Conheça o "internetês"
A linguagem escrita mais curta, cheia de contrações silábicas e abreviações, serve de base para a comunicação de muitos adolescentes, especialmente na internet
Vc, pq, kd e tb. Essas e outras abreviaturas são muito utilizadas no dia a dia dos jovens modernos, principalmente quando estão mergulhados no universo da internet. Com intuito de reduzir as palavras e facilitar a comunicação, os adolescentes abreviam muitas expressões nos bate-papos, nas redes sociais, como o Facebook e o Twitter, e também ao enviar mensagens de celular.
Apesar da grande maioria das pessoas acreditar que o “internetês” é a nova tendência da língua portuguesa, a abreviação não é uma moda atual, mas já era usada há muitos anos. “Essas contrações são muito comuns. Todos os estudantes abreviam anotações durante as aulas. O telegrama também é enviado, desde sua invenção, com o mínimo de palavras e conjunções. Além desses, há diversos outros exemplos. O uso de uma linguagem própria, de acordo com o ambiente, é normal e não interfere no aprendizado da linguagem tradicional”, opina o professor de literatura e escritor Menalton Braff.
Mesmo sabendo distinguir os tipos de linguagem, Luiz Arthur Ribeiro Maia de Carvalho investiu no desenvolvimento de texto, interpretação e argumentação. “A maneira com que usamos a escrita no dia a dia é fácil de absorver. No entanto, o português gramaticalmente correto é sempre importante, por isso devemos estudá-lo, principalmente na época do vestibular. Foi assim que aconteceu comigo”, revela o estudante, que foi aprovado nos vestibulares da Unesp e da USP para o curso de Economia.
Para o professor e escritor Luiz Puntel, não há nada de errado com a linguagem coloquial. “Os jovens sabem distinguir o português que utilizam no MSN e nas redes sociais do português necessário para ingressar na universidade ou se comunicar na escola com os professores. A maneira de se expressar deve ser adequada ao veículo. Ou seja, se eles estão ‘navegando’ na internet, usam a linguagem coloquial. Por outro lado, conseguem produzir um texto no padrão formal da língua”, complementa o profissional.
Juliana Biasi Massari e Rafaela Henriques Pinto também partilham esse raciocínio: elas garantem que sabem a hora de usar um ou outro tipo de linguagem. Para ingressarem nos cursos de Arquitetura e Relações Internacionais, elas intensificaram as aulas de redação e esqueceram o “internetês” em casa na hora da prova. Juliana afirma que o mais importante é saber a hora de usar o tipo de linguagem adequado ao ambiente em que está inserida.
Puntel afirma que existe uma gramática da internet e outra a ser seguida quando se produz um texto formal. Ambas diferentes da linguagem usada quando se escreve em um blog, e assim sucessivamente. “Tecnicamente, podemos falar em gêneros discursivos, conteúdo do Ensino Fundamental e Médio. Ou seja, os estudantes têm que reconhecer a diferença de um editorial e uma crônica, por exemplo. Eles têm que diferenciar as marcas de cada texto. Nos ambientes virtuais, como as redes sociais, também acontece. Nesses universos, os jovens têm uma liberdade que a dissertação, por exemplo, não permite”, complementa o professor.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Julio Sian