Comunicação sem fronteiras

Comunicação sem fronteiras

Dominar outros idiomas é fundamental para acompanhar o ritmo acelerado da comunicação

Não é preciso sair de casa para entender que dominar outros idiomas, ou pelo menos ter uma boa noção de línguas estrangeiras, é fundamental para acompanhar o ritmo acelerado da comunicação. Basta acessar a internet — sendo ela mesma uma palavra globalizada — para entender que não há mais barreiras capazes de impedir a influência de diversas línguas sobre o português ou sobre qualquer outro idioma falado mundo a fora. O rompimento de fronteiras geográficas que seguiu a globalização, tanto econômica quanto culturalmente, permite cada vez mais interação com pessoas dos mais variados cantos do mundo. Para participar desse processo, é imprescindível investir no conhecimento de outros idiomas.

Neste sentido, o inglês merece destaque. O idioma serve como referência para a comunicação global e deve permanecer nesse posto por muito tempo, mas os dados brasileiros referentes ao domínio do inglês não são muito animadores. Segundo pesquisas de 2012 e de 2013 de diferentes institutos, apenas 5% dos estudantes do país possuem proficiência no idioma — ou seja, fluência na escrita, na fala e na leitura. Entre os executivos brasileiros, este índice atinge 8%. Apesar de ter subido no ranking mundial, os brasileiros ocupam apenas a 38ª posição quando se trata da fluência no inglês, o pior resultado entre os países que formam o BRICS, por exemplo, que são Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Nas escolas públicas e em muitas instituições particulares, o idioma estrangeiro não recebe a devida importância, ou pelo menos não recebia até pouco tempo atrás. Isso talvez explique o surgimento de um mercado promissor em solo nacional, o das escolas de idiomas. Segundo dados atualizados em dezembro de 2013, este nicho tem um tamanho estimado em cerca de R$ 3,5 bilhões, tendo crescido consideravelmente nos últimos anos e com boas perspectivas de expansão.

A empresária e professora de inglês Sônia Prado, proprietária e diretora da PBF e do sistema Fisk em Ribeirão Preto, acompanha o interesse dos ribeirãopretanos pelo inglês há 38 anos, quando começou a atuar nessa área. “Sempre sonhei em dar aulas e hoje me sinto realizada ao ver meus alunos e ex-alunos conquistando seus sonhos, pois sei que contribui para isso. Vê-los se desenvolvendo me dá mais vontade de seguir nessa trajetória de amor e dedicação”, afirma Sônia. Do início de sua história até agora, o ensino do inglês, que já era muito importante, deixou de ser diferencial para se tornar indispensável. Outra mudança que a professora observa são as ferramentas em sala de aula. “Antigamente, nossos recursos eram apenas livro, caneta e lousa. Hoje, há uma infinidade de recursos mais atraentes e atuais, que só contribuem para facilitar o processo de ensino e de aprendizagem”, opina Sônia.

Para ela, a consciência sobre a necessidade de aprender inglês é cada dia maior entre pais e filhos. “Somos procurados por pais que querem ir familiarizando seus filhos com o idioma desde os quatro aninhos, o que facilita muito a continuidade do desenvolvimento”, garante a professora, destacando que, neste momento, a metodologia correta é fator primordial. Na PBF, são utilizadas atividades bem diversificadas, como recorte, colagem, pintura, música e jogos. “Nossos resultados já mostram que, dessa forma, o aprendizado acontece de maneira gradativa, espontânea e significativa”, salienta Sônia. Mas os adultos também têm vez na escola, que está preparada para atender necessidades como conversação imediata por meio de expressões e frases situacionais, por exemplo.


Essa diversidade permite que a família toda faça aulas de inglês na PBF. É o caso de Flávia Gregorin, mãe de Marcela e de Matheus. O trio faz aulas em turmas diferentes, mas em dias e horários que facilitam a vida da família inteira. Além de estar satisfeita com seus resultados pessoais, Flávia fica ainda mais feliz ao ver a evolução dos filhos. “Na última viagem que fizemos ao exterior, a Marcela conseguiu se comunicar muito bem em todas as situações. No aeroporto, nos parques, nos restaurantes: ela se virou com independência em todos os lugares que fomos. O Matheus prefere aproveitar as aulas para aprender os vocabulários presentes em suas músicas preferidas. Assim, posso dizer que os dois estão tirando ótimo proveito das aulas de inglês, que é fundamental no mundo globalizado de hoje”, avalia a mãe, orgulhosa.

