Conhecimento em constante evolução
As universidades de Ribeirão Preto registram importantes trabalhos relacionados à saúde e à descoberta de novos fármacos e vacinas
A produção científica desenvolvida na região de Ribeirão Preto tem crescido de forma regular e constante. Indicadores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) apontam que, de 1982 a 1986, o Brasil respondeu por 0,48% da produção científica mundial. Atualmente, este percentual saltou para 3%, sendo 55% de tudo o que é produzido na América Latina.
Por sua vez, a região de Ribeirão Preto representa quase 7% de toda a produção científica nacional. Dados indicam que o campus da USP de Ribeirão Preto ocupa a quarta posição em relação à produção científica na área de ciências biológicas, ficando atrás apenas da USP de São Paulo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Entre 1986 e 1990, o Brasil publicou 15.028 artigos científicos em revistas indexadas, correspondendo a 0,54% do total de artigos publicados no mundo. Em 2012, foram divulgados aproximadamente 48 mil artigos, elevando o país para a 13ª posição no ranking mundial. Paralelamente, o pedido de patentes de 2003 a 2012 chegou a 170 mil.

Tal produção ganhou espaço e visibilidade desde que a Revide foi criada. Seja por meio de reportagens internas, matérias de capa ou especiais, o conteúdo da revista ajudou a destacar os trabalhos científicos de maior impacto e relevância social para a comunidade ribeirãopretana e da região. A maior ênfase tem sido as pesquisas relacionadas à saúde, assim como a descoberta de novos fármacos e vacinas. Uma das primeiras reportagens, publicada na quarta edição da Revide, em 1987, realçou a produção científica regional retratando São Carlos como o estopim da revolução tecnológica brasileira.
O foco da matéria “Exemplos da invenção” foi a criação da “coluna capilar”, um fio de 50 metros de comprimento, 280 microns de área e 200 microns de diâmetro, uma espécie de fibra ótica, criada por Mario Galhiane, por meio de trabalho conjunto entre os pesquisadores da USP e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR). A reportagem apontou, ainda, outras inovações, como o mancal filme de ar, que dispensava a lubrificação no eixo, tornando-o sem limites de rotação.
No mesmo ano, na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da USP-RP, eram realizadas pesquisas nas áreas de genética e evolução, zoologia, botânica, ecologia, fisiologia, morfologia, geologia, entre outras disciplinas do Departamento de Psicologia e Educação, da Faculdade de Medicina e da Faculdade de Odontologia, além da Escola de Enfermagem. Vieram outras inovações importantes, como o laser, acompanhadas de perto pela equipe da Revide. Outras matérias enalteceram diversos pesquisadores renomados, como Milton Ferreira de Souza, fundador da Fundação Parque de Alta Tecnologia de São Carlos, considerada, na época, um “berçário de gênios”.
Ainda em 1987, a edição nº 8, de novembro, apresentou a reportagem intitulada “Professores pardais”, com foco em seis exemplos de como a USP-RP era uma verdadeira mina de investigação. Pesquisas para o controle da dor, a inseminação artificial de abelhas, novos analgésicos e fármacos importantes que poderiam funcionar no tratamento de algumas doenças foram evidenciados no texto de Silvia Cardinale.
Para que os processos investigativos chegassem a um resultado satisfatório, o trabalho e a curiosidade do professor José Pereira Brittes foi fundamental. Destaque na edição 23 de junho de 1990, aos 75 anos, ele conservava o espírito criativo e inventivo. Para comprovar a teoria e dar andamento às pesquisas de docentes e alunos, Brittes criou diversos instrumentos. Entre eles, o inseminador de abelhas, o trépano para transplante de córnea, o oxigenador e um aparelho de ativar a circulação sanguínea durante uma cirurgia em cobaias — este último, feito com duas buzinas de caminhão, uma furadeira e um motor de batedeira de bolo. 
Por 30 anos, Brittes esteve à frente da Oficina da Mecânica de Precisão da USP ribeirãopretana, fundada por ele em 1953.
“Hoje, o setor responde pela manutenção mecânica, eletro e eletrônica de praticamente todos os equipamentos usados em sala de aula ou nos laboratórios do campus”, explica Otávio Terra, responsável pela Oficina. Sem título de professor e nenhuma noção de Medicina, Brittes recebeu medalha de prata em Atenas, pelo inseminador de abelhas, feito a pedido do professor Leonel Gonçalves. É considerado um dos responsáveis pelo desenvolvimento científico e tecnológico atingido pelo campus da USP em Ribeirão Preto.
Investimentos e pesquisas de diversas instituições da cidade também serviram como pauta da Revide. Na edição 16, de 18 de maio de 1997, foi divulgado o Núcleo de Biotecnologia da UNAERP. Foram mostradas, além das pesquisas, laboratórios de manipulação para meios de cultura e de fotoquímicas, salas de inoculação in vitro e estudos ligados ao meio ambiente e à extração de produtos naturais de origem vegetal. O setor contribuiu para o desenvolvimento de medicamentos como spray e pomadas para o tratamento das escaras, com princípio ativo do barbatimão, uma planta com alto poder cicatrizante.

Na edição 77, de 26 julho de 1998, o especial sobre Educação enfatizou os investimentos do Centro Universitário Barão de Mauá, que conquistou naquele ano o título de Excelência no ensino superior. A matéria apontou também a conquista do Moura Lacerda, que acabava de receber do Ministério de Educação e Cultura o título de Centro Universitário e os esforços da UNIP. A Instituição ampliou e melhorou seus cursos, construiu sede própria, além de responder por um terço da produção realizada nos 24 campi que possuía no interior de São Paulo.
MAIOR VISIBILIDADE
José Aparecido da Silva, professor titular do Departamento de Psicologia da USP, explica que a produção científica na cidade aumentou substancialmente desde aquela época. Em 2007, somente o campus da USP produzia entre 2% e 3% da produção científica indexada em periódicos de alto impacto; hoje, atinge quase 7%. Com isso, os pesquisadores também ganharam maior visibilidade internacional. “Temos programas de pós-graduação em diferentes áreas e quase todos com conceitos entre cinco e sete, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (CAPES)”, aponta José Aparecido. Capa da Revide na edição 354, de junho de 2007, entre outras funções, o professor também foi prefeito do campus, de 2005 a 2009. Outra figura importante no desenvolvimento científico na cidade foi o professor Carlos Júlio Laure, do Departamento de Bioquímica da Faculdade de Medicina. Capa da revista 94, de 22 de novembro de 1998, com a matéria “Domador de serpentes”, ele ganhou notoriedade internacional
depois de esclarecer a estrutura primária da crotamina (veneno da cobra cascavel) e também sequenciou aminoácidos da imunoglobina (IGM) humana. No ano seguinte, a produção científica voltou à capa da revista 137, de 26 de setembro de 1999, com a reportagem “Fábrica de Cientistas, uma Medicina de vanguarda”. A reportagem constatou que a USP-RP vem prestando serviço à sociedade na tentativa de erradicar doenças contagiosas, combater problemas físicos ou aperfeiçoar técnicas cirúrgicas e de tratamento. Investigações científicas culminaram, por exemplo, na
criação da vacina que poderia curar a tuberculose, na técnica que recupera o tímpano perfurado ou no tratamento para correção de problemas ortopédicos. A Instituição abriga ainda um dos maiores centros de pesquisa e tecnologia para o
tratamento de doenças hematológicas e aplicabilidade de células-tronco. Fernando de Queiroz Cunha, farmacologista e professor titular do Departamento de Farmacologia da FM-RP, na área de Imunofarmacologia, lembra que, na USP, os docentes e graduandos são estimulados à produção científica. “O envolvimento dos estudantes com a pesquisa contribui significativamente para sua melhor formação acadêmica. Toda
revista que divulga os avanços científicos para o público geral é uma aliada da comunidade científica”, observa Fernando.Parceira importante do setor, a cada ano a revista amplia o espaço para a divulgação das inovações e dos trabalhos acadêmicos, bem como do despertar de jovens cientistas por meio dos programas desenvolvidos pela Casa da Ciência. Em suas páginas passaram nomes importantes, como Otávio Cintra, Eurico Arruda, José
Geraldo Speciali, Sebastião de Souza Almeida, Eduardo Magalhães Rego, Sérgio Henrique Ferreira, Marco Antonio Zago de Oliveira, Júlio Cesar Voltarelli, Dimas Tadeu Covas, Marco Antonio e Marisa Barbieri, Isabel Amélia Mendes, Juliana Fonseca de Lima, entre outros. Pesquisares importantes como os que figuram no livro “Cientistas de Ribeirão Preto”, de autoria de José Aparecido. Segundo o professor, os dois volumes objetivam divulgar a face mais cotidiana desses profissionais ou cientistas de Ribeirão Preto e região. “Queríamos mostrar que eles são pessoas como cada um de nós e que apreciam futebol, happy hour e sofrem as mesmas vicissitudes da vida. Apenas têm uma disciplina intelectual diferente e, na maioria das vezes, são dedicados à leitura intensa e à busca pela comprovação de suas hipóteses, valendo-se da frequente e cuidadosa experimentação”, explica o professor.

