Convivência com os livros
Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto tem, entre seus principais objetivos, promover a aproximação dos jovens com a literatura
O contato das crianças e dos jovens com o universo dos livros, cheio de histórias e temas variados, é uma das principais finalidades da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, que chegou em 2011 à sua 11ª edição. A descoberta desse vasto cenário, ainda mais quando acontece na infância ou na adolescência, é capaz de criar leitores assíduos e cada vez mais interessados.
Meses antes, Bianca Aparecida Martins, de 15 anos, prepara-se para aproveitar tudo que a Feira tem para oferecer e programa minuciosamente o seu passeio. Para ela, caminhar entre os estandes de livros é um momento gostoso, propício para relaxar. Acompanhada dos amigos da escola ou sozinha, a estudante passa horas caminhando pelas praças XV de Novembro e Carlos Gomes, pesquisando os livros que pretende comprar e ler. “Venho antes, levanto as obras que me interessam, faço cotação de preços e depois passo todas as informações para a minha mãe, que volta aqui e me presenteia”, conta Bianca. Para a adolescente, a leitura ajuda a construir o senso crítico, muito importante no mundo atual.
De acordo com a leitora assídua, a maioria dos jovens não tem a percepção de como ler pode ser prazeroso. “Muitos dos colegas não leem e a maioria usa apenas a internet como forma de distração”, complementa a estudante, que acredita que a rede pode ser uma aliada da leitura, desde que utilizada da forma correta.
Mais do que acompanhar os shows, participar das inúmeras palestras e bate-papos da Feira do Livro, a estudante Gisella Possamai, de 17 anos, transformou essa experiência em um programa de família. Ela aproveitou a acompanhia da mãe, Eliana Anghinoni Pinto, para conhecer os estandes, marcar presença nos principais eventos e, principalmente, aguçar o prazer pela leitura. Para a adolescente, o incentivo que a Feira do Livro proporciona por meio do “Cheque-livrinho”, projeto que distribui R$ 18,00 para cada aluno da rede pública de ensino para que eles comprem livros livremente, merece ser destacado. A mãe de Gisella complementa que a participação dos pais na inserção dos filhos no mundo dos livros é de extrema importância. “Quando criança, dei muitos livros para Gisella de grandes autores infantis. As obras ilustradas são o primeiro passo para esse mundo mágico”, indica.
Entre as várias obras que já leu, Amanda Coutinho, de 18 anos, elenca “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago — autor homenageado desta edição do evento —, como um dos livros que mais gostou. “Fica a dica para quem quer investir em literatura e cultura: passar algumas horinhas na Feira do Livro. Há opções para todos os gostos e para todas as idades”, sugere a jovem, que acredita que, de uns anos para cá, o número de adolescentes leitores vem aumentando.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Ibraim Leão