Corra atrás do prejuízo

Corra atrás do prejuízo

Assim como o publicitário Rafael Ribeiro dos Santos, muitas pessoas abusam de uma comida gostosa ou se entregam às guloseimas, mas a exceção não pode virar regra

A comida é uma fonte de nutrientes e de prazer. À mesa, buscar o equilíbrio nem sempre é tarefa fácil, principalmente, para aqueles que, como o publicitário Rafael Ribeiro dos Santos, estão acostumados a comer em horários errados e a consumir alimentos saborosos, mas ricos em gorduras, açúcar, conservantes e sódio.

O publicitário comete erros típicos das pessoas que lidam com uma rotina corrida e que acabam negligenciando a saúde para conseguir honrar todos os compromissos. Durante a consulta com o nutrólogo Dr. Ricardo Borges, que solicitou uma série de exames sanguíneos, foi realizada uma análise de composição corporal por bioimpedância. “Na minha opinião, o primeiro erro do Rafael é ficar longos períodos sem se alimentar durante o dia. Como os intervalos entre as refeições são grandes, ele acaba sentindo muita fome e comendo demais nas refeições principais”, avalia o especialista.

Ao realizar o check up, ficou constatado que o participante do Revide Fit precisa passar por uma série de mudanças de hábito para conseguir alcançar as metas propostas pelo programa. De acordo com o nutrólogo, todas essas mudanças passam por um ponto comum: organizar os horários para reduzir os intervalos entre as refeições. “A redução das quantidades e a melhora da qualidade dos alimentos acontecem de maneira mais fácil quando os horários das refeições são respeitados”, observa o nutrólogo.

Ricardo acrescenta que a falta de horários deve ter sido o pontapé inicial do processo de ganho de peso do Rafael. “Quando ficamos muito tempo sem comer, nosso corpo produz uma série de substâncias que nos fazem sentir fome. Além disso, quando estamos com fome, temos mais dificuldade para chegar à saciedade, ou seja, ao fazermos uma refeição com fome, comemos muito mais do que precisamos ou do que comeríamos caso não estivéssemos famintos. Isso é um mecanismo de sobrevivência da espécie”, explica.

Quando se veem acima do peso, muitas pessoas recorrem a dietas altamente restritivas ou dietas da moda, o que, na maioria dos casos, leva a um desequilíbrio nutricional por criarem tabus alimentares. Um deles é a proibição de um ou mais tipos de alimentos ou a permissão de um tipo específico de refeição. De acordo com o especialista, esse desequilíbrio pode acarretar diversos problemas de saúde, tanto a curto quanto a médio e longo prazos. As dietas altamente restritivas ou fora dos padrões habituais ou de normais são praticamente impossíveis de seguir pelo resto da vida, gerando o famoso “efeito sanfona”. “Hoje, sabemos que o efeito sanfona pode, em alguns casos, ser mais prejudicial à saúde do que o próprio excesso de peso”, pontua.

Dietas restritivas e uma alimentação desregrada em relação aos intervalos são, geralmente, os grandes vilões na disputa com a balança. Os outros erros, como os relativos à qualidade e à quantidade, em tese, são consequência desses gatilhos iniciais. A partir desse ponto, vale ressaltar que alimentos industrializados podem ser aliados ou vilões de uma alimentação saudável. Tudo depende da consciência do indivíduo ao escolher o que irá consumir. “É possível ter uma alimentação saudável usando alimentos industrializados, assim como também é possível comer errado recorrendo a alimentos frescos. Os alimentos não são culpados pelos nossos hábitos alimentares”, esclarece Ricardo.

Assim como Rafael, muitas pessoas acreditam que a perda e o ganho de peso seguem vias de mãos duplas. Ou seja, para emagrecer, é necessário ingerir menos do que se gasta e, para ganhar massa muscular, é necessário acrescentar calorias boas no cardápio. De acordo com Ricardo, essa “equação” é válida: para perder peso, é necessário ingerir menos calorias do que se gasta. Entretanto, existem diversos fatores envolvidos na ingestão calórica e no gasto calórico. Já ganhar massa muscular é um processo mais complexo ainda, pois uma pessoa pode usar suas reservas de energia (perder gordura, ou seja, emagrecer) e, com o estímulo correto (por meio de exercícios), ainda assim ganhar massa magra. O nutrólogo salienta que, para ganhar massa muscular, nem sempre é necessário ingerir mais calorias. Vale ressaltar que calorias são sempre calorias — não são boas ou ruins — e todas as fontes calóricas são importantes em uma alimentação equilibrada. “Precisamos de carboidratos, proteínas e gorduras em proporções equilibradas, então, não podemos dizer que tal fonte de calorias é boa ou ruim”, conclui Ricardo.

RA sem sabotagem

O nutrólogo Ricardo Borges cita quais são os quatro hábitos que costumam sabotar a reeducação alimentar.

Pular refeições: ficar longos períodos sem comer é um dos piores hábitos possíveis.

Comer assistindo TV: acabamos não prestando atenção ao que estamos comendo e, assim, ingerimos mais alimentos do que precisamos.

Usar a desculpa “só hoje”: quando se permite errar em momentos corriqueiros, geralmente se permite errar sempre. Os erros podem acontecer apenas em momentos especiais. 

Pensar “é só um pouquinho”
: são os pequenos erros de todos os dias que nos fazem ganhar peso. 

Ter guloseimas em casa: é muito difícil comer direito com a casa cheia de tentações.

Reeduque o cérebro


Segundo um estudo sobre a obesidade, pessoas que cederam a sinais como: frustração com o próprio corpo, ansiedade, tristeza ou falta de consciência alimentar estão mais propensas a estar acima do peso. A revista Complementary Therapies In Medicine promoveu uma pesquisa com participantes que relataram algumas mudanças depois de comer de forma mais conscientes por seis semanas. 26% diminuíram os sintomas de depressão; 35% reduziram as síndromes de ansiedade; 39% apresentaram menos fome e 43% tiveram menos ataques de gula. Outro estudo realizado pela Universidade Estadual de Kent (EUA) revelou que ao “brecar” alguns impulsos como comer um doce após uma discussão, aumenta consideravelmente a saciedade das pessoas após as refeições. Confira algumas dicas para iniciar o processo da alimentação consciente:

1 – Coma devagar: coloque os talheres na mesa e as mãos sobre o colo entre as mastigadas.

2 – Coloque a comida no prato: quando você ingere um alimento direto da embalagem a tendência é consumir o produto todo.

3- Elimine distrações: comer enquanto assiste televisão ou fala ao celular pode fazer você consumir mais alimentos do que precisa.

4 – Atenção aos sentidos: preste atenção nos aromas, cores, texturas e sabor do que está experimentando.

5 – Coma com os olhos: se o prato estiver atraente, antes mesmo de começar a se alimentar a pessoa já começará a se sentir satisfeita. 

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