Caminho para a retomada

Caminho para a retomada

Mesmo com queda em exportações e importações, Ribeirão Preto alcançou superávit na balança comercial após dois anos; mercado mostra sinais de recuperação, impulsionado pela valorização do dólar

Texto: Raissa Scheffer


A crise mundial causada pela pandemia do novo coronavírus derrubou em 6,23% as exportações feitas por empresas de Ribeirão Preto entre janeiro e setembro deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Por outro lado, o valor das importações caiu 33%, o que fez com que a cidade voltasse a alcançar superávit da balança comercial após dois anos. 

O economista Gabriel Couto destaca que as exportações não dependem apenas do preço dos produtos, mas também da quantidadeO economista Gabriel Couto, da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), destaca que os resultados obtidos pelas empresas da cidade no comércio exterior não são positivos neste ano, principalmente porque a principal razão da queda nas importações, que gerou o superávit, foi o forte impacto causado pela pandemia. “Adicionalmente, a maior parte dos exportadores de nossa região está concentrada fora de Ribeirão Preto. Como a cidade é mais voltada para os serviços, o volume de importações tende a refletir mais a demanda interna do que a situação corrente da indústria local. Assim, temos um quadro em que importações e exportações caíram, indicando piora tanto para os exportadores da cidade como para a demanda local”, argumenta. 

Mesmo com a alta do dólar, que valoriza os produtos locais, Gabriel explica que as exportações não dependem apenas do preço dos produtos, mas também da quantidade. “Apesar da forte alta do dólar em 2020, a pandemia levou a uma queda considerável na demanda no mundo todo. Assim, mesmo com os produtos exportados a um preço mais elevado em reais, o menor volume exportado levou a essa queda”, afirma.

No caminho certo

Ivan Pereira da Costa, sócio diretor da empresa ribeirãopretana Target Câmbio, que atende o mercado de comércio exterior com produtos e serviços, destaca que, apesar do impacto da pandemia, cresceu o interesse das empresas em exportarem em razão da alta do dólar, “uma vez que os produtos brasileiros ficaram competitivos no mercado internacional”. “Assim, atuamos fortemente na proteção cambial com maior objetivo em mitigar riscos das empresas frente a essa grande volatilidade e alta do dólar. Isso tem uma consequência enorme nos resultados”, explica o empresário, que também destaca como barreira, nesse cenário de crise mundial, a limitação ainda maior dos grandes bancos no atendimento e restrições de crédito.

Ivan Costa, da Target Câmbio, explica que ter mais exportações do que importações é importante para a retomada, pois traz maior estabilidade econômicaPara Ivan, o superávit conquistado pelas empresas de Ribeirão neste ano, após dois anos de déficit, é interessante, pois ajuda o município e, consequentemente, o Brasil, uma vez que o país precisa de superávit na balança comercial para obter mais reservas cambiais. “Isso que traz maior estabilidade econômica para o país. Também significa que a produção, o emprego e a renda estão crescendo”, pontua. 

Em Ribeirão Preto, as exportações registram crescimento ao longo do ano: no terceiro trimestre, os valores transportados em produtos para fora do país foram 11% maiores em relação ao trimestre anterior. “No Brasil, historicamente, o segundo semestre tem um crescimento superior ao primeiro e, mesmo considerando um ano extremamente difícil, acredito que Ribeirão Preto deve fechar em exportações muito próximas a 2019, o que não é nada ruim pelo que passamos neste ano”, conclui.

Para o empresário, nas importações deve haver um recuo considerável em razão, principalmente, da alta do dólar e da consequência da pandemia. “Acredito muito numa recuperação rápida, pois o Brasil é um país muito forte no agronegócio e o mundo tem escassez por produtos alimentícios. Os empresários evoluíram muito e essa nova geração vem buscado a cada dia melhorar em tecnologia com produtividade e qualidade”, finaliza. 

Ajuda aos empresários

Com a pandemia, todos os eventos da área de comércio exterior da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), como capacitações e rodadas de negócios, tiveram de ser suspensos. Assim, o setor viu a necessidade de promover algo inovador, principalmente pelo momento vivido pelas empresas. “A iniciativa dos encontros virtuais nasceu a partir daí. Já sentíamos uma demanda, uma necessidade dos pequenos e médios empresários a respeito de se inserir no mercado internacional. Aproveitamos esse momento para levar essa capacitação ao empresário”, explica Thayná Rais, assessora de comércio exterior da Acirp. 

Thayná Rais, assessora de comércio exterior da Acirp, explica o trabalho realizado de forma virtual pela associação para orientar empresáriosOs encontros virtuais gratuitos promovidos pelo Departamento de Comércio Exterior da Acirp têm como objetivo, segundo Thayná, tirar dúvidas de empresários que querem entrar no mercado internacional ou que pretendem se qualificar. “A gente percebe que ainda há falta de conhecimento em questões básicas. Então, focamos em levar as informações básicas, de uma forma prática, ressalta.

Tipo exportação

A associação das exportações de Ribeirão Preto com o agronegócio é automática, por conta da tradição do setor sucroalcooleiro local. Contudo, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria de Comércio Exterior (MDIC) mostram que de Ribeirão Preto para o mundo saem, principalmente, estanho, alimentos de animais, amendoim e máquinas e equipamentos agrícolas.

Há 20 anos no mercado, a única empresa que exporta estanho em Ribeirão Preto viu os negócios crescerem durante a pandemia, principalmente porque o produto tem mercados diversificados, desde o automobilístico até o de alimentos, pois o estanho é usado em embalagens de produtos enlatados. Nesta pandemia, com a demanda dos produtos para casa, como TVs, computadores e celulares, as vendas internacionais da empresa também foram impulsionadas, com o estanho presente em todos esses produtos. O município é o segundo maior exportador de estanho do Brasil e, segundo o MDIC, há cerca de oito anos o produto está entre os líderes de vendas da cidade para fora do país.


Os números do comércio exterior de Ribeirão Preto

Exportações (janeiro a setembro de 2020)

US$ 125.237.124

39.521 toneladas

Importações (janeiro a setembro de 2020)

US$ 108.493.782

63.052 toneladas

Superávit de US$ 16.743.342

Anos anteriores

2019 - Déficit de US$ 25.250.283 (Importou US$ 199.717.926 e Exportou US$ 174.467.643)

2018 – Déficit de US$ 37.302.089 (Importou US$ 197.796.448 e Exportou US$ 160.494.359)

Principais países compradores dos produtos de Ribeirão Preto

Estados Unidos 

US$ 20.251.315 

Argentina

US$ 13.546.040

Chile

US$ 6.209.847

Principais países de onde as empresas de Ribeirão Preto importam 

China

US$ 29.478.637

Estados Unidos

US$ 17.843.655

Israel

US$ 8.273.270

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior


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