FERRAMENTA TRANSFORMADOR
“Criada para despertar a sede de conhecimento e inserir o estudante, a partir dos 12 anos, no meio científico, a Casa da Ciência abriga hoje inúmeros projetos, entre eles o “Adote um Cientista” e o “Pequeno cientista”. No espaço os pesquisadores fazem uma ponte entre o meio científico e a descoberta de novas possibilidades por parte dos alunos. Neste caminho, dependemos muito dos meios de comunicação para que o nosso trabalho ganhe visibilidade e uma dimensão maior. Neste sentido, a Revide abriu espaços importantes para a divulgação dos nossos projetos e esta relação produz grandes mudanças.”
Marisa Barbieri, professora e coordenadora da Casa da Ciência
RECONHECIMENTO
“A produção cientifica realizada na USP de Ribeirão Preto vem se destacando no cenário nacional. Nos
últimos anos, seus grupos de excelência priorizam a qualidade em detrimento da quantidade de artigos publicados. Isso melhora a qualidade, permitindo uma contribuição mais significativa para o desenvolvimento cientifico e tecnológico brasileiro. Fato acompanhado com reconhecimento e admiração pela comunidade ribeirãopretana, que tem orgulho do ensino e da ciência produzida no campus. A divulgação destes avanços é essencial e os meios de comunicação da cidade, como a Revide, têm papel ativo nesse processo.”
Dario Zamboni, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP
CONTRIBUIÇÃO POSITIVA
“O campus da USP de Ribeirão Preto e, em especial a Faculdade de Medicina, é um dos principais polos
de pesquisa científica avançada do Brasil e, em algumas áreas, como a terapia celular, do mundo. Esta proeminência ocorre tanto nas chamadas ciências básicas, como nas aplicações clínicas, sendo o Hospital das Cínicas da FMRP um dos melhores centros médicos do país. A Revide tem contribuído muito para a divulgação e esclarecimento público das atividades científicas desenvolvidas na Universidade, inclusive figurando vários de nossos pesquisadores na matéria de capa. Isto demonstra a responsabilidade e seriedade da Revide que valoriza e prestigia a atividade científica nas suas páginas.”
Dimas Tadeu Covas, diretor-presidente do Hemocentro de Ribeirão Preto
INTERFACE
“A ciência praticada nos laboratórios, muitas vezes associada a projetos de extensão com a participação da academia e da comunidade externa à USP, vai se desenvolvendo num ritmo mais rápido do que os veículos de comunicação são capazes de acompanhar. Nos últimos anos, a cobertura que a imprensa, principalmente a de Ribeirão Preto e, em especial da Revista Revide, tem dado à ciência tem melhorado substancialmente em quantidade e qualidade da informação. Isso comprova na prática que a política de interface entre a universidade e sociedade tem obtido êxito e, dessa forma, a Universidade retribui em propostas de novos produtos e serviços todo o investimento público realizado.”
Osvaldo Luiz Bezzon, prefeito do campus da USP em Ribeirão Preto
DIVULGAÇÃO
“As pesquisas e estudos acadêmicos, principalmente relacionados às ciências sociais aplicadas, como a maioria dos que são desenvolvidas na FEA-RP/USP, cumprem melhor seu papel quando compartilhadas com a sociedade. A FEA-RP/USP se coloca em uma postura aberta e receptiva às demandas da sociedade para poder dar a sua contribuição, cumprindo assim seu papel social e cultural. Para construir o elo entre a academia e a sociedade, contamos muito com o apoio da imprensa. Ao longo dos anos, a Revide tem se mostrado generosa com a divulgação das atividades de pesquisa, ensino e extensão da Faculdade, levando parte de nossa produção e do conhecimento de nossos docentes para a sociedade. Esperamos continuar contando com essa parceria.”
Dante Pinheiro MartinelliDiretor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP/USP)
* Publicado em 28/08/2014