Foi ainda na adolescência que Patrícia Marques de Oliveira tomou gosto pelo inglês. Formada em Letras, há 11 anos a professora integra a diretoria do Jack and Jill ao lado de Alex Nunes, Nelson Avanci Jr e Maria Stella Meirelles Villela. Foi na mesma escola, onde estudou desde os 15 anos, que acabou descobrindo sua vocação profissional. “Aos 16, fiz minha primeira viagem aos Estados Unidos, junto a um grupo acompanhado por Nilah Villela Nunes, idealizadora do Jack and Jill, e me apaixonei de vez, tanto pela escola quanto pelo idioma”, relembra a atual coordenadora pedagógica da escola.

Patrícia explica que a metodologia prioriza a conversação desde os primeiros livros. Segundo a professora, a necessidade de se investir no idioma é cada dia mais reconhecida pelos pais da nova geração, que querem que os filhos estejam familiarizados com o inglês cada vez mais cedo. O Jack and Jill trabalha com alunos de 5 a 17 anos, mas também atende a jovens e adultos com aulas individuais. “Nossos resultados, frutos de um trabalho marcado pela dedicação, são reconhecidos pelos ex-alunos que escolhem nossa escola para seus filhos e netos”, afirma a coordenadora. Este é o caso de Lut Whady Neto, aluno do Jack há 12 anos. “Sou muito grato à escola por ter me proporcionado uma excelente pronúncia e fluência e pelo conhecimento da língua. Tenho certeza de que estou preparado para o mercado de trabalho e também para qualquer relacionamento internacional”, avalia o aluno.

Ensinar inglês também foi a escolha de Paula Giacchetto, que, desde 2010, dirige o Brasas English Course em Ribeirão Preto. A professora, que acumula 12 anos de experiência na área, começou a estudar inglês na adolescência. “Sempre tive interesse em conhecer outras culturas. Por isso, acabei encarando um intercâmbio, ainda jovem, para o Canadá e o inglês foi uma consequência disso”, relata Paula. Segundo ela, o interesse por outros idiomas é crescente no Brasil. Para quem ainda não está certo sobre encarar esse desafio, Paula convida a dar o primeiro passo. “O mais difícil é começar, pois o inglês não é tão complicado quanto pode parecer. Seja ainda criança ou já adulto, este aprendizado pode ser muito divertido”, garante a professora.

Este foi o caso do aluno Isaías Ribeiro. O economista, que trabalha como gerente distrital em uma indústria farmacêutica, sempre teve vontade de investir em um outro idioma, mas a oportunidade só surgiu em fevereiro de 2011. “Decidi, finalmente, iniciar o curso depois de uma aula demonstrativa no Brasas. Antes disso, não tinha nenhum contato com outro idioma”, afirma o economista, que também tem os dois filhos estudando na escola, o que, segundo ele, facilita a conversação em casa. Isaías reconhece a importância do conhecimento da língua nos dias de hoje. “Além da internet, que nos aproxima de pessoas de outras nacionalidades, o inglês é primordial para quem está inserido no mercado de trabalho. Quem almeja cargos mais altos nas empresas em que atua precisa conhecer a língua inglesa”, acrescenta Isaías, que garante que nunca é tarde para começar.

A vez do francês
Entre os brasileiros, o espanhol vem em segundo lugar na procura por conhecimentos em outros idiomas, mas entre os ribeirãopretanos, foi o francês que ganhou maior destaque nos últimos tempos. Isto porque a Seleção Francesa estará hospedada no Município durante a Copa do Mundo de 2014, que acontece entre 12 de junho e 13 de julho. Segundo a professora Suraya Philbert Saba, que também é tradutora pública e diretora da escola de francês Bonjour Paris, a procura pelas aulas de francês aumentou cerca de 20% desde que os visitantes europeus foram confirmados. “Esse interesse surgiu não só por parte daqueles que poderão trabalhar diretamente com os estrangeiros. Muitas pessoas que já tinham vontade de aprender se animaram a investir no novo idioma, o que com certeza ajudará a fazer novos amigos, a informar os turistas e a trocar experiências”, afirma Suraya.

