Combinação clássica
Foram os franceses, da região de Provence, os primeiros a ficarem famosos pela saborosa combinação entre queijos e vinhos
A harmonização entre queijos e vinhos é antiga e já conquistou adeptos no mundo todo. Segundo especialistas, foi na França que essa combinação ganhou força e se tornou tradicional. “Alguns povos, certamente, já bebiam vinho enquanto consumiam queijos, porém, o hábito se tornou praticamente uma arte quando caiu no gosto dos franceses. Como diz o ditado popular, nas vinícolas francesas, ‘para vender vinho, sirva queijo’”, brinca o sommelier André Luiz Pereira, do Armazém Geral.

É importante lembrar, no entanto, que cada queijo, assim como os vinhos, possui características particulares que o coloca dentro de determinado grupo. Além disso, mesmo entre queijos do mesmo tipo, de produtores diferentes, pode haver mudanças significativas no sabor. Mais do que qualquer outro fator, as preferências pessoais devem ser sempre respeitadas. “Alguns cuidados são necessários na hora de comprar queijos e vinhos. O segredo é encontrar qualidades complementares em cada um deles, e não que roubem o sabor um do outro”, expõe o sommelier.
Tanto o brie quanto o camembert, por exemplo, combinam muito bem com vinhos brancos encorpados e com boa acidez, como é o caso dos rótulos produzidos com a uva Chardonnay. Esses queijos também são bons pares para tintos leves, como Pinot Noir, Gamay ou Tempranillo sem passagem por madeira. Já queijos mais duros, como os do tipo parmesão e grana padano, pedem vinhos encorpados, de sobremesa ou amadeirados, como Malbec, vinho do Porto ou Syrah, do Novo Mundo. “Esses queijos têm uma nota adocicada no paladar, por isso, precisamos de vinhos leves, ácido e frutados, principalmente, das castas Riesling e Sauvignon Blanc”, explica o especialista.
De acordo com André, é preciso ter cuidado com as harmonizações em função da intensidade que os queijos geralmente carregam. “Para estabelecer uma ordem, é bom considerar o corpo, a acidez, o volume e a intensidade dos sabores. Vale a pena observar, ainda, a duração dos sabores na boca, incluindo, neste critério, os aromas no retrogosto. Tudo isso dá uma ideia de que ordenar não é tão simples quanto deveria ser”, finaliza o especialista.

