Clara Charf encanta plateia com sua simpatia
Viúva de Carlos Marighella, ela falou de suas histórias de vida com o militante
Antes mesmo de subir ao palco do Theatro Pedro II, Clara Charf, militante política e viúva de Carlos Marighella, foi abordada por várias pessoas que queriam tirar fotos com ela. Era um sinal do que viria a seguir, na Conferência de Clara com o tema “O livro e a leitura diante da condição da mulher no Brasil”.
Aplaudida de pé já ao entrar na Sala Principal do Theatro apoiada por bombeiros, Clara, de 87 anos, foi ovacionada ao final do encontro, em que esbanjou muito bom humor e vitalidade.
A palestrante foi aplaudida dezenas de vezes durante os 90 minutos de bate-papo e fez questão de falar que segue lutando por um mundo mais justo e feliz. “Sou comunista desde pequena por conta de um amigo dos meus pais que era membro do partido, eu achava interessante e defini minha vida de lá para cá”, afirmou Charf.
A biografia de Marighella, lançada recentemente pelo jornalista Mário Magalhães, também foi assunto no evento. Uma jovem da plateia que tinha um exemplar do livro levou a biografia até Charf, que fez questão de mostrar ao público e elogiar o autor.
Ela disse que, quando se tornou militante, as mulheres adquiriam conhecimento exclusivamente através dos livros. Clara contou como foi presa em Campinas na época da ditadura. “Eu ia criar um curso na cidade e andava com uma com uma mala cheia de livros. Chegando lá na rodoviária fui recebida por uma pessoa que era procurada pela polícia, mas quem acabou presa fui eu.”
A militante também contou como ela e Marighella, sempre na clandestinidade, dividiam tudo, até as funções domésticas. Lembrou que um dia ele chegou em casa e ela estava passando roupas. “Ele me disse, então, para que eu não passasse mais roupa quando ele não estivesse. Eu perguntei o motivo e Marighella respondeu que queria ler para mim em voz alta todas as vezes que eu passasse roupa.”
No final da Conferência, o público pode fazer perguntas. Um dos assuntos abordados foi a morte de Marighella. Emocionada, ela contou que no dia da morte do companheiro ela estava na casa de um amigo à espera de Marighella, que estava atrasado.
“De repente, o meu amigo chegou dizendo que precisávamos ir embora, me levou para o seu carro e foi ali que eu soube do assassinato.” Segundo Clara, muitos fatos envolvendo o assassinato continuam desconhecidos. Por isso, ela ainda luta para desvendar toda a história.
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Fotos: Divulgação