Da gestação à adolescência
Em mais de três décadas de história, o Hospital Sinhá Junqueira consolidou-se não apenas como endereço certo para gestantes e bebês, mas também para crianças e adolescentes
Não haveria data mais apropriada para a inauguração do primeiro hospital exclusivamente dedicado ao público feminino no interior de São Paulo: o Hospital Materno-Infantil Sinhá Junqueira foi aberto em 1984, em 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Em 32 anos desde a inauguração, o endereço faz parte da história de muitas famílias, como a dos papais Andreza e Rodrigo. Foi para lá que o casal se dirigiu no dia 30 de novembro de 2015 para receber Isabela, que nasceu às 18h36, com 49,5 cm e 3.530 kg.
Se esta for a decisão dos pais, Isabela poderá seguir frequentando o Hospital Materno-Infantil até a adolescência, uma vez que, desde a fundação, a instituição de saúde ampliou sua infraestrutura e também sua abrangência. Hoje, faz não apenas o acompanhamento completo das gestantes até o nascimento de seus bebês, como também presta toda a assistência necessária após o parto, do aleitamento, passando pelas consultas regulares com o pediatra para verificar cada etapa do desenvolvimento da criança, até a adolescência.
Isso acontece graças ao programa de Cuidado Integral de Puericultura. “Já a partir do nascimento, o bebê recebe todo o acompanhamento necessário para sua saúde e bem-estar”, garante Luiz Alberto Ferriani (CRM: 19.375), diretor clínico do Sinhá. De acordo com o médico, a primeira consulta pode ser programada diretamente com a equipe de enfermagem, ainda durante a internação da mãe, ou em contato posterior com o hospital. As consultas regulares com o pediatra são fundamentais para verificar o desenvolvimento da criança no primeiro ano de vida e nas fases de seu crescimento subsequente.
O Hospital Materno-Infantil está especialmente preparado para casos de alta complexidade. Para isso, conta com equipe multiprofissional especializada, 30 leitos na UTI neonatal e pediátrica; oito leitos na unidade de prematuros e mais de 500 médicos de diversas áreas de atuação em seu corpo clínico. A unidade ainda conta com o apoio da sala de ordenha e do lactário, que tem um sistema de funcionamento que permite que a fórmula láctea seja preparada e o leite materno fracionado em condições assépticas com ambiente adequado e isolado dos demais. “Sabemos que o leite materno é fundamental no tratamento dos bebês prematuros e, por isso, investimos nesse ambiente para que as mães e doadoras possam ter o maior conforto possível e o leite chegue aos bebês com total segurança e qualidade”, explica a neonatologista Rita Márcia Pineli (CRM: 58.214), responsável pela UTI.
O projeto arquitetônico da UTI foi especialmente elaborado por especialistas da área para facilitar o trabalho da equipe em benefício dos clientes. O local é todo circundado por vitrôs que abastecem de luz natural o ambiente, que é único, sem barreiras visuais, permitindo visão ampla e panorâmica de todos os leitos. O espaçamento entre os leitos foi adequado de maneira a facilitar a circulação de familiares e profissionais no local.
A UTI do Sinhá Junqueira atende bebês nascidos no hospital e também crianças encaminhadas por outras instituições de saúde da região. A unidade é a principal referência regional em alta complexidade em sua especialidade, tendo, inclusive, apresentado diversos trabalhos científicos em congressos nacionais e internacionais.
O local conta com equipamentos modernos, seguindo as tendências tecnológicas mais utilizadas nos melhores hospitais como: incubadora aquecida, com balança e sensor de pele; respiradores modernos com monitores paramétricos de última geração e visualização facilitada; monitores capazes de verificar constantemente parâmetros invasivos e não-invasivos de cada paciente; bombas de infusão com confiabilidade de dosagens; fototerapia a LED (que colabora para preservar a hidratação do paciente, além de não ressecar a pele); entre outros. Também está equipada com aparelhos de gasometria, possibilitando resultados laboratoriais imediatos e precisos. “Graças ao envolvimento de toda a nossa equipe e da nossa excelente infraestrutura, a UTI neonatal e pediátrica do Sinhá vem obtendo excelentes resultados para as famílias atendidas, inclusive com apoio psicológico, quando necessário, e reuniões de pais para troca de experiências”, comenta Rita Márcia Pinelli.
Planejamento e atualização constante
De acordo com o diretor técnico do Hospital, Jorge Ricardo Kunzle (CRM 59.494), a ampliação da prestação de serviço do Sinhá aconteceu de maneira gradual e organizada. “A instituição foi sendo readequada pouco a pouco até chegar à sua abrangência atual. Uma das mais recentes novidades é a disponibilização do Pronto-Atendimento infantil, que reúne consultórios, salas de emergência, ortopedia, medicação e inaloterapia, além de oito leitos de
observação e um de isolamento”, reforça o diretor. Com entrada independente, a ala pediátrica de urgência e emergência conta com equipe multiprofissional e pediatras de plantão 24 horas por dia. Há, ainda, atendimento infantil especializado nas áreas de cardiologia, urologia e ortopedia, com consultas agendadas.
Para garantir a máxima qualidade do serviço médico, a infraestrutura do Hospital Materno-Infantil está em constante modernização. “Toda a instituição é pautada na busca pela excelência, no que diz respeito às ferramentas disponíveis e, principalmente, relativa ao corpo clínico”, destaca Paulo Ricardo Góes, gerente administrativo do Sinhá.
O preparo do corpo clínico é um dos fatores mais importantes na consolidação da instituição de saúde como referência. Para contribuir para essa atualização, o Hospital promove uma série de eventos no decorrer do ano. Entre os mais importantes e já tradicionais está a Jornada de Ginecologia e Obstetrícia Sinhá Junqueira, cuja 25ª edição acaba de ser realizada. Na programação científica apresentada de 2 a 5 de março, foram discutidos assuntos como gestão de alto risco, assistência ao parto e pré-natal, planejamento familiar, endometriose, climatério, sexualidade, adolescência, entre outros. Também faz parte da agenda do Sinhá, juntamente com parceiros, a Jornada de UTI Neonatal e Pediátrica, que teve sua mais recente edição realizada em agosto do ano passado.
Atenta, ainda, aos noticiários e temas de interesse público, a direção do Sinhá realizou, em fevereiro, uma reunião entre médicos de várias especialidades para discutir as consequências da dengue e do zika vírus. O evento foi intitulado “Dengue, zika vírus e suas consequências: diagnóstico clínico e conduta”. O tema voltou a ser discutido recentemente, na programação da 25ª Jornada de Ginecologia e Obstetrícia Sinhá Junqueira.
Parto Adequado
Muito se ouviu falar nos últimos tempos no alto índice de cesáreas, sem indicações clínicas, realizadas no Brasil, assim como no esforço capitaneado pelo Ministério da Saúde para melhorar a assistência à saúde da gestante e incentivar os partos vaginais (normais). Para isso a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), juntamente com o Hospital Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), desenvolveu o programa denominado Parto Adequado, do qual fazem parte apenas 42 hospitais públicos e privados do Brasil, entre eles, o Sinhá, o único em Ribeirão Preto.
O esforço coletivo, que acontece desde maio de 2015, já mostrou avanços. Em quase um ano, o índice de cesáreas foi reduzido em 15%. Para alcançar este resultado, o hospital fez adequações de recursos humanos e de estrutura física hospitalar. Incorporou a enfermeira-obstetriz ao plantão presencial 24 horas, que já contava com equipe multidisciplinar com médicos obstetra, anestesiologista e pediatra; intensificou a capacitação dos profissionais para ampliar a eficiência na realização do parto normal; promoveu o engajamento do corpo clínico, da equipe de colaboradores (inclusive administrativos) e das gestantes; e promoveu a revisão das práticas de atendimento das gestantes e bebês, desde o pré-natal até o pós-parto.
