como notebooks, bicicletas, e claro, o ioiô.

Esta rotina trouxe Rafael até Ribeirão Preto, aonde ele chega a visitar até quatro escolas por dia para se apresentar. “Ajuda a resgatar a vontade da criança de brincar, e tem uma função social, porque tira elas das ruas”, explica competidor.

Nas disputas de Ioiô são avaliadas algumas manobras básicas para definir o campeão, e elas são batizadas com nomes bem curiosos, como o “dorminhoco”, que é quando joga o brinquedo para baixo, e ele fica dando voltas em volta de si parado, e o “cachorrinho”, que também tem o objeto jogado para baixo, mas ao invés dele ficar dando voltas sozinho, você o apoia no chão, como se estivesse levando um cão para passear, preso a uma coleira.

Rafael se diz realizado por ter este esporte como profissão, e por isso diz que vale a pena deixar a família e os amigos, para percorrer o País competindo e se apresentando. “É uma coisa abençoada ver criança sorrindo, e que tem a você como ídolo”, destaca.

Ele, que no período que ficou afastado das apresentações se tornou empresário, inclusive abrindo uma empresa de propaganda e outdoors, conta que para se tornar um campeão é necessário completar os estudos e jogar muito ioiô. “Como vivo disso, o meu treinamento é o meu trabalho. Visito várias escolas, então passo o dia inteiro com a cordinha no dedo (rs)”, diz Rafael.


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Leonardo Santos
Foto: Arquivo Pessoal e divulgação.

 

 

 

* Publicado em 07/11/2014

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