Conscientização e qualidade de vida
Marcada para acontecer no dia 21 de outubro, 5ª Corrida/Caminhada Outubro Rosa de Ribeirão Preto segue chamando a atenção para a importância da prevenção ao câncer de mama
Quando chega o 10º mês do ano, um novo tom passa a colorir o horizonte. No mundo inteiro, monumentos históricos, empreendimentos grandiosos e outros endereços representativos ganham uma iluminação rosa, cuja finalidade é chamar a atenção para a necessidade de manter os exames capazes de descobrir precocemente o câncer de mama. Este tipo de tumor é o mais prevalente entre as mulheres e, consequentemente, aquele que mais leva a óbito.
O colorido visto por toda parte pode ser associado à Campanha Outubro Rosa, que surgiu em 1990, em Nova Iorque. Foi nesta cidade norte-americana que aconteceu a 1ª Corrida pela Cura, exatamente com o objetivo de alertar as mulheres sobre a diferença que a descoberta da doença em sua fase inicial pode fazer na busca pela cura. Assim como a causa, eventos do gênero espalharam-se, pouco a pouco, ao redor do globo, chegando, também, a Ribeirão Preto.

A primeira edição foi realizada na cidade em 2014, por iniciativa do Instituto de Ensino e Pesquisa em Oncologia (IEPO) de Ribeirão Preto, idealizado um ano antes para realizar atividades de educação médica continuada e outros eventos. Este, por sua vez, está intimamente relacionado ao Instituto de Oncologia de Ribeirão Preto (InORP)/ Grupo Oncoclínicas, que tem o oncologista Diocésio Andrade entre seus diretores. Formado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), especializou-se, primeiramente, em Clínica Médica, na mesma instituição. A proximidade com a Hematologia e os cuidados com pacientes críticos com leucemia e linfoma o fez buscar a segunda residência, em Oncologia, realizada no Hospital de Câncer de Barretos, hoje chamado de Hospital do Amor.
Antes de integrar o time do InORP, em 2012, realizou um ano de pesquisa clínica na Universidade Católica de Louvain, em Bruxelas, na Bélgica, proporcionando a criação do departamento de pesquisa clínica no InORP. É, também, membro titular do Grupo Brasileiro de Estudos de Câncer de Mama (GBECAM), membro fundador e diretor financeiro do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA). De acordo com Diocésio, o evento, que acontecerá no dia 21 de outubro, com largada e chegada no Shopping Iguatemi, chega à quinta edição amadurecido.
Desde quando integra a equipe do InORP/Grupo Oncoclínicas?
Cheguei ao InORP/Grupo Oncoclínicas em fevereiro de 2012, após ter realizado pesquisa clínica na Universidade Católica de Louvain. Havia recebido o convite por parte do Dr. Aurélio Julião em novembro de 2010, quando estava terminando a residência de Oncologia Clínica, em Barretos, e ele muito gentilmente me aguardou cursar este trabalho no exterior, que enriqueceu muito minha experiência.
De que forma aconteceu seu envolvimento com a Corrida/Caminhada Outubro Rosa em Ribeirão Preto?
Essa relação aconteceu em função da criação do Instituto de Ensino e Pesquisa em Oncologia (IEPO) de Ribeirão Preto, que foi idealizado no início de 2013. Inicialmente, o objetivo do Instituto era realizar atividades de educação médica continuada. Nosso primeiro evento foi o XI Encontro de Oncologia do Centro-Oeste Paulista (ONCOCESP), realizado em setembro de 2013, em Ribeirão Preto. Este era um evento itinerante do qual faziam parte o Instituto Oncológico de Ribeirão Preto (InORP), o Hospital de Câncer de Barretos, o Hospital Amaral Carvalho de Jaú e o Centro de Oncologia de Rio Preto (CORP). Naquele ano, reunimos mais de 150 congressistas no Stream Palace Hotel, sendo mais de 80 oncologistas. Desde então, o IEPO serviu para organizar atividades tanto na área da pesquisa clínica quanto no desenvolvimento de novos projetos, entre eles, a Corrida/Caminhada Outubro Rosa.
O evento chega a 5ª edição bem amadurecido?
Com absoluta certeza, o evento chega muito amadurecido a 2018. Na 1ª edição, tivemos aproximadamente 800 inscritos e muitos colaboradores e patrocinadores ainda desconfiavam de que aquele poderia se tornar um grande evento. Na corrida/caminhada deste ano, são esperadas mais de 1.700 pessoas. Ganhamos, durante essa trajetória, muitos parceiros fixos, inclusive, aqueles que nos apoiaram na 1ª edição, realizada em 2014. Contamos com a assessoria fixa da ARS Eventos, que desenvolve o planejamento durante todo o ano. Sempre recebemos um feedback positivo dos participantes e esta é a nossa expectativa também para o evento desse ano.
A que atribuiria esta evolução?
