Cinema Universitário
Filme será apresentado em 2013, no encerramento do Festival
Todo grande artista teve um começo, precisou de incentivo, teve dúvidas e incertezas sobre que caminho a seguir e em quem se inspirar. No cinema não é diferente. O diretor precisa de um roteiro, o roteirista precisa de inspiração para escrever, para rodar um filme é necessário uma equipe que ajude na captação das imagens, o diretor precisa de atores e, por último, de um lugar onde o filme possa ser exibido quando estiver finalizado. Tudo precisa ser bem planejado.
O Festival Brasileiro de Cinema Universitário, que incentiva a produção de estudantes de cinema através do “Projeto Sal Grosso”, nasceu a partir da realização conjunta de um curta-metragem, cuja equipe mista reunia estudantes de três cursos de Cinema então existentes no país: Universidade Federal Fluminense, Escola de Comunicação e Artes da USP e Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). Desse encontro, surgiu ¨Bem Vindo a Sal Grosso¨, filme de abertura da primeira edição do Festival, que inspirou a formação da Oficina de Roteiros como ponto de partida para que equipes com pessoas de diferentes universidades e regiões do Brasil cumprissem o desafio de, juntas, realizarem um curta que encerrasse o Festival do ano seguinte.
O roteiro “A Marca do Lobo” da estudante Bárbara Roma, aluna do curso de Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foi o roteiro escolhido para ser produzido por essa equipe, que terá um representante de cada universidade participante.
O roteiro
“A Marca do Lobo” retrata um momento na vida da personagem Ângela, que recentemente perdeu a filha pequena, Inês. A relação entre mãe e filha é abordada através de memórias, que insistindo em se fazer presentes, atormentam a mãe. Aos poucos, Ângela se vê incapaz de discernir os diferentes momentos de sua vida e sente seu presente consumido pelo passado.
Bárbara Roma conta que a criação do roteiro foi realizada de forma livre e espontânea. E assume que, mesmo acreditando no potencial do roteiro, ficou surpresa quando soube que “A Marca do Lobo” havia sido escolhido pelo grupo para virar filme.
"É apenas o segundo roteiro que escrevo e não imaginava que ele seria selecionado entre tantos outros. É uma alegria e uma responsabilidade produzir o filme, porque de certa forma as pessoas selecionaram o roteiro por acreditarem nele. Vou dar o meu melhor para realizar um bom filme junto com toda a equipe”, ressalta Roma.
Durante a produção do filme, cada universidade participante do projeto escolherá um membro da instituição para fazer parte da equipe que será dividida entre fotografia, som, arte e montagem. “As áreas de produção do filme serão realizadas por diferentes universidades de Audiovisual do Brasil e isso é super interessante”, comenta.
Incentivo
O “Projeto Sal Grosso” visa incentivar produções universitárias durante a realização anual do Festival Brasileiro de Cinema Universitário. Para Bárbara Roma, que pretende seguir carreira no cinema, o projeto é essencial para as produções cinematográficas. Na opinião da estudante, o cinema brasileiro devia ser dominado por novos profissionais, vindo das diversas universidades de audiovisual. “Os estudantes devem se sentir estimulados a entrar no mundo cinematográfico. E quando um festival se propõe a ver, discutir e a premiar produções universitárias, nos sentimos seguros para continuar na área e seguir produzindo filmes”, frisa.
“Se você quer fazer um filme. Faça-o! Não espere patrocínio, não espere circunstâncias perfeitas. Simplesmente faça-o”, já aconselhou o revolucionário diretor norte-americano Quentim Tarantino, o que reflete bem o tipo de produção de filmes universitários. Fazemos com o que temos, que não é muita coisa, mas nos arriscamos mesmo”, finaliza a roteirista.
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Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação