Conversa entre amigos
Música, família e amigos estão entre as principais paixões do advogado Evandro Grilli
Além de ser um dos nomes mais respeitados na área do Direito, compondo a banca do escritório Brasil Salomão e Matthes Advocacia, o advogado Evantro Grili também é músico e produtor musical, atuando na projeção da carreira de sua esposa, Alessandra Freire, e dos dois filhos, Victor e Pedro, que fazem parte da banda PlayVinil. A agenda, sempre lotada, não é empecilho para Evandro, que encontra tempo para curtir momentos especiais em família, receber os amigos para divertidas festas e manter um estilo de vida saudável com a prática de exercícios físicos. Nesta conversa com o diretor técnico da Clínica Corpore Ribeirão Preto, Adriano Pelegrino, o advogado multitarefa revela como consegue administrar todas essas funções com harmonia.
Adriano: Fale um pouco da sua rotina. Como é o seu dia a dia?
Evandro: Levanto às 6h30 e tenho que tirar da cama o Victor e o Pedro que, assim como eu, não gostam de acordar cedo. Levo os dois para a escola e vou para o escritório. É difícil alguém procurar um advogado para pedir opinião sobre algo positivo, certo? Minha função, por essência, é resolver problemas e eu encaro vários deles. Inevitavelmente, acabo absorvendo essa energia pesada. Tento equilibrar a conta com a prática de exercícios físicos e com a música, que voltou a ser muito presente na minha vida ultimamente. Resumindo: faço dez coisas ao mesmo tempo e muitas delas sem conexão nenhuma. Administrar isso não é fácil, mas minha vida é assim. Uma correria total.
A: A música está na sua vida há muitos anos. Como surgiu essa relação?
E: Foi quase que sem querer. Uma das minhas lembranças mais antigas é que eu passava o dia todo ouvindo discos. Tinha uma vitrola Philips azul que era minha companheira inseparável, mas não tocava nada. Minha irmã estudava piano e, no conservatório, os alunos tinham que escolher um instrumento complementar. Como a maioria das pessoas à época, ela optou pelo violão. Quando chegava em casa, trazia os cadernos com as cifras e eu ficava olhando. Um dia peguei aquilo e resolvi tentar. Comecei a tocar praticamente sozinho. Devia ter uns 13 anos. Foi quando tive a felicidade de conhecer o professor Newton Barbosa Pinto, da Família Clim. Ele foi meu mestre. O interessante é que um ano e meio depois eu já estava me apresentando profissionalmente, em uma banda de baile, viajando para fazer shows por todo o Estado de São Paulo, além de Minas Gerais, Paraná, entre outros. Essa vocação para a música estava guardada dentro de mim e eu nem sabia.
A: Foi aí que a Alessandra entrou na sua vida?
E: Exatamente. Foi a música que nos uniu. Estávamos em um churrasco da faculdade e eu tinha levado o meu violão. Como já fazia parte de uma banda, não gostava muito de ficar tocando nas rodinhas de amigos. Fazia umas três ou quatro músicas e ia curtir a festa. No final da noite, vi uma moça tocando meu violão e cantando. Fiquei encantado. Naquele dia mesmo ficamos juntos. Este ano, completamos 20 anos de casados. A música sempre aparece na minha vida e me indica os caminhos certos a seguir.
A: Mesmo tão envolvido com a música, por que você se afastou dela por um tempo?
E: Isso aconteceu mais ou menos por volta de 1994, quando o Victor nasceu. Estava construindo a minha família e ficava difícil me dedicar à música. Tinha acabado de me formar como advogado e optei por me dedicar exclusivamente à profissão. As coisas deram certo, fui trabalhando cada vez mais e assim se passaram dez anos sem que eu tocasse em um instrumento musical. Em 2004, percebi que se continuasse dessa forma, traria prejuízos graves para a minha saúde, para o meu bem-estar e para a minha vida de maneira geral. Estava acima do peso, muito estressado e com tudo fora do lugar. Então, reencontrei a música. Agora, tenho uma banda formada por amigos. Nós interpretamos canções dos anos 80, o som da nossa juventude, que continua superatual. Minha esposa e meus filhos atuam nesse meio profissionalmente e, com isso, acabei descobrindo um outro lado, o de produtor musical, que me dá grande prazer. Nesse período, já produzimos dois CDs e dois DVDs, um da Alessandra e um da PlayVinil, junto com a Nova Digital. Hoje, faço um esforço para equilibrar minha carreira como advogado, que sou por natureza, com a música. Serei sempre um advogado tocando guitarra, às vezes, até de terno e gravata, dependendo do figurino do show.
A: Como é ser o produtor musical da sua família? Consegue separar a atividade profissional do pessoal?
E: Essa é uma tarefa muito difícil. Na verdade, o laço do marido e da mulher, dos filhos e do pai, continua na relação de trabalho. Isso torna o conflito, que é inevitável, ainda mais complicado. Se há uma crítica, da minha parte, por exemplo, eles absorvem aquela informação como artistas, mas um pouquinho do lado pessoal acaba envolvido. O mesmo acontece quando eles falam da minha atuação. Por isso, decidimos montar uma equipe administradora. Assim, consigo minimizar esse contato direto com eles. Esse time, cheio de feras, funciona como interlocutor no processo, cuidando de todos os detalhes para deixar a carreira deles extremamente profissional. Os meninos da banda também têm um talento incrível e estão desenvolvendo uma veia artística muito forte. Logo mais caminharão com as próprias pernas e eu ficarei de longe, torcendo.
A: O que você pode nos dizer da carreira deles atualmente?
E: Estão em plena atividade. O projeto é lançar um DVD ainda este ano, tanto da Alessandra, quanto da PlayVinil. Foram gravados em shows no ano passado no Theatro Pedro II. Para o final de 2013, o objetivo de ambos é lançar um álbum de inéditas. Além disso, vão pegar a estrada e fazer muitos shows.
A: E o futuro? Acredita que deva diminuir o ritmo no escritório e intensificar o lado musical?
E: Na minha cabeça, futuro não existe. Você passa a vida inteira esperando ele chegar, preparando-se, só que no instante que ele chega, já é presente. Então, na prática, a gente só tem o hoje e o ontem. Não sei por quanto tempo ainda estarei aqui, espero que muito. Mas durante esse tempo serei um advogado. Não tem como tirar isso de mim. Está no meu DNA. Mesmo que esteja desempenhando outras funções, o Direito sempre será meu norte. Quanto à música, já experimentei viver longe dela e não deu muito certo. Portanto, os dois são essenciais. Em que proporção cada um vai ocupar um espaço na minha vida, como vão se dividir, eu não sei. Isso só o amanhã, que já será presente, é que vai dizer. Confesso que não me preocupo muito com isso. A gente tem que dar um jeito de encontrar a felicidade no hoje, nesse instante.
A: Além da música, você citou a prática de exercícios físicos como uma ferramenta para eliminar o estresse do dia a dia. O que gosta de fazer?
E: Para falar a verdade, nunca fui muito habilidoso em esporte nenhum, nem futebol, nem vôlei, nem tênis, nada. Você me apresentou uma modalidade que eu me identifiquei demais: a corrida. Gostei porque não tem segredo. O objetivo é superar metas. Como sempre fui muito ligado a isso, fico estimulado a ultrapassar os meus limites e conquistar avanços. Fico competindo comigo mesmo. Na minha primeira corrida, saí para completar um percurso de cinco quilômetros, mas fiz dez. Descobri que sou bom nisso. Nunca imaginei que um dia estaria correndo bem uma distância longa. Por isso, reservo um tempinho na agenda para praticar essa atividade regularmente. Às vezes, não dá, preciso faltar por algum motivo. Mas evito ao máximo. Quando assumo um compromisso, eu faço. Sou muito disciplinado. O esporte também agrega minha família. Corro com minha esposa e com meus filhos e isso é muito legal.
A: O que mais vocês gostam de fazer juntos?
E: Gostamos de festas. Promovemos várias na nossa casa. Queremos que esse espaço seja cenário de momentos de alegria e de celebração à vida. Nossas portas estão sempre abertas para os amigos. Também adoramos viajar. Nós quatro juntos em outros lugares, conhecendo novas cidades, estados e países. É sempre uma aventura muito divertida.
A: Não podemos deixar de mencionar a sua carreira no Direito. Como você escolheu a sua profissão?
E: Sou uma pessoa muito intuitiva. Acho que herdei isso da minha mãe. Tenho uma voz interior que me orienta quando preciso. Foi o que aconteceu comigo nesse caso. Não me preocupei com isso antes da hora, não sabia que seria um advogado aos dez anos. Quando tive que escolher, analisei as possibilidades e optei pelo Direito. Entretanto, quando penso na minha infância, tenho a lembrança do meu pai falando sobre essa profissão com grande admiração. Talvez, mesmo inconscientemente, ele tenha me influenciado. Nunca tive pressão nenhuma para seguir esse caminho. Foi uma escolha que aconteceu naturalmente. Entrei na faculdade em 1989.
A: Como ingressou no Brasil Salomão e Matthes Advocacia?
E: Ainda no primeiro ano do curso, como estagiário. A mesma sorte que tive no meio musical tive no Direito: encontrei dois grandes mestres, o Dr. Brasil Salomão e o Dr. José Luiz Matthes, que me ensinaram mais do que a própria faculdade. A eles, devo todo o conhecimento que tenho. Depois de alguns anos, tornei-me advogado e, posteriormente, sócio do escritório. Passei um período como diretor executivo e agora voltei a desempenhar essa função, juntamente com o conselho de administração que é presidido por Marcelo Salomão. Quando me dei conta, já estava nesse meio. A vida é assim, as coisas vão acontecendo, umas encadeadas às outras, e essa combinação vai nos transformando no que somos. Temos que ficar atentos a cada situação para tirar o melhor proveito de cada oportunidade. Desempenhando suas atividades com seriedade, comprometimento, ética e transparência, as chances aparecem naturalmente.
A: Quais foram as lições que sua experiência na área ensinou?
E: O quanto é gratificante acabar com o problema dos outros. Poder, com o seu trabalho, dar conforto a quem está desesperado e tranquilizar quem está preocupado é recompensador. Minha tarefa é fazer com que o cliente saia da minha sala melhor do que entrou. Por outro lado, também entendi que não posso resolver tudo sozinho. Sou um instrumento de solução, não a solução. Depois que compreendi isso minha vida ficou mais equilibrada. Independente de qualquer coisa, sou uma pessoa tranquila. Dificilmente vou me envolver em alguma situação de conflito. Porém, quando isso acontece, tenho um lado guerreiro. Sabe aquele ditado “dou um boi para não entrar em uma briga, mas uma boiada para não sair dela”? Às vezes, ele se aplica a mim.
A: Você tem alguma frase que te acompanha pela vida toda?
E: Tenho sim. “A música é a voz da alma”. Quando a gente canta, quando toca um instrumento, estamos vulneráveis, transparentes. É a nossa alma que fica exposta, um momento mágico, especial. Essa frase reflete o meu pensamento..jpg)
Um exemplo
“Quando recebi o convite da Revide para entrevistar alguém que admiro, logo pensei no Evandro. Tive o prazer de conhecê-lo na Clínica Corpore. Aos poucos, durante os treinos, fomos consolidando uma amizade e construindo uma relação de respeito. Acredito no sucesso artístico de seus filhos, à frente da Banda PlayVinil, e de sua esposa, Alessandra Freire, e no talento do próprio Evandro na produção da carreira dos dois. Tenho que destacar a carreira brilhante dele como advogado e sua capacidade de ser multitarefas, administrando todas as funções. Ele é um exemplo, pois consegue equilibrar o lado profissional, a vida em família, o lazer e a música com maestria.”
Adriano Pelegrino, diretor técnico da Clínica Corpore Ribeirão Preto
Texto: Paula Zuliani | Fotos: Carolina Alves