Caricatura ‘Ao Vivo’

O caricaturista ribeirãopretano Afonso Lazari conta um pouco de sua história, sua ténica e seus sonhos

Desde a infância, Afonso Cláudio Lazari sempre gostou de desenhar. Se sobressaia nas aulas de Educação Artística na escola e atendia, com prazer, os pedidos dos colegas para os ajudar com os trabalhos da matéria.

O dom do desenhista, no entanto, ficou adormecido, relegado ao plano de um hobby, por mais de trinta anos.

Foi somente depois de sua participação em uma festa em 2009, onde se prontificou a fazer caricaturas dos presentes para arrecadar fundos para assistência social, que  Lazari passou a encarar o “hobby” como profissão.

“Sempre fiz caricaturas de amigos, de parentes e de colegas de trabalho, mas na brincadeira. Depois daquelas sete horas que passei caricaturando pessoas na festa, em que foi preciso pedirem para que me deixassem descansar, algo em mim despertou e comecei a pensar em fazer isso com mais seriedade”, conta o caricaturista.

A festa serviu para “lançá-lo” neste mercado e os convites para novos trabalhos começaram a aparecer. Hoje, mais conhecido na cidade, Afonso é chamado para atuar em diferentes eventos, sociais e empresariais. Ainda não dá para viver da sua arte, mas ao menos sentir o prazer que ela proporciona.
“Eu gosto de caricaturar, não canso. Às vezes fico até mais do que o combinado nos eventos, para atender os pedidos das pessoas que trabalham na festa. Meu sonho é um dia poder fazer isso em tempo integral, porque é o que eu gosto de fazer:  desenho de caricatura”, afirma.

Funcionário dos Correios, Lazari conta que começou a fazer caricaturas dos colegas escondido e se tornou um mistério na unidade quem era o autor da brincadeira, que durou quase seis meses, até ser descoberto.

Influenciado por Ziraldo, Caruzo e Maurício de Souza, apesar deles trabalharem mais com charge e quadrinhos,  e também Abel Costa, Ferrandini, Kinho e Lisandro Grego, entre outros, o caricaturista diz ter um estilo diferente. “Eu acho que o estilo do meu desenho não é tão escrachado como alguns caricaturistas fazem, meu estilo é mais bonequinho, sem muito exagero, esse é meu jeito”, afirma.

Outro diferencial do trabalho de Lazari está na técnica que o artista utiliza, a aerografia, que consiste em desenhar utilizando uma espécie de caneta de ar com tinta, e é mais comumente utilizada por caricaturistas em São Paulo.

“Não gosto muito do grafite, uso pouco, gosto mais da caneta de tinta, essa é uma técnica que descobri há uns dois anos e gosto muito. Vi uns trabalhos do Fite, ele me explicou como usar e que tipo de tinta usar e acabei me apaixonando pela aerografia, acho que o desenho fica volumoso, mais fácil de sombrear, fica mais bonito”, explica.

Ainda segundo o artista, outra vantagem  desta técnica é que pode ser feita em tecido, direto na camiseta, por exemplo, e é mais difícil de manchar.

Trilhando o caminho de mostrar seu trabalho e conquistar seu lugar como um caricaturista profissional, Lazari afirma gostar mais de fazer caricatura ao vivo, para sentir a reação das pessoas.

“Li uma vez um comentário do Abel Costa, brincando que um desenhista só vai ficar bom depois de sete mil desenhos feitos. Não sei se já cheguei à isso, mas pelo menos uns quatro mil, já posso afirmar que fiz e, para mim, o mais prazeroso é compartilhar a reação da pessoa ao se ver caricaturada”, finaliza o artista.

Conheça mais o trabalho do artista no blog caricaturaslegais.blogspot.com

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Fotos: Ibraim Leão e arquivo pessoal

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