Em 25 anos como professora em Ribeirão Preto, ela comemora a diversidade atual entre os alunos. “No início, éramos muito procurados por pessoas da alta sociedade interessadas em falar francês para viagens e também por estudantes. Hoje, além desses públicos, ensinamos profissionais que querem garantir um diferencial no currículo ou viajar sem passar aperto para se comunicar”, aponta. A professa garante que o francês não é um bicho de sete cabeças. “Por se tratar de uma língua latina, tem uma estrutura parecida com o português e traz resultados rápidos. Gramática e pronúncia podem ser aprimoradas com o tempo”, tranquiliza Suraya. Atualmente, a Bon Jour Paris também está atendendo a turmas corporativas, cujos funcionários certamente estarão em contato direto com turistas franceses. É o caso dos funcionários do Pinguim, que possuem aulas periódicas para prestar um bom atendimento aos visitantes.

Entre os encantos do idioma está a própria cultura francesa, cheia de grandes referências nas artes, na gastronomia, na literatura e em outras áreas. Esta pluralidade foi o que primeiro atraiu a professora Paula Chateaubriand Mendes de Souza, que possui formação em Artes Plásticas, História da Arte e conhecimento da França. “Meu interesse pelo francês apareceu aos 15 anos, quando vivi minha primeira experiência no exterior, na parte francesa da Suíça. Mais tarde, quando já dominava bem o inglês, decidi me dedicar exclusivamente ao francês, língua que eu tinha mais afinidade justamente por seu aspecto cultural”, reforça, destacando que, entre seus planos, está aprender italiano e alemão. Em 2012, Paula, que já era professora do idioma em Ribeirão Preto, decidiu investir em um novo espaço, o L’atelier, que tem sua metodologia de ensino ligada às artes e à culinária. “Na escola, que é dirigida a alunos de até 18 anos, adotamos três fios condutores principais: a interatividade, a criatividade e a ludicidade”, esclarece a professora.

Para ela, ensinar francês vai muito além da própria língua. Trata-se de aventurar-se por um rico universo de pensadores, escritores, artistas, compositores e chefs — e tudo isso serve como ferramenta em sala de aula. “É este encantamento que tento passar para os alunos e que, na minha visão, tornam as aulas mais especiais e produtivas”, garante. Este ano tem sido especial para ela como professora, já que a visita francesa à cidade tem despertado a atenção dos ribeirãopretanos. “A médio prazo, gostaria de ampliar ainda mais o alcance da nossa proposta para outras cidades, para que outros públicos também possam desfrutar de nossas experiências, artísticas, idiomáticas e gastronômicas”, planeja Paula.

Em Ribeirão Preto, quem conhece o lugar costuma nunca mais sair. Este é o caso de Alice Petri Naccarato, de 12 anos, que frequenta o L’atelier desde a inauguração. “Até o ano passado, participava semanalmente do curso de culinária, pois adoro cozinhar e nunca tinha conhecido um lugar ideal para crianças e adolescentes. Hoje, também estudo francês e pretendo visitar a França no futuro”, revela a aluna, que está encantada com a sonoridade do idioma. Segundo ela, que já fez aulas de outras línguas estrangeiras, a francesa tem suas dificuldades, mas não é um bicho de sete cabeças.

De aluno a professor
O aprendizado do inglês começou muito cedo para Abner Augusto Moreira, que estuda o idioma desde os 5 anos. Aluno da PBF, concluiu sua formação na escola ribeirãopretana antes de, aos 16 anos, encarar uma temporada nos Estados Unidos, onde formou-se pela Embassy CES. Hoje, dá aulas e é coordenador da mesma escola que o ensinou, a PBF, e também leciona na Fisk. “Sempre gostei de estudar, de ler e de me informar. Além disso, gosto muito de falar, de conversar com pessoas de várias tribos. Tudo isso me levou a ser professor de inglês”, conta Abner.

Uma experiência na escola deu a ele a certeza que faltava. Às vésperas de uma prova de inglês, ensinou o conteúdo de um semestre inteiro em pouquíssimo tempo aos colegas. O resultado foi muitas notas máximas. “Percebi, então, como é bom dividir aquilo que sabemos. Outra sorte que tive foi aprender tudo o que sei com professores incríveis, que me inspiram até hoje”, afirma Abner. Apesar de muito jovem, o professor de inglês tem consciência da importância de sua profissão. “Decidi ser um professor por acreditar que só uma sociedade educada é capaz de conhecer seus problemas e encontrar soluções. Hoje, não posso dizer que não existe nada mais gratificante do que fazer parte desse processo”, analisa Abner, o responsável pelos últimos estágios de formação da PBF. O professor utiliza a tecnologia como apoio, mas sabe que as ferramentas não devem ser a estrela da aula. “O principal desafio, nos dias de hoje, é justamente ser melhor e mais interessante do que o celular e o computador, etc”, finaliza o professor.


Texto: Luiza Meirelles

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