Carreira em alta
Com a forte expansão do setor imobiliário, cresce o número de profissionais atuando como consultores
O mercado da construção civil de Ribeirão Preto vive um momento de prosperidade. Há aproximadamente sete anos, com destaque para os últimos três, o número de lançamentos imobiliários não pára de crescer, assim como a procura por empreendimentos novos, sejam residenciais ou comerciais.
A já intensa relação entre oferta e demanda foi ainda mais reforçada pela queda dos juros dos bancos e pela criação de incentivos financeiros para quem quer adquirir um imóvel. A expansão do mercado com investimentos em diversas regiões, principalmente da Zona Sul e Leste, e a elevação do número de vendas e locações trouxeram reflexos em várias vertentes do mercado como, por exemplo, o aumento no número de corretores.
Segundo Antonio Marcos Melo, delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI) de Ribeirão Preto, a cidade conta hoje com 1.200 profissionais devidamente credenciados. O aumento tem sido, em média, de 30% ao ano. “O Brasil passa por uma fase econômica fantástica. Mais pessoas conseguem ter acesso aos bens de consumo e um dos itens prioritários nessa lista é a casa própria. Para se ter uma ideia, atualmente, um empreendimento tem 60%, até 70% de suas unidades comercializadas ainda na planta, logo na fase de lançamento. Tal estatística revela que o interesse do cliente é grande. Por isso, precisamos de profissionais especializados para gerenciar todos os processos e servir como ponte entre o consumidor e o empreendedor”, explica o delegado.
A valorização da carreira tem criado uma mudança no perfil do corretor. Hoje, profissionais formados em outras áreas, como Administração de Empresas, Psicologia, Publicidade e Propaganda, Odontologia, entre outros cursos, migram para o setor imobiliário. “É uma função que permite certa maleabilidade de horários, possibilitando que o trabalhador atue em meio período, conciliando, assim, mais do que uma atividade. A chance de conseguir o emprego é grande porque não falta vaga para especialistas qualificados”, comenta Antonio Marcos.
O delegado ainda ressalta o salário como outro atrativo: um corretor recebe, em média, cerca de R$ 6 mil por mês. Apolo Tilger Barbosa é um exemplo dessa tendência. Formado em Direito, chegou a trabalhar por três anos em sua área. Quando ingressou como advogado em uma renomada imobiliária de São Paulo, conheceu melhor o setor comercial e essa proximidade fez com que descobrisse uma grande afinidade com a profissão.
“Foi uma ótima troca, pois, além da identificação com a minha função, tenho mais liberdade de tempo e estipulo minhas próprias tarefas. O aprendizado é na prática, a cada atendimento. É muito bom ter uma comunicação direta com o consumidor, entender suas necessidades e oferecer soluções. Mas o mais gratificante é saber que, após uma venda, ajudei a realizar o sonho do cliente”, destaca. Hoje, Apolo continua no ramo, na imobiliária Fortes Guimarães.
A consultora Maria Margaret de Souza e Silva também passou por essa situação. Depois de cursar Pedagogia, atuou na área da Defesa dos Direitos Humanos como voluntária e, posteriormente, como contratada para coordenar projeto de alfabetização de adultos em bairros periféricos. Também esteve à frente de projetos de enfrentamento da pobreza e de desenvolvimento social e humano e ocupou cargos no governo municipal.
“Depois de 25 anos, considerei que já havia dado minha contribuição na área social e queria uma rotina diária mais leve, que pudesse, inclusive, possibilitar que eu tivesse mais tempo para minha família e para mim”, lembra Maria. Foi o que ela encontrou como corretora na Piramid Imóveis. “Estou feliz. Tenho em mãos tudo que preciso para desempenhar bem meu papel. Faço o meu horário de acordo com minhas prioridades pessoais e tenho uma remuneração condizente com o meu desempenho”, conclui.
Porém, para ser corretor, não basta querer. A profissão é regulamentada, exige responsabilidade e, por isso, é preciso se preparar. “Vemos muitas pessoas atuando sem licença e isso é errado. Ninguém pode vender um imóvel se não estiver apto a isso. Temos uma rigorosa fiscalização para combater irregularidades”, afirma o delegado do CRECI.
A instituição oferece uma lista de escolas credenciadas que ministram um curso profissionalizante em que o interessado recebe noções exatas sobre arquitetura, tendências do mercado imobiliário e procedimentos de documentação. Para o credenciamento, é preciso ter o segundo grau completo e realizar o curso de Técnico em Transações Imobiliárias (TTI). “A preparação deve ser como a de qualquer outra categoria profissional. Requer muita dedicação e atualização constante. Há uma dinâmica muito veloz e temos que ter a responsabilidade e a competência de sugerir aos nossos clientes o produto mais rentável, com maior liquidez e valorização”, finaliza Maria.
Um outro ponto de vista
As diretorias de grandes imobiliárias da cidade são favoráveis a essa migração e acreditam que o interesse das pessoas pela profissão tende a aumentar, ainda mais, o potencial do setor. “Hoje, em nossa equipe, contamos com aproximadamente 160 pessoas. Profissionais que vieram de diferentes ramos e com diferentes formações para atuar nesse mercado. Cada um utiliza habilidades específicas como diferenciais na hora de fechar um negócio. Essa integração de áreas é muito positiva”, opina Cacaio Fortes Guimarães, da imobiliária Fortes Guimarães.
Adair Porfírio, diretor da Piramid Imóveis, dá algumas dicas para os possíveis candidatos a uma vaga. “A capacidade de se comunicar e estar sempre bem informado são indispensáveis. Hoje, o papel do corretor mudou e a figura do profissional que apenas vende acabou. Ele se tornou um consultor imobiliário. Definir o melhor investimento, escolher a região para cada perfil e esclarecer todas as dúvidas do cliente são papéis desse profissional. Outras qualidades imprescindíveis são autoconfiança, disciplina e boa formação. Ética, transparência, ousadia, inovação e criatividade também são essenciais”, conclui.
Mais informações no site:www.crecisp.gov.br.