Corrida contra o tempo
Instituições de ensino superior de Ribeirão Preto precisaram se readequar para começar a receber os alunos de forma presencial
Texto: Marina parada
O Centro Universitário Barão de Mauá, traçou novos planos e implementou treinamentos para os docentes e funcionários que ajudaram a seguir melhor o período de isolamento social. “O desafio foi a corrida contra o tempo para as adaptações necessárias, mas por contarmos com um corpo docente qualificado e comprometido, com um Programa de Formação Continuada (ProFCon) que promove treinamentos contínuos para o uso de recursos tecnológicos realizados pelo Departamento Didático Pedagógico da IES, pudemos criar estratégias pedagógicas que contribuíram efetivamente para a aprendizagem com o apoio da tecnologia de forma rápida.” explica a pró-reitora de ensino da instituição, professora Valéria Tomás de Aquino Paracchini.
Em 2021, a instituição planeja a continuidade de um ensino de qualidade de maneira responsável. “Continuaremos a acompanhar diariamente todas as legislações e orientações que são divulgadas pelos órgãos governamentais para traçar as estratégias necessárias diante do cenário da pandemia que continua tão dinâmico”, conta a pró-reitora.
NOVAS ESTRATÉGIAS
No dia 17 de março, a Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) adotou as medidas de distanciamento social, encerrando temporariamente as aulas e planejando novas estratégias para manter o bem estar de toda a equipe e de todos os alunos. Os investimentos feitos no início do ano por parte da instituição, precisou ser readaptado para manter a segurança de todos que frequentam o campus. “Os investimentos e empenho feitos pela Unaerp possibilitaram as condições de segurança de seus alunos e colaboradores, mantendo a continuidade das atividades letivas com a disponibilização de aulas mediadas por tecnologias”, explica a Universidade.
Henrique Escher, 20 anos, aluno do curso de jornalismo da Unaerp, conta que sente falta da interação e do contato com os colegas. “Foi um ano em que me senti frágil, porque fui obrigado, pelo medo, a encarar a realidade de outra forma, compreendendo que não tenho nenhum controle sobre o amanhã”, explica Henrique.
Consciente de seu papel no mundo e como estudante, Henrique Escher coloca a lucidez e a empatia em primeiro lugar. “Estamos iniciando uma década, caberá a nós decidirmos como seguiremos em um mundo pós-pandemia”, relata Henrique. “Sinto falta de interagir, do contato, mas, por mais difícil que seja, são mudanças necessárias para quem tem empatia”, completa.
A Universidade, em 2021, planeja um retorno cauteloso, on-line e, aos poucos, presencial. “Acreditamos que neste ano, apesar do distanciamento social ainda necessário e da falta que nos faz a movimentação e o convívio no campus, as atividades acadêmicas vão transcorrer com mais tranquilidade do que em 2020. Já temos certo know how, os procedimentos e metodologias já estão incorporados; professores e corpo técnico-administrativo vêm passando por capacitações e aprimorando didáticas; as reformas e adequações na estrutura do campus já estão concluídas e adaptadas às novas demandas.”
Também no dia 17 de março, a Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto suspendeu as aulas no intuito de assegurar o bem estar de todos. “É irrefutável o inestimável empenho dos professores e dirigentes da USP nesta jornada, mas também deve-se considerar as dificuldades encontradas tanto pelos professores quanto pelos estudantes. Diante disso, a pró-reitoria de Graduação, envolvendo toda sua equipe de servidores e assessores, envidou os esforços para atender as demandas da comunidade uspiana envolvida no ensino de graduação”, explica a pró-reitora adjunta de Graduação, Maria Vitória Lopes Badra Bentley.
A pró-reitora conta ainda sobre as dificuldades dos alunos que não têm acesso fácil à internet. “A maior dificuldade foi proporcionar aos estudantes carentes igualdade de acesso à internet para acompanhar as aulas on-line. As Pró-Reitorias de Graduação e de Pós-Graduação, sensíveis às limitações de estudantes ao acesso à internet, em conjunto com a Reitoria e a Superintendência de Tecnologia da Informação (STI), disponibilizaram kits de internet (chips ou modem) para que os estudantes com dificuldades pudessem acompanhar as atividades didáticas on-line. Foram entregues aos estudantes de graduação 3.000 kits de internet. Várias unidades disponibilizaram ainda computadores aos seus estudantes”, explica Maria Vitória.
Para Gabrielle Adriani Melo Marcelino, 23 anos, aluna do curso de ciências biomédicas da USP Ribeirão Preto, não houve grandes dificuldades em relação à adaptação ao novo método de ensino. “Não tive dificuldades para me adaptar diferente de alguns colegas de curso. Eu me adaptei muito bem ao ensino a distâncias, pois, devido às aulas serem gravadas e eu poder assistir quando e na velocidade que eu quisesse, meu aprendizado foi muito mais produtivo quando comparado ao ensino presencial”, conta Gabrielle.
A estudante espera que tudo isso passe logo e venha o novo e o melhor para a humanidade e sente falta da vida universitária. “Estar na faculdade com os colegas, almoçar junto, tirar dúvidas, fazer os trabalhos em grupo. Além disso, também sinto falta das discussões em sala de aula com os professores, sinto que no EAD essas dinâmicas em sala foram um pouco perdidas”, finaliza Gabrielle.
A MONTANHA-RUSSA
Segundo Thiago Augusto Malvestio Pavanelli, professor de história da Escola SEB, a expectativa de volta às aulas é alta. Principalmente vendo como as escolas estão se organizando para voltar”, conta Thiago.
Uma das coisas que mais fez falta para ele, foi a proximidade com os estudantes em sala. “Nós professores, quando estamos dentro da sala de aula, pelo olhar do aluno, sentimos como ele está reagindo e lidando com o conteúdo da aula. Senti falta desse olhar”, explica o professor.
Segundo Jéssica Machado dos Santos, Cientista Social e Professora, o ano de 2020 foi uma montanha-russa. "Estávamos no começo do ano letivo, conhecendo os alunos, começando a ter uma aproximação, quando começou a pandemia, o que dificultou muito, pois o contato com os alunos foi bem difícil”, explica a professora, que tem um canal no YouTube onde grava vídeo-aulas sobre geopolítica e assuntos sociais.
Neste ano conturbado de pandemia, muitas coisas no país vieram à tona e com eles a desigualdade social e a desigualdade na educação. “Educação e política andam lado a lado, é urgente repensar o espaço escolar para todos - desde os funcionários até os alunos”, explica Jéssica. “Para reverter essas desigualdades é preciso investir não só na educação, mas em outras áreas essenciais para a nossa sobrevivência. Entender que a vida das pessoas está acima de qualquer sigla. Quem governa precisa entender que está ali para servir a população, para administrar os impostos arrecadados no território e destinar esses aos espaços que mais necessitam. Assim é possível fazer com que o Brasil avance em vários níveis: educação, saúde, economia, culturas e afins”, continua.
Jéssica acredita que para mudar a educação, é preciso expandir os conhecimentos. “A tomada de consciência de ser e estar no mundo. Vivemos um ano que escancarou o descaso que o Brasil vive, que saúde e educação são assuntos políticos e que precisamos ficar atentos ao que acontece”, finaliza Jéssica Machado.