Com cobranças, tem início a Fenasucro
Representantes do setor sucroenergético cobraram do governo federal mudança na política sobre energia alternativa
Com cobranças ao governo federal para que faça mudanças na política energética e revise os preços da gasolina, foi aberta nesta terça-feira, 26, a 22ª edição da Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética (Fenasucro), em Sertãozinho.
Estiveram presentes na solenidade de abertura alguns políticos que disputam a reeleição em outubro, como o senador Eduardo Suplicy (PT), os deputados federais Arlindo Chinaglia (PT), vice-presidente da Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim (PPS), e Duarte Nogueira (PSDB), e os deputados estaduais Baleia Rossi (PMDB), candidato a federal, e Welson Gasparini (PSDB).
A secretária de agricultura, Mônika Bergamaschi, representou o governador Geraldo Alckimin (PSDB), que não pode participar por problemas de saúde.
Antes do início da abertura, houve uma conferência com representantes do setor, comandada pelo presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, falando que mesmo com a crise, a cana é a solução para o setor energético, com o uso do etanol e da biomassa.
Nastari apontou o clima adverso e os impactos operacionais do governo, como a manutenção dos preços dos combustíveis fósseis, como os causadores do momento negativo. "A defasagem no preço da gasolina chega a 20,15%. O Brasil está vivendo a mesma situação dos anos 1970, que proporcionou o início programa Próálcool”, afirmou.
O representante do Datagro apontou o aumento do endividamento das usinas, produtores e indústria de base como as consequências do problema. "Os investimentos só vão voltar se for eliminada a desconfiança que os empresários estão passando", disse.
Cerimônia de abertura
Na cerimônia de abertura, o presidente da Canaoeste/Orplana Manoel Ortolan, contou que o setor sucroenergético não está parado, pois estão investindo em pesquisa tecnológica, porém pediu para os políticos uma colaboração mais efetiva para o setor.
O presidente do Centro das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br) Antônio Tonielo Filho, destacou que para se montar uma feira do porte da Fenasucro, considerada uma das maiores do mundo no segmento, é necessário se esquecer da crise. “A feira quebra a crise, mas ela está por aí”, aponta.
Ele lembrou que para contornar este cenário as indústrias estão vendendo para o exterior, mas por causa da crise econômica internacional, as usinas optaram por comprar produtos mais baratos oriundos da Índia e da China. “Muitos não compravam deles por falta de confiança no equipamento, agora como as usinas estão sem dinheiro, compram. Mas os produtos da Índia e da China têm uma carga tributária menor que a nossa, e são feitos com mão-de-obra quase que escrava”, apontou Tonielo.
O prefeito de Sertãozinho, Zezinho Gimenez (PSDB), foi outro que discurso e acusou a presidente Dilma Rousseff (PT), de não gostar das formas de energia limpas, atraindo aplausos dos presentes. “A decisão para reverter a crise é só política”, comentou.
Defesa do governo
Para contrapor as vozes que apontaram inoperância do governo federal para reverter a situação, e reajustar o preço da gasolina, que teria impacto positivo na cadeia sucroenergética, o senador Eduardo Suplicy (PT) disse que está atento a essas questões, junto com a União, mas que o aumento dos preços dos combustíveis afetaria diretamente a economia nacional.
“Estive no Irã, e lá houve aumento nos preços dos combustíveis fósseis. Para não prejudicar tanto a população, eles aprovaram uma renda básica, para que a interferência na economia não fosse muito grande”, contou.
Já a secretária estadual da agricultura Mônika Bergamaschi, concordou que os incentivos econômicos são necessários para que os empresários continuem a investir, mas segundo ela, para aumentar a produtividade é preciso que os produtores busquem novas variedades de cana.
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Leonardo Santos (Colaborador)
Fotos: Rafael Cautella/Divulgação Fenasucro