Comércio fortalecido

Comércio fortalecido

Polo regional de comércio e de prestação de serviços, a 31ª cidade mais rica do país atende a uma população estimada em mais de 2,5 milhões de pessoas de 66 municípios

Com desenvolvimento econômico em ritmo acelerado, Ribeirão Preto é polo regional de comércio e de serviços, setores que também impulsionam o mercado de trabalho, responsáveis por empregar 77% dos trabalhadores formais da cidade. Isso é o que aponta a Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), com base no levantamento da soma das riquezas geradas no Município que, em 2014, alcançou R$ 22 bilhões. A diversidade comercial, com lojas na região central de praticamente todos os segmentos, atrai consumidores estimados em mais de 2,5 milhões de pessoas, de 66 municípios de sua mesorregião.

Para atender a um público tão diversificado e exigente, a cidade procura oferecer melhor estrutura de recepção e também de apoio às milhares de pessoas que chegam todos os dias em busca de novidades em produtos, como calçados, vestuário, alimentação, acessórios, bijuterias, bolsas, entre tantos outros setores. De acordo com informações da assessoria, a Prefeitura de Ribeirão Preto vem trabalhando para revitalizar toda a região central e oferecer mais comodidade à população, consumidores e visitantes. Entre as principais, ações destaca-se a conclusão da obra de combate às enchentes, a revitalização do Calçadão e a construção do terminal de ônibus urbano, ao lado da rodoviária.

Além disso, já proibiu o comércio de ambulantes no centro, exceto as feiras de artesanato e artes, vinculadas a programas da Secretaria Municipal da Cultura. Para abrigar e formalizar os ambulantes, que antes trabalhavam nas ruas, a administração criou o Shopping Popular, instalado na rua General Osório, 52. Inaugurado em 2013, o espaço conta com 93 boxes, em uma área útil de 1.500 m², dividido em três pavimentos. O prédio tem banheiros femininos, masculinos, áreas exclusivas e adequadas para alimentação e área administrativa.

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), Antonio Carlos Maçonetto, a principal proposta para atrair os consumidores ao centro já está sendo colocada em prática: a reforma do Calçadão. “Assim que o piso for todo trocado e a antiga iluminação der lugar às lâmpadas de Led, o local certamente será um espaço mais bonito, seguro e convidativo”, estima o presidente. Outro ponto importante apontado por ele é a questão das vagas de estacionamento. A Acirp defende que seja fomentado o empreendedorismo, com a criação de mais estacionamentos particulares. “Além de suprir a demanda por vagas, a maior concorrência fará os preços caírem”, avalia Maçonetto.

Além da criação de mais estacionamentos particulares, ele ressalta a necessidade de que a fiscalização das áreas azuis seja eficiente, limitando o tempo dos veículos estacionados e multando as irregularidades. Outro ponto são as campanhas, como o Natal Luz Premiado, promovido pela Acirp e entidades parceiras. “As promoções são um incentivo ao consumo, pois agregam valor à compra”, reforça Maçonetto.

União de forças
Paulo César Garcia Lopes, lojista e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (Sincovarp), acredita na união de forças das entidades que atuam diretamente junto ao desenvolvimento do comércio. Representante legal do comércio ligado à Federação do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Sincovarp também tem como parceiros a Acirp, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e o Fórum das Entidades de Ribeirão Preto e Região (Ferp).

Juntos, segundo ele, sempre trabalharam para a melhoria do comércio varejista, tanto para o lojista quanto para o consumidor. Desta forma, procuram detectar os problemas e fomentar as melhorias que podem ser feitas. “Realizamos o que está ao nosso alcance. O que é competência do poder público, procuramos levar ao conhecimento das autoridades. Reivindicamos, ajudamos a encontrar os caminhos para viabilizar as soluções e acompanhamos o andamento para cobrarmos agilidade, se necessário”, enumera Paulo. Entre outras ações, o presidente sindical lembra que também é preciso aprimorar a infraestrutura e o conforto para o consumidor, eliminando as barreiras arquitetônicas e implantando medidas de acessibilidade.

Preocupado com o fortalecimento do setor e o bom atendimento, o Sincovarp criou uma grade de palestras que acontecem até setembro. A primeira delas aconteceu no dia 26 de agosto, com o tema “Como vender mais, melhor e com menor custo, em tempos de crise”, ministrada por Marcelo Baratella, especialista em vendas e gestão de alta performance. “Nosso objetivo é trazer informação qualificada e relevante, e apresentar ferramentas que ajudem o lojista a vender mais e a administrar seus negócios em meio às dificuldades impostas pelo atual cenário econômico. Vamos fazer o que pudermos para apoiar o comércio varejista”, explica Paulo.

Centro de compras
Sem ter, ainda, dados oficiais do montante que esse volume de vendas representa no total do Produto Interno Bruto (PIB) do Município, Ribeirão Preto segue como importante polo regional de compras e entretenimento, como aponta Rosalinda Chedian (à direita), economista e integrante do Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais (IPCCIC). Esse cenário positivo atrai comerciantes de todos os segmentos, como Sandra Gimenez (abaixo à esquerda), que, há 30 anos, resolveu criar o Armarinhos Gimenez, oferecendo uma gama de produtos e serviços para costura, decoração, artesanato, entre outras áreas. Inaugurada em 1985, inicialmente com a venda de máquinas de tricô e fios para malharia, diante da demanda de produtos para aviamentos e armarinhos, a loja foi incrementando seu mix.

Hoje, são mais de 13 mil itens, incluindo tecidos para patchwork, decoração de paredes e ambientes, além de lycras para moda fitness, praia e lingeries. Apesar da atual crise econômica, Sandra revela que trabalhar no centro ainda é vantajoso pela diversidade e pelo fluxo maior de consumidores que passam todos os dias pela região. “Na nossa carteira de clientes, temos aproximadamente 40% de consumidores de fora de Ribeirão Preto”, frisa a empresária. Para atender a essa demanda, a loja se modernizou, principalmente em relação à comunicação, ampliada por meio das redes sociais, e à globalização, que os obriga a ter uma personalização de bom atendimento para manter a clientela.

Preocupada em oferecer melhor acesso a seus produtos, a empresária Débora Alves Faria (à direita), da Bolo & Arte, pesquisou bastante antes de abrir a loja no centro. Como a falta de vagas de estacionamento é grande, procurou um local que fosse acessível a todas as pessoas, independente se chegassem de carro ou a pé.

“Nesse sentido, o centro foi o bairro satisfazia esse quesito tão importante. Encontrei um imóvel na rua São Sebastião, que tem estacionamento próprio para dois carros”, explica Débora. Além da falta de vagas para estacionar, Débora observa que o alto preço dos estacionamentos, muitas vezes, faz com que as pessoas deixem de ir ao centro e tentem outro meio para satisfazer sua necessidade de compra, como, por exemplo, o shopping ou as compras pela internet.

Inaugurada há um ano, a loja aposta na qualidade do produto e no bom atendimento para passar pela crise atual. “Todos estão brecando seus gastos e já houve tempos melhores, mas, a cada dia, está melhorando, uma vez que mais clientes estão conhecendo e gostando dos produtos caseiros que a Bolo & Arte oferece”, reforça Débora, lembrando que, da ideia à inauguração, tudo foi muito bem planejado. Foi um ano de estudo, de preparação, muita degustação, até chegar à escolha do cardápio inicial. “Estou muito feliz com o ponto, pois, a cada dia, vejo e sinto os frutos nascendo. É muito gratificante, quando, por exemplo, chega uma senhorinha de 87 anos e fala que a rosca que você faz é igual a que ela fazia para os filhos”, destaca Débora. 

 



Principais gargalos

Entre os principais gargalos que inibem o fluxo de pessoas no centro de Ribeirão Preto, a economista Rosalinda classifica três pontos principais: a segurança, a conclusão das obras do Calçadão e a falta de vetores de estímulo à ida ao centro e à permanência para usufruir o que a cidade oferece naquela área. Para ela, algumas ações imediatas podem ser adotadas, mas envolvem comprometimento dos diversos setores da sociedade, que devem se unir em prol do objetivo da recriação do centro ribeirãopretano, a exemplo da Transerp, dos comerciantes, da Polícia, da Prefeitura Municipal e de empreendedores.

Transformar o centro em área de compras e de alimentação, à semelhança de um shopping a céu aberto, além de oferecer eventos culturais, significa recriar um centro com atividades 24 horas, como observado em Curitiba e em outras cidades. São alternativas para deslocar o eixo de geração de renda e de riqueza dos serviços da cidade, que hoje está concentrado em ambientes fechados, como os shoppings, para a liberdade que o espaço propicia em comunhão com a natureza.

Ao longo dos anos, o movimento sofreu impacto significativo, pois os vetores positivos foram convergidos aos shoppings, o que provocou esvaziamento no centro da cidade. “Segurança, climatização e empreendimentos-âncora são ingredientes que estão circunscritos a esses ambientes fechados, além do constrangimento que as pessoas sentem para fluir no centro, devido à falta de árvores e de atrativos, uma vez que o ambiente está degradado e as obras inacabadas acentuaram, mais ainda, este cenário”, critica Rosalinda.

Tendo em conta o fluxo de veículos que circulam no centro da cidade, na maioria das vezes apenas como rota e não como fim, devido à falta de vagas, Rosalinda explica que é preciso pensar em verticalização espacial para suprir a demanda existente e planejada para mais 20 anos à frente, pelo menos. Locais próximos ao terminal de ônibus com a Avenida Caramuru, nas proximidades da Catedral e do Teatro Pedro II, perto do Studio Kaiser, segundo ela, facilitariam a movimentação das pessoas, transformando a área central exclusivamente para pedestres e para a realização das atividades sugeridas.

Para atrair a população, a economista aponta a necessidade de uma ação comum, em que preços relativamente menores que os praticados em shoppings, arrumação de locais com nichos especiais de produtos e serviços (áreas planejadas), bens de qualidade, vitrinas atraentes, plantas e excelente acolhimento são fatores que serviriam de imã à clientela. “Podemos aproveitar alguns espaços existentes no centro — e que carecem de restauração — para oferecer à população um mercado típico dos serviços de artesanato local e regional, bem como de produtos gastronômicos, músicas e danças folclóricas. Seria interessante pensar num modelo como o Mercado Modelo de Salvador, ou de Recife, ou de outras cidades do Nordeste do país”, sugere.

Em relação ao comércio ambulante, Rosalinda aponta dois pontos essenciais. Primeiro, caberia uma análise de viabilidade técnico-econômica para recuperação do Mercadão e sua ampliação versus uma nova edificação para abrigar os ambulantes. Segundo, propor um tempo limitado de atuação aos ambulantes no espaço coberto até a obtenção de alvará para legalização de seu trabalho ou a concessão pela Prefeitura para que esses ambulantes se fixassem, negociando o parcelamento dos encargos para o exercício profissional. “É preciso pensar a criação de um Mercadão alternativo e inovador”, conclui a economista.

Texto: Rose Rubini 

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