A obrigatoriedade do cartão de pré-natal também foi uma mudança que contribuiu muito. “Estamos muito satisfeitos com os primeiros passos do Projeto. É nítida a mudança de cultura dos profissionais envolvidos no parto e também de toda a equipe de colaboradores. Outro ponto fundamental foi a consolidação do apoio das duas principais operadoras de planos de saúde parceiras. Agora, intensificaremos a orientação às gestantes com o objetivo de diminuir a cesárea a pedido, que impacta bastante nos resultados”, explica Luiz Alberto Ferriani.
Para complementar as informações passadas durante o pré-natal, o hospital remodelou o curso de gestante, oferecendo uma equipe multiprofissional preparada para esclarecer todas as dúvidas daquelas mulheres que têm algum medo ou preconceito em relação ao parto normal. Além dessas mudanças, outro passo importante, que já está em andamento, é a ampliação e adequação do centro obstétrico, com salas exclusivas de parto e pré-parto com toda a estrutura necessária para proporcionar conforto e segurança à gestante e ao bebê.
“O Projeto vem ao encontro do que o Sinhá já vem aplicando há alguns anos no aprimoramento da assistência ao parto. Nos últimos quatro anos, o nosso índice de parto vaginal vem se adequando, com a adoção de medidas como: a execução do partograma da paciente, plantão 24 horas de obstetrícia, protocolos clínicos, equipe multiprofissional com reconhecimento técnico para a função, sala de parto humanizado, entre outras. Com a metodologia que estamos incorporando com o Projeto, temos mais condições de trabalhar com as outras instituições, permutando experiências, o que contribui ainda mais para a excelência da assistência ao parto”, conclui o Jorge Ricardo Kunzle.
Números do Sinhá
2872 consultas prestadas a gestantes mensalmente, em média
5478 consultas a bebês, crianças e adolescentes, em média
426 partos mensais, em média
1.535 m² de infraestrutura no Pronto-Atendimento de gestantes, bebês, crianças e adolescentes
7 salas cirúrgicas e 12 leitos de observação pós-anestésica
630 m² dedicados à pediatria, com 9 consultórios, 7 leitos de observação, 1 de isolamento, 1 sala de procedimento,
1 sala de emergências
590 m² para a Ginecologia e Obstetrícia, sendo 4 consultórios, 6 leitos de observação, 1 de isolamento, 1 sala de emergência e 1 sala de cardiotocografia
103 leitos para pacientes, sendo 63 na ala de internação; 22 leitos na UTI neonatal; 10 UTI pediátrica, e 8 leitos na unidade de prematuros
Mais de 500 médicos em seu corpo clínico.
Projeto Nascer
A partir de 1º de abril terá início no Hospital Sinhá Junqueira o Projeto Nascer. Baseado em diretrizes do Ministério da Saúde, o projeto objetiva que o acompanhamento da gestante a partir da 36ª semana de gestação seja feito na própria maternidade, semanalmente. “O objetivo é oferecer maior segurança à gestante e já preparar a mãe para o parto dentro do próprio ambiente hospitalar”, explica Dr. Jorge Ricardo Kunzle.
O direcionamento inicial será feito pelo especialista que acompanha a paciente desde o início da gravidez. A consulta da 36ª semana já será feita pelo médico do hospital, que verificará todo o cartão de pré-natal, protocolo de exames e situação vacinal.
Após 1ª consulta com o médico (36ª semana) será disponibilizada uma oficina de orientações básicas de trabalho de parto (atendimento realizado pelas enfermeiras obstetrizes e psicólogas). Já na consulta de rotina da 39ª semana será solicitada a cardiotocografia, a ser realizada na 40ª semana, uma hora antes da consulta com o médico.