Atribuo a evolução ao projeto bem planejado desde a concepção, em 2014. O Dr. Aurélio Julião esteve no evento anual promovido pela “American Society of Clinical Oncology (ASCO), em Chicago, um dos mais importantes da área no mundo. Na ocasião, teve a oportunidade de participar de um evento parecido com a Corrida/Caminhada Outubro Rosa. Este evento, porém, era relacionado ao combate ao câncer de uma maneira geral. Voltando desse evento, nos reunimos no InORP — Dr. Julião, Carla Tostes, Gustavo Davoli e eu, que compúnhamos a administração à época — e após prospectar parcerias, marcamos uma reunião com o Arthur Rizzi, da ARS Eventos. Mesmo com um tempo curto, entre três ou quatro meses, conseguimos a parceria do Shopping Iguatemi Ribeirão Preto e realizamos a 1ª edição.
Qual é a estrutura preparada para receber os participantes?
Já realizamos algumas atividades antes mesmo da corrida, como o lançamento do evento em uma solenidade na Prefeitura de Ribeirão Preto, que colocou o evento no calendário anual de corridas de rua da nossa cidade. Realizamos, ainda, uma manhã de ioga no Shopping Iguatemi Ribeirão Preto. Os kits para a corrida e caminhada serão entregues nos dias 19 e 20 de outubro e, no dia da corrida, há um enorme serviço de staff à disposição, que inclui distribuição de kits pós-corrida e vários brindes. Além disso, há um espaço kids para que os pais possam deixar seus filhos durante o percurso e também serviço de massagem/fisioterapia para quem quiser ou necessitar após o evento.
Quem não conseguiu se inscrever em tempo, pode contribuir de alguma forma com a campanha?
Muito mais do que a Corrida/Caminhada Outubro Rosa é a campanha realizada durante todo o mês com o intuito de conscientizar a população a respeito da necessidade de se prevenir contra o câncer de mama, uma doença tão prevalente entre nós. Para isso, as pessoas podem compartilhar os posts diários realizados em nossas redes sociais para que o máximo de informação atinja um número crescente de pessoas.
Acredita que a população de Ribeirão Preto e da região está se tornando mais consciente sobre esse tema? O que ainda é preciso melhorar?
Considero que sim. A população tem conseguido um acesso maior a informações a respeito não só da saúde, mas de outras questões do dia a dia de cada um. Enfrentamos ainda uma barreira muito grande relativa a quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar o diagnóstico e o tratamento, quando necessário. Muitas pessoas não conseguem acesso com a agilidade ideal, ou quando conseguem, não encontram um atendimento digno e responsável. Diante disso, ainda há muito o que melhorar, começando pela responsabilidade dos políticos que, gerenciam o dinheiro destinado à saúde da população, até chegar à responsabilidade dos profissionais, especialmente, daqueles que não trabalham de maneira adequada.
De que maneira o IEPO contribui para a evolução da Oncologia praticada por aqui?
A oncologia tem avançado cada dia no que se refere à sobrevida e ao sucesso no tratamento dos pacientes. O Prêmio Nobel de Medicina deste ano, por exemplo, foi dado a dois pesquisadores que realizam seus trabalhos na área da imunoterapia, uma nova modalidade de tratamento na oncologia. Muito antes de estar disponível para a população, realizávamos estudo de acesso expandido no IEPO, onde pacientes com câncer de pulmão e melanoma podiam receber, de forma gratuita, a imunoterapia.
Também são objetos de pesquisas as outras especialidades envolvidas no tratamento do câncer? Quais?
Toda a Medicina está envolvida em pesquisa. É assim que se os progressos diários são construídos. Podemos afirmar com certeza que, tanto a cirurgia oncológica quanto a radioterapia, os outros dois braços do tratamento oncológico, participam de pesquisas em favor dos pacientes.
É possível exemplificar algum avanço prático que já tenha sido alcançado graças a esses estudos?
O prêmio Nobel de Medicina foi dado a pesquisadores que descobriram a chave do tratamento em Imunoterapia. Outro exemplo de evolução é permitir que pacientes que tenham que realizar tratamento de quimioterapia possam usufruir de tecnologias como a crioterapia, que consegue minimizar a queda do cabelo sem afetar a eficácia do tratamento. Tal tecnologia foi incorporada ao InORP/Grupo Oncoclínicas este ano e já está disponível para as pacientes que tenham indicação de uso da mesma.
Ribeirão Preto pode ser considerada uma referência dentro dessa especialidade? Por quê?
Ribeirão Preto é sem dúvida um polo de saúde, reunindo várias faculdades da área na cidade. Na Oncologia, temos uma residência na USP com boa formação, porém, devemos sempre criar novas oportunidades para formações de novos médicos na especialidade, sempre buscando a excelência nesta formação. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), através de grandes esforços, conseguiu junto ao Conselho Federal de Medicina o reconhecimento da Oncologia Clínica como especialidade médica e lançou diretrizes a serem seguidas para que novos especialistas possam ser formados. Precisamos que todos os órgãos respeitem isso para que a população tenha acesso a pessoas bem formadas e dispostas a ajudar a quem precisa.
Diocésio Andrade | Texto: Luiza Meirelles | Fotos: Julio Sian