Ciência do couro
A utilização da substância vegetal resulta em uma produção mais sustentável.

Ciência do couro

Processo de curtimento da pele bovina ou ovina pode se tornar mais sustentável a partir do uso do tanino extraído de plantas, como da árvore peruana Tara

Curtimento do couro de origem bovina ou ovina à base de tanino já é uma realidade, segundo o pesquisador Manuel Antonio Chagas, da Embrapa Pecuária Sudeste, e o estudante Carlos Eduardo Mendes Braz, pós-graduando no curso de química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O produto pode amenizar o impacto ambiental desse processo, realizado hoje, na maioria dos curtumes, com cromo, o que compromete o aproveitamento dos resíduos dessa atividade.

Pesquisador Manuel Antonio Chagas, da Embrapa Pecuária Sudeste.

A utilização da substância vegetal resulta em uma produção mais sustentável. A matéria-prima para isso é extraída de plantas como a Tara, originária do Peru. “O material curtido com tanino só apresentou maior fragilidade quando exposto a temperaturas acima de 250 graus Celsius, situação incomum no dia a dia”, revela. Na pesquisa, Manuel também reconhece que os ensaios físico-mecânicos e as análises estatísticas mostram que o couro curtido com tanino é tão resistente quanto o processado a cromo.

Carlos Eduardo Mendes Braz, pós-graduando no curso de química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Em uma segunda etapa, o estudo pretende apontar a destinação adequada ou o reaproveitamento dos resíduos do processamento do couro — curtido com cromo ou tanino. “Estamos avaliando a possibilidade de aproveitamento desses resíduos ou a forma mais eficiente de tratamento para que sejam descartados de forma segura. Já detectamos que não são indicados para fertilizantes, por exemplo”, acrescenta Carlos. 

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