Comida: amiga ou vilã?
Transtornos alimentares são muito comuns e exigem cuidados médicos, pois podem levar à morte
Em meados da década de 80, a Princesa Diana teve um quadro de anorexia e de bulimia. Karen Carpenter – cantora e baterista da dupla The Carpenters - morreu em 1983 pesando 35 kg. A atriz Mary Kate Olsen foi internada aos 18 anos com anorexia. Em 1997, Daniel Johns - vocalista da banda Silverchair - também teve anorexia. A cantora de música alternativa, Fiona Apple, é conhecida por sua magreza doentia.
O padrão internacional de beleza exige modelos de corpo magro e a maioria das pessoas já ouviu falar sobre muitas que adoeceram nessa busca obsessiva por magreza, como a modelo Ana Carolina Reston, que faleceu em 2006 por anorexia nervosa.
A existência dos transtornos alimentares não é novidade alguma, mas são poucos os que conseguem reconhecer um caso e, menos ainda, os que sabem como tratar. Em 90% dos casos, os transtornos alimentares ocorrem com mulheres, mas é importante lembrar que além da anorexia, existe também a bulimia, a compulsão alimentar e a ortorexia.
Em 1982, o Ambulatório de Nutrologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto fundou o GRATA - Grupo de Assistência aos Transtornos Alimentares. O grupo conta com nutricionistas, psicólogos, psiquiatras, enfermeiros e terapeuta ocupacional. Oferece tratamento especializado com atendimento individual e em grupo para o paciente e sua família.
A arquiteta Paula Russo, veio de Portugal, com 15 anos, para tratar sua anorexia nervosa. "Eu gostava de me ver cada vez mais magra, porém não tinha noção total da minha magreza", conta.Para a arquiteta é difícil dizer como se desencadeia esse distúrbio. Em seu caso a fase de mudanças hormonais da adolescência e a sua personalidade podem ter influenciado. "Eu nunca fui uma garota gorda, longe disso. Acho que sempre fui exigente comigo mesma para a perfeição e isso acabou influenciando. Tinha essa sensação de que era muito exigido que eu fosse perfeita, mas na verdade era eu mesma quem me impunha isso", complementa.
Alguns casos
Identifica-se, facilmente, que uma pessoa sofra de anorexia quando ela perde uma quantidade significativa de peso em pouco tempo, fazendo exercícios em excesso e, mesmo estando muito magra, tendo comportamento de quem se acha gorda, mentindo em relação a já ter comido, tendo sonolência excessiva e baixos níveis de energia.
No caso de bulimia, o indivíduo se alimenta compulsivamente e, em seguida, induz vômitos ou toma laxantes e diuréticos. A bulimia está ligada a uma fraca auto-estima e muito baixa auto-confiança. Bulímicos comem compulsivamente em segredo, vomitam em segredo e costumam deixar o chuveiro ligado para disfarçar, têm dores de garganta freqüentes e costumam ter problemas dentários (ambos causados pelo hábito de induzir vômito).
A compulsão alimentar pode acontecer com qualquer tipo de pessoa. Quem sofre desse transtorno consome grandes quantidades de comida de uma só vez e várias vezes ao dia, mesmo quando não tem fome. O indivíduo passa a esconder comida para episódios de voracidade, come quando está sob pressão, sente-se culpado após um episódio de voracidade e come até sentir-se cheio e desconfortável.
A atitude mais apropriada em qualquer um desses casos e consultar um nutricionista e seguir um regime saudável para manter um corpo saudável. Mas isso também pode se tornar uma doença.
Algumas pessoas ficam obcecadas com dietas e acabam por desenvolver a ortorexia, fixando regras dietéticas a ponto de se isolar das outras pessoas, preocupndo-se em comer alimentos que podem não lhe fazer bem, examinando tudo o que há no alimento e perdendo muito peso sem seguir conscientemente uma dieta.
Revide Online (Colaboradora: Gabriela Castilho)