Cenário musical

Cenário musical

Com a criação do Estúdio MGB, da Mansão Galo Bravo, bandas terão mais espaço para produzir suas músicas

Músicos multifacetados e uma mistura de estilos são a marca registrada da Senhor X. A banda lançou, no final do ano passado, na Fnac  RibeirãoShopping, “Qual é a cara de X?”, álbum que traz uma junção de todo o material composto ao longo dos 15 anos de estrada do grupo ribeirãopretano. “Na realidade, o nome do disco remete a essa mistura que fazemos. Optamos por deixar para o público responder à pergunta: ‘Qual é a cara de X?’”, explica a vocalista Carla Viana.

O trabalho quarteto, formado pelo guitarrista Beto Leoneti, o baixista Beto Braz, o baterista Wellington Ruvieri e Carla Viana nos vocais, tem produção artística de Ale Balbo. “Sou fã da banda há muitos anos e admiro o talento da turma. São de músicos de primeira categoria, com um som que me agrada muito. Com influências de muito rock progressivo dos anos 70, quando se deu minha iniciação no mundo musical. Na verdade, o CD da banda já estava pronto, gravado, mixado e masterizado. Cheguei no final da festa, mas consegui participar e ajudá-los na finalização da arte gráfica, na produção do CD e na divulgação do material. Participei ativamente da produção executiva”, conta Balbo.

Mesmo com toda a miscelânea sonora, de uma coisa a banda não abre mão: a qualidade sonora. “Prezamos muito pela qualidade, tanto dos nossos shows, quanto das gravações em estúdio. As vezes rola de uma banda soar de um jeito no CD e de outro no show. Isso, de certa forma, acaba frustrando o público. Então, tudo o que produzimos em estúdio também foi pensado para ser executado ao vivo”, ressalta a vocalista.

Mercado de músicas autorais
O número que bandas que buscam produzir o próprio trabalho em Ribeirão Preto é cada vez maior e, pensando nisso, o produtor musical e gestor da Mansão Galo Bravo idealizou um espaço onde as bandas da cidade e da região pudessem produzir e gravar suas músicas. 

O administrador realizou uma reforma em um antigo estúdio que ficava na parte inferior da Mansão Galo Bravo. A reforma teve o projeto de acústica feito pelo Eng. Fernando Rassi, e consultoria de Eder Hanna. O Estúdio MGB, como foi batizado, fica em uma área gigante em meio à muita natureza.  “A carência de espaço para as bandas da cidade me deixava maluco. Eu precisava desse canto para produzir as bandas que acho interessante. A escolhida foi a Chavala Talhada, grupo de samba rock muito criativo, com ótimas melodias, levadas e letras. Logicamente, o estúdio também vai atender a outros artistas. Outro diferencial da empresa é a possibilidade de acomodar 15 pessoas em uma casa que está sendo reformada para atender, inclusive, artistas de outras cidades”, ressalta Balbo.

Na opinião da vocalista Carla Viana, o alcance da internet ajudou o mercado da música independente e, embora ela acredite que o processo seja lento, a situação é favorável às bandas. O Senhor X se apresentou recentemente no 2º Mansão Music, organizado pela Mansão Galo Bravo. “A proposta do Ale foi reunir artistas locais e regionais, dando espaço a todos. De certa forma, ele está enriquecendo esse ambiente musical em Ribeirão Preto”, exalta Viana.

Na opinião de Ale Balbo, existe um mercado de bandas na cidade e, embora muitas ainda toquem músicas cover (de outras bandas e cantores), este mercado precisa de espaço, da força da mídia e de credibilidade para investirem mais em músicas autorais. “É aí que eu entro: para somar esforços e ajudar para essa turma. Não dá para assessorar a todos, mas dá para contribuir com o movimento alternativo e, assim, todos se beneficiam” ressalta.

Sobre o produtor
Ale Balbo é formado em Adminsitração em Comércio Internacional, presidente do Clube Magic Gardens, gestor do Espaço Lecoq e da Mansão Galo Bravo, apresentador do Programa MansãoTV e produtor musical. Envolveu-se com a música aos 13 anos, quando comprou uma bateria. Passou por inúmeras bandas, chegou a se mudar para Santos, São Paulo e Rio de Janeiro. Teve o seu primeiro CD lançado pelo conceituado selo Virgin. Porém, as coisas não saíram do jeito que planejou.  Veio o filho e os conflitos com a banda. Assim, decidiu voltar para Ribeirão Preto depois de 10 anos fora. “Mesmo parando de tocar, a música sempre esteve do meu lado e tive outras inúmeras bandas na cidade e diversas gravações em estúdios, no qual aprendi muito os processos de gravação e produção. Acho que minha relação com a música é algo eterno e etéreo”, explica. 

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Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação

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