Ceoldo deixa o governo

Ceoldo deixa o governo

Alegando problemas de saúde e o desejo de retornar a São Caetano, Osvaldo Ceoldo deixou a Secretaria de Governo depois de permanecer por dois anos na administração municipal

Fato determinante para deixar a Secretaria de Governo foi sua família. O ex-secretário  optou por ficar mais próximo de casa, da esposa e dos filhos. Químico industrial por formação, Osvaldo Ceoldo construiu a carreira pela vocação. Foi a política que determinou o rumo de sua trajetória em mais de 40 anos. Nesse período, adquiriu uma bagagem que inclui um mandato de seis anos como vereador em Mauá (SP), integrou a administração da mesma cidade por quatro anos, trabalhou na Prefeitura de São Caetano do Sul (SP) em duas ocasiões e, por três oportunidades, fez parte do governo municipal de Ribeirão Preto. Atualmente, aos 59 anos, é filiado ao PPS, mas sem exercer a militância. Já passou por cinco partidos, contando o MDB e o PMDB como apenas um, e fez mais de 50 cursos de administração e de gestão pública. No dia 9 de abril, Ceoldo encerrou a terceira passagem pela cidade, desta vez na administração da prefeita Dárcy Vera (PSD). Foram mais de dois anos como membro do núcleo decisório da administração, período em que ocupou os cargos de coordenador de metas, secretário de Governo e membro do Comitê Orçamentário-Financeiro (COF).

Em seus 827 dias de permanência no atual mandato, Ceoldo se debruçou sobre o orçamento municipal. Analisou números, planilhas, tabelas e gráficos. Foram dele as propostas iniciais de uma drástica redução nas despesas, corte de gastos e a implantação do “orçamento negativo”. Foi ele, também, o responsável por apresentar o sinal de alerta na cidade em razão das dificuldades financeiras municipais. Pelas propostas ousadas e enfáticas, Ceoldo acumulou resultados e, também, opiniões favoráveis e contrárias ao seu trabalho. Virou alvo de críticas, muitas vezes, em razão da postura contumaz. Contestador, protagonizou debates dentro da própria administração, questionando o modelo de gestão e o encaminhamento de projetos. Com essapostura, obteve o respeito diante dos colegas e credibilidade junto à prefeita.

Para muitos, Ceoldo é lembrado por sua participação no governo de Luiz Roberto Jábali (PSDB) de 1997 a 2000. A análise de Ceoldo sobre o atual orçamento, no entanto, não se prende ao passado, é cirúrgica, com um posicionamento crítico, enfatizando a necessidade de uma gestão com mão de ferro para os cofres municipais. Para o ex-secretário de governo, esse é o maior desafio enfrentado pelo atual governo, a busca pelo equilíbrio entre uma receita já comprometida com as despesas. “Hoje, a receita real é inferior à despesa já contratada. As necessidades de gasto, de custeio, ultrapassam em R$ 150 milhões a receita disponível. Ainda há o passivo. De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, a administração tem que resolver essa dívida até o final da gestão. Duas operações são necessárias: primeiro, arrumar o passivo e, segundo, trabalhar dentro do limite orçamentário”, avalia Ceoldo.

Para o ex-secretário de Governo, o fato de se discutir o orçamento municipal e não analisar a receita é uma das grandes dificuldades enfrentadas por esta e outras gestões. Segundo Ceoldo, incorre-se no erro de avaliar um número ilusório. “O orçamento é uma soma geral e está perto de R$ 2,5 bilhões. Em números totais, a receita líquida bruta será entorno de R$ 1,9 bilhão. Esse é o dinheiro, o recurso que vai movimentar o governo. Ou seja, do orçamento bruto, o prefeito tem poder de gestão sobre aproximadamente 50% do valor. Da metade restante, mais de 90% estão comprometidos com pagamento de pessoal e o custeio da máquina. O que o prefeito tem para decidir sobre investimentos é um valor pífio”, analisa.

Ceoldo também esclareceu o conceito de “orçamento negativo”, proposta que fez à prefeita para disciplinar os gastos municipais. “Temos uma previsão de receita e uma de despesa. Neste ano, propus o orçamento negativo, algo novo. Se a
Secretaria da Fazenda, quando encerra o ano fiscal e começa um novo, termina com um orçamento deficitário, isso está espalhado por vários órgãos e secretarias do governo. Quer dizer que as secretarias gastaram e não pagaram, porque a receita não foi suficiente para quitar as dívidas. São os restos a pagar. O novo orçamento inicia e o secretário olha para o painel de previsão orçamentária e começa a empenhar (reservar recursos para compra de produtos ou serviços). Se o governo não tem controle, o secretário empenha tudo. Os secretários começam um orçamento novo, sem considerar que havia uma conta não paga, que há um cheque especial a pagar. No orçamento negativo, essa conta que sobrou é considerada e descontada no ano seguinte”, explica o ex-secretário de governo.

Ainda esperançoso quanto à reviravolta que o governo municipal precisa dar para superar a crise, Ceoldo aposta no capital humano como o principal contribuinte para que a Prefeitura de Ribeirão Preto supere os obstáculos a curto, médio e longo prazos. “Tem que trabalhar pensando que hoje a administração municipal, contando os inativos, possui cerca de 14 mil pessoas que dependem dos rendimentos. Se estas pessoas zelarem pela Prefeitura, para que ela fique de pé, de forma contributiva, a casa ficará, literalmente, arrumada”, conclui. Convicto de que um conjunto de medidas enérgicas poderá reverter o cenário econômico da cidade, o ex-secretário de Governo encerrou em Ribeirão Preto mais um capítulo de quatro décadas de atividades políticas.

 
 

Compartilhar: