Covid-19 e o coração

Covid-19 e o coração

Os sintomas de insuficiência cardíaca durante a Covid-19 podem ser semelhantes ao da infecção viral, motivo pelo qual é necessário alto grau de suspeição médica

A infecção viral pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), declarada pandêmica desde março deste ano com denominação de Covid-19, tem evoluído de modo exponencial no Brasil, com mais de meio milhão de casos documentados. O acometimento cardíaco, documentado inclusive por elevação de enzimas cardíacas, é uma característica marcante da Covid-19 e associa-se com pior prognóstico, uma vez que apresentam maior propensão a formas mais graves. Dados de estudos internacionais relatam que 20% a 30% dos pacientes hospitalizados com a Covid-19 podem apresentar acometimento cardíaco, o qual responde por quase metade dos óbitos, risco que aumenta substancialmente com a idade do paciente.

O coração pode ser acometido pelo processo inflamatório sistêmico global, diretamente pela ação do vírus no músculo, vasos e inervação cardíacos, e indiretamente também em decorrência de insuficiência respiratória grave. As principais manifestações clínicas do acometimento cardíaco são insuficiência cardíaca, arritmias e, mais raramente, insuficiência coronária. Os sintomas de insuficiência cardíaca durante a Covid-19 podem ser semelhantes ao da infecção viral, motivo pelo qual é necessário alto grau de suspeição médica. Quadros de miocardite aguda com ou sem pericardite são cada vez mais descritos nos pacientes hospitalizados como causa de insuficiência cardíaca.

As arritmias cardíacas podem se apresentar como bradicardias (coração lento) ou taquicardias (coração acelerado), e são decorrentes de fatores múltiplos como queda da oxigenação, ação de drogas e acometimento viral direto entre outras. As arritmias, além de piorarem o prognóstico, são umas das principais responsáveis pelas mortes súbitas na Covid-19.

A insuficiência coronária, representada principalmente pelo infarto do miocárdio, apesar de manifestação menos comuns que os anteriores, pode ocorrer principalmente nas fases pulmonares e de inflamação sistêmica da doença. Nessas fases, os distúrbios de coagulação e o acometimento direto das artérias coronárias são mais comuns, e elevam substancialmente o risco de morte.

Também em relação às lesões cardíacas decorrentes da COVID-19, dados recentes alertam para a possibilidade de cicatrizes residuais mesmo após a cura, o que torna obrigatório o seguimento cardiológico por curto e médio prazo desses pacientes.

Em suma, como observado em outros tipos de cardiopatia, a prevenção sempre será o melhor remédio.

Antônio Vitor Moraes Junior, cardiologista
CRM: 54451

Compartilhar: