Cafés especiais
Produtores de Carmo de Minas aprimoram produção sustentável aumentando o percentual de ganho no preço da saca, entre 15% e 40%
Adotando práticas de manejo sustentáveis, variedades com boa sanidade e a valorização do trabalho no campo, produtores de Carmo de Minas (MG) atingem níveis de excelência na qualidade do café produzido na região. O município, localizado na Serra da Mantiqueira, é considerado o melhor terroir para a cultura por reunir as condições ideais de geologia, topografia e clima. O aprimoramento dos grãos, feito ano a ano, reflete em altas safras, como a de 2015, que deve chegar a 250 mil sacas.
Parte desta produção vai para a Nespresso Brasil, que, a partir de um rigoroso processo de seleção, adquire o grão verde para o preparo de 23 tipos de cafés em cápsulas. A parceria rendeu a valorização do café de Carmo e, consequentemente, um ganho entre 10% e 15% no preço da saca comercializada. Luiz Paulo Dias Pereira Filho, diretor da CarmoCoffees, explica que, no mercado de Nova Iorque (EUA), o aumento é ainda maior, entre 30% e 40%, contando ainda com os prêmios pagos pela Nespresso dentro do Programa AAA.
A CarmoCoffees faz uma ponte comercial entre a origem e o comprador, oferecendo assistência técnica agronômica e comercial para que a produção seja mais eficiente, agregando valor ao café local. Por sua vez, a Nespresso, por meio do sistema AAA, intensifica qualidade, sustentabilidade e produtividade. A iniciativa envolve cuidados como manejo, colheita, melhoria contínua das vidas e do meio ambiente e eficiência econômica das fazendas, um importante elemento para que os filhos e netos continuem nesta atividade.
De acordo com Stefan Nilsson, diretor da Nespresso, desde 2005 o programa já impactou cerca de 2.200 cafeicultores e trabalhadores que cultivam 129 mil hectares (ha) de café na cidade. São produtores como José Antônio Carneiro Pereira, da fazenda Serrado, que cultiva 25 ha com café das variedades Acaiá, Catuaí, Mundo Novo e Bourbon Amarelo. Ele investiu no beneficiamento do café, adquirindo lavador, despolpador e desmucilador modernos e otimizou o sistema de reuso de água ao final do processo. “Nesta safra devemos chegar a 80 sacas por hectare”, estima. O resultado chega à produção de 41 sacas só de café Bourbon por ha, volume superior à média nacional, estimada em 24 sacas por ha.