Celeiro de profissionais da saúde
Polo de formação de profissionais médicos e odontólogos, Ribeirão Preto coleciona conquistas significativas para comemorar o Dia do Médico e do Dentista
Vem do cristianismo, de uma homenagem ao nascimento de São Lucas, a comemoração ao Dia do Médico, em 18 de outubro. Lucas escreveu um dos livros dos Evangelhos e o livro de Atos dos Apóstolos, onde contou muitas histórias de Cristo, inclusive algumas das inúmeras curas e milagres que não chegou a presenciar, mas estudou cuidadosamente antes de relatar. Além disso, São Lucas estudou Medicina e é considerado o patrono dos médicos desde o século XV.
De lá para cá, a área médica evoluiu muito. Hoje, são 305 escolas médicas no Brasil, o segundo no mundo com maior número de instituições de ensino, atrás da Índia, com 384 unidades e 1,25 bilhões de habitantes. Esses números são seguidos pela China, com 150 escolas e 1,35 bilhões de habitantes; Estados Unidos, com 145 escolas e 300 milhões de habitantes; e México com 84 escolas e 120 milhões de habitantes.

O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) reconhecem, hoje, 54 especialidades médicas. As homologadas recentemente são: dor, distúrbios do sono, emergências médicas, medicina paliativa, medicina do tráfego e medicina tropical. Além disso, a tecnologia promete influenciar diretamente em especialidades como a Medicina Geral, a Saúde da Família e Comunidade, a Obstetrícia, a Radiologia, a Oftalmologia, a Medicina Esportiva e Reabilitação, a Oncologia e outras especialidades cirúrgicas, com o advento da robótica. No Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, na Faculdade de Medicina da USP (HCRP-FMRP-USP), as residências médicas mais procuradas e com maior concorrência no são: Dermatologia, Oftalmologia, Radiologia, Otorrinolaringologia, Cardiologia e Pediatria.
Em suas estruturações curriculares, a FMRP estabeleceu quatro eixos de formação ao longo dos seis anos de graduação: atenção à saúde da família e da comunidade; bioética e formação humanística; primeiros socorros, urgências e emergências; e formação complementar e desenvolvimento pessoal integral. De acordo com o Prof. Dr. Miguel Angelo Hyppolito, professor associado da FMRP-USP e vice-presidente da Comissão de Graduação da instituição, um ou dois anos adicionais no curso, serviço civil obrigatório e um ano de residência médica em Saúde da Família e Comunidade permeiam discussões no governo, na Associação Brasileira de Ensino Médico (ABEM) e nas instituições de ensino médico. A última ação, inclusive, está em pleno curso, mas, de acordo com o médico, ainda sem a clareza necessária do processo para as instituições de ensino e nos hospitais que já têm residência médica.
Pela Lei de Diretrizes Curriculares para os cursos de Medicina, que foi aprovada junto do programa “Mais Médicos”, o ano extra estaria vinculado à residência médica e não à Instituição de Ensino Superior (IES). Em 2018, o Governo Federal deverá oferecer uma vaga de residência médica para cada egresso das Faculdades de Medicina, a maioria delas na Saúde da Família. Os residentes ingressantes em 2019, em algumas especialidades, deverão cumprir compulsoriamente um ano de residência em Saúde da Família. Assim, as Instituições de Ensino Superior deverão ofertar um número de vagas para residência médica igual ao número de ingressantes no curso.
De acordo com Dr. Miguel, para os cursos que não têm estrutura para isso — o que envolve a maioria deles e a maioria dos cursos particulares —, o governo propõe os Contratos Organizativos de Ação Pública Ensino-Saúde (COAPES), ofertando espaço para a formação desses jovens médicos em unidades básicas de saúde, que, em muitos lugares são desestruturadas, com recursos estruturais e humanos inadequados para a orientação do recém-formado. Outro desafio apontado pelo médico é o do teto da saúde e educação, que não permitirá reestruturar unidades de saúde e formar instrutores à distância. “Existe o enorme risco de profissionais mal formados e mal remunerados estarem sendo os responsáveis, como preceptores, pela formação de recém-formados como supostos médicos de família. Existe, com isso, também o risco de descaracterizar o que realmente é a especialidade médica em Saúde da Família”, avalia vice-presidente da Comissão de Graduação da FMRP.
Na visão do professor, a questão de aumento de mais um ano na formação não é viável em tão curto tempo. O que prevê a Lei de Diretrizes Curriculares é uma carga horária total de 7.200 horas de aula, o que ocorre em muitos cursos particulares, com o mínimo de 30% da carga horária prevista para o internato médico da graduação, desenvolvido na atenção básica e em serviço de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS), respeitando-se o mínimo de dois anos desse internato. Na FMRP-USP, atualmente, isso não é necessário, se for considerado que o curso tem carga horária total de 10.065 horas, com 54% no internato, sendo 37,9% desenvolvidas na atenção básica e 16,7% em urgência e emergência.
Dr. Miguel reforça, ainda, que a prática de inserção do estudante no sistema de saúde do SUS já ocorre na FMRP há anos. O aluno estava inserido nesse contexto desde antes do início das discussões e implantação do modelo SUS, tendo como exemplos a inclusão dos estudantes do internato no Centro Médico Social Comunitário Pedreira de Freitas (Cássia dos Coqueiros), Hospitais Municipais de Altinópolis, Dumont e Luiz Antônio e as atividades desenvolvidas pelos estudantes no Centro Saúde Escola e no Centro Médico Social de Vila Lobato. Essa prática foi expandindo com a estruturação progressiva e racional que a Faculdade de Medicina propôs no seu Plano de Metas para a Graduação, com inserção dos estudantes nos núcleos de Saúde da Família, Centro de Referência de Saúde da Mulher de Ribeirão Preto (MATER), Hospital Estadual de Américo Brasiliense (HEAB) e Hospital Estadual de Ribeirão Preto (HERP).
O cenário da Odontologia

O Dia do Dentista, comemorado com uma semana de diferença do Dia do Médico, tem razões mais factuais, pois é uma homenagem à criação do curso de Odontologia no país. Em 25 de outubro de 1884, foi assinado o decreto que criou os primeiros cursos de graduação na área, nos estados do Rio de Janeiro e da Bahia. Mais tarde, uma portaria do Conselho Federal de Odontologia tornou a data oficial para a comemoração do Dia do Dentista no Brasil. A data é dedicada a conscientizar a sociedade da importância de manter uma boa higiene bucal e, por conta disso, também é celebrado o Dia Nacional da Saúde Bucal.
Em uma área em que as pesquisas crescem a cada dia e acarretam o surgimento de novas técnicas, abordagens e produtos, formar profissionais qualificados é essencial. De acordo com a presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP-USP), Profa. Dra. Helena de Freitas Oliveira Paranhos, um bom profissional deve estar apto a atuar no âmbito público, privado ou no terceiro setor, exercendo atividades clínicas, administrativas, consultivas, acadêmicas e periciais. Desta forma, é importante que tenha uma formação generalista para atuar em diferentes níveis de atenção à saúde, por meio de ações de promoção, de prevenção, de recuperação e de reabilitação da saúde, nos campos individual e coletivo.
Para que isso ocorra, além de uma sólida formação técnico-científica, outros conhecimentos são considerados extremamente importantes — humanista, crítico, ético e reflexivo —, propiciando que o profissional venha a atuar como transformador da realidade em benefício da sociedade. “A Odontologia é uma profissão belíssima, em que são necessários conhecimentos das ciências básicas e aplicadas, além de certa habilidade, pois a destreza manual é importante e, principalmente, um perfil de cuidar das pessoas, de se preocupar com o ser humano, comprometendo-se com o seu bem-estar. Assim, o equilíbrio emocional, a sensibilidade para as questões sociais e a facilidade de comunicação são muito importantes”, ressalta a professora.
Desta maneira, a formação de excelência deve articular o ensino com o atendimento da comunidade e a adoção de metodologias ativas no processo de ensino e de aprendizagem, em um ambiente ético e integrado com a realidade social, visando à saúde da população. Para essa formação, o projeto pedagógico do curso de Odontologia deve propiciar que o aluno tenha a oportunidade de participar de atividades acadêmicas complementares, sejam direcionadas ao ensino, à pesquisa, extensão ou mesmo à gestão. Segundo Helena, essas atividades devem complementar a formação do aluno e podem ser oferecidas pela própria instituição de ensino. Quando isso não acontecer, é importante que o aluno seja pró-ativo e busque essa instrução complementar.
Na FORP-USP, o curso oferece, por meio de disciplinas clínicas, a oportunidade do exercício de prática clínica intensa, supervisionada por docentes, com ênfase no planejamento e na execução de casos clínicos de competência do generalista, permitindo preparar os acadêmicos para a atuação no serviço público, em consultório particular ou clínicas integradas. Além disso, nos estágios obrigatórios extramuros, os acadêmicos atuam diretamente junto à comunidade, possibilitando o desenvolvimento de atividades junto a equipes multidisciplinares e atendimentos odontológicos de urgência e emergência. Para complementar a atuação clínica do aluno, o curso possui disciplinas optativas, que permitem ao acadêmico o aprofundamento de conhecimentos em áreas profissionalizantes. É importante ressaltar que alunos, docentes e disciplinas são constantemente avaliados.
Nos últimos cinco anos, as principais alterações curriculares se referem à maior flexibilização do currículo, à implementação de metodologias ativas no processo de ensino-aprendizagem, à criação de atividades acadêmicas complementares e à ampliação da carga horária de estágio e de disciplinas optativas. Desde 2010, o curso de Odontologia foi reestruturado, passando a ser integralizado em cinco anos. Atualmente, a área odontológica conta com 22 especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Odontologia, sendo que três delas foram criadas recentemente: Acupuntura, Homeopatia e Odontologia do Esporte, que estão em fase de consolidação das normativas.