Comércio na internet

Comércio na internet

E-commerce foi assunto de workshop, realizado na última quinta-feira

Estima-se que no Brasil 83 milhões de pessoas já possuam acesso à internet e cinco milhões desses internautas já compraram algum tipo de objeto on-line. Segundo o analista de varejo do Google, Aluísio Marins, até 2015, o Brasil ocupará a 4ª posição no ranking dos maiores países do e-commerce (comércio eletrônico). O workshop "A revolução do e-commerce no Brasil", que aconteceu no último dia 17 de maio, reuniu profissionais dos diversos setores para falarem sobre o assunto.

“As pessoas querem conforto e almejam comprar sem sair de suas casas. Por esse motivo o comércio eletrônico no Brasil só tende a crescer. Hoje nós temos uma penetração de 40% no meio virtual do total da população, e se a gente parar pra pensar, estados como Rio Branco, Tocantins e alguns outros, ainda não estão muito preocupados com o comércio eletrônico, pois lá o que vale é o comércio físico, então existe toda uma demanda reprimida nesses lugares. Quando esses estados passarem a comprar pela internet, o número de vendas nesse meio vai aumentar consideravelmente”, explica Aluísio Marins, Analista de Varejo do Google.

Devido à velocidade em que ocorrem as mudanças nesse tipo de tecnologia, é possível prever o que o futuro reserva para o mercado de compras virtuais. Hoje, através dos mais variados aplicativos, as compras já podem ser realizadas via internet, pelo celular ou tablet. Com estas mudanças, o termo e-commerce passará a ser conhecido como “everywhere commerce” (comércio em todo o lugar).

A alteração do termo é pertinente. De 2010 para o 2011, o número de acessos à internet via celular saltou de 20,6 milhões para 41,1 milhões de acessos à banda larga móvel. “Hoje o celular é a porta de entrada do brasileiro na internet, e não mais o computador. Eu acho que internet móvel é o caminho e não tem como escapar disso. Quase tudo já pode ser feito pelos dispositivos móveis”, afirma Marins.

Do real ao virtual
A exemplo disso, a loja virtual multimarcas Netshoes, em 2007, decidiu fechar suas oito lojas para atender os seus clientes somente pela internet.

Para Roni Cunha Bueno, diretor de marketing da loja, o e-commerce, ou everywhere commerce, é considerado a experiência de compra do futuro. “A principal diferença entre o e-commerce e o varejo é que o primeiro é focado somente em serviço e o foco do varejo é somente as vendas. Então todos os esforços do e-commerce são para melhorar a experiência do consumidor, para que o consumidor encontre tudo o que ele quiser, do modo como ele quiser e no horário em que ele quiser, enquanto o varejo tradicional, foca em vender o que ele comprou para aquele consumidor. É uma reflexão diferente”, aponta o diretor.

Roni explica que foi preciso focar o que realmente era importante para a empresa e, a partir disso, colocar em prática os planos para a plataforma virtual. Só assim a empresa pode se tornar a maior loja virtual da América Latina. Segundo o diretor de marketing o segredo foi o atendimento diferenciado aos clientes da loja. “Cada cliente que acessa o site vê a loja de acordo com o seu perfil e as suas atividades de interesse. Se o cliente joga futebol, ele não verá produtos de volei”, explica Roni.

Na opinião de Pedro Reiss, sócio-diretor da agência F.biz, responsável pelo site da Netshoes, a tecnologia em si não é uma forma de estratégia. Para ele, se a internet não servir para o propósito do negócio, ela não desempenhará sua função corretamente, pois a abrangência dessa tecnologia é infinita. “Hoje você tem um consumidor que usa o computador em casa e acessa a internet pelo celular na rua. Por isso, estar dentro dessa tecnologia te ajuda a estar em todos os lugares para falar com esses consumidores”, aponta Reiss. 

A visão de negócio da Netshoes, quando fechou as suas lojas em 2007, era muito clara: uma loja para cada pessoa. “Como a loja já tinha uma visão de negócio, o meu papel ficou mais fácil, pois já sabia como utilizaria a tecnologia para fazer tudo acontecer. Se eles só quisessem ter uma loja on-line, seria uma loja como as outras, não iria ser uma inovação, a inovação só veio porque eles queriam uma loja que fosse personalizada. Aí entrou o meu papel, e para isso a tecnologia é importante, pois ela não deve ser o começo, deve ser o meio”, finaliza Reiss.

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Texto: Bruno Silva
Fotos: Carolina Alves

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