Caso Maison
Manobras de helicóptero e imagens feitas por celular geraram polêmica
O caso da Elefanta Maison parece não ter fim. Após toda polêmica envolvendo a doação do animal ao zoológico de Ribeirão Preto, o assunto já rendeu várias histórias. A prefeitura decidiu abrigá-la, mas o custo elevado do projeto para mantê-la no bosque foi barrado pela Câmara. Vivendo em um local exclusivo e improvisado no Bosque de Ribeirão Preto, aguardando a construção de um local permanente, a elefanta está em “quarentena” e ninguém, senão os funcionários do Bosque Municipal, podem vê-la.
Cercada por esse ar de ‘mistério’, a elefanta foi vítima, no último dia 29 de fevereiro de um possível “ataque Paparazzi”, quando um helicóptero realizou algumas manobras sobre o Bosque deixando os animais, inclusive a elefanta, estressados. “Foi necessário dar dois banhos para que a elefanta ficasse relaxada”, conta o doador do animal, Carlos Antônio Spíndola, o “Biriba”.
Segundo o ex-palhaço, as manobras realizadas pelo helicóptero, que assustou aos animais do bosque, podem não ter sido feitas para captar imagens da elefanta. “Não posso afirmar com toda a certeza, mas ouvi dizer que, como o período das campanhas eleitorais está chegando, pode ter sido esse o motivo das manobras. Mas não posso afirmar nada”, diz.
Outro acontecimento que gerou um desconforto por parte da prefeitura foram as imagens feitas pelo comerciante Luis Lourenço. “Não sou cinegrafista, tampouco amador. Eu estava fazendo imagens de pontos turísticos de Ribeirão Preto para postar numa promoção do site do G1”, explica o comerciante, que no dia anterior às imagens feitas no bosque, soube das manobras do helicóptero. “Minha esposa ama elefantes e comentou comigo sobre o que havia acontecido. Ficamos imaginando o que poderia ter acontecido para um helicóptero ter sobrevoado o bosque como eles disseram que aconteceu”, conta o comerciante.
No dia em que fez a imagem da Maison, Luis Lourenço diz que foi por acaso que conseguiu vê-la. “Não foi nada premeditado. Fui para filmar o jardim japonês que tem lá no bosque, mas quando cheguei lá decidi parar para perguntar a alguns estagiários sobre a elefanta. E ela estava justamente ao lado do jardim onde eu fui filmar. Realmente o local estava cheio de placas proibindo a entrada dos turistas e a segurança está sempre rondando ali. Mas tem um local onde dá pra ver a elefanta bem de longe, tanto que tive de dar ‘zoom’ na câmera do meu celular para filmá-la. Mas foi somente isso o que fiz e a imprensa toda já saiu falando coisas que me deixaram chateado”, diz.
O comerciante conta, ainda, que ele chegou a ser relacionado com o caso do helicóptero. “Quem alugaria um helicóptero para filmar a elefanta? Não é necessário tudo isso. E, segundo alguns colegas com os quais conversei sobre o assunto, acho que me confundiram com algum inimigo político. Mas nem sou partidário”, assume.
Depois do acontecido, Luis Lourenço achou melhor excluir o vídeo de sua conta do site Youtube para, segundo ele, “não gerar mais polêmica”. “Só quero que entendam que não aproveitei da situação envolvendo o helicóptero e nem fiz o vídeo para me promover. Não foi essa a intenção. Sempre mando conteúdos para a imprensa e esse vídeo foi só mais um”, conta.
O comerciante não recebeu nenhuma ligação e nem foi intimado a dar declarações sobre o acontecido. “Creio e espero que não me aconteça nada. Só fiquei magoado pela imagem que fizeram da minha pessoa”.Sobre o comentário da secretária do meio ambiente sobre o vídeo ter sido feito por algum funcionário, Luis confessa. “Fui eu mesmo que fiz. Se pegarem as imagens do circuito interno do zoológico, verão que fui eu quem fez as imagens. E de forma inocente”, conclui.
Embora tenham acontecido todos esses problemas envolvendo a elefanta, “Biriba” não esconde a felicidade de ter o animal, que está na sua família a mais de 30 anos, por perto e afirma que Maison está sendo bem tratada. “Vou todos os dias ao bosque visitá-la, e posso dizer com toda a certeza de que a Maison está sendo bem cuidada. Tem biólogo e veterinário cuidando dela”, garante.
Como a visitação foi proibida pela secretaria estadual do meio ambiente, “Biriba” conta que tem recebido vários pedidos particulares de visitação. “Muitos pedidos de crianças excepcionais, que querem a oportunidade de visitar a Maison. Quando elas me pedem eu levo para visitar. Recebi um pedido da APAE recentemente. Mas uma quantidade grande de pessoas é difícil. não tem como”, conta.O ex-proprietário da elefanta desmente as acusações de maus tratos. “Isso é mentira! O tapume usado como cerca é para protegê-la de outros animais e é provisório. Pois um novo local será construído para abrigá-la, a prefeita está aguardando uma resposta de algumas empresas para contribuir com a construção desse local”, finaliza.
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Texto: Bruno Silva
Fotos: Ibraim Leão e